Vende-se dignidade, baratinho

22 06 2008

Desde o lançamento do infame Halls Melancia não se via tamanha polêmica

Em uma rara manhã de ócio, ligo no programa da Ana Hickmann e me interesso pelas revelações de Simony, naquele quadro “Os Donos do Jogo”, com entrevistas bombásticas, tal. Daí, Simony acaba soltando, em certo momento, que teve um aborto espontâneo a long time ago e o filho era de um cara famoso. Os apresentadores implorando pra ela contar, mas a cantora resistia bravamente:

- Não, gente, olha, não posso contar mesmo. A pessoa hoje em dia está em outro relacionamento, não quero prejudicá-la, acho que isso é uma coisa muito íntima, muito minha, é um assunto que me deixa abalada e eu não acho que seja adequado falar aqui de fatos do passado e…

E o diretor utiliza seus anos de experiência em psicologia comportamental:
- Mil reais, Simony.

E ela:
- Ok, então. No próximo bloco eu revelo.

Ahh, tá.
Porque existe um mundo melhor – que é caríssimo e a Simony tá pagando à vista.

Sim, e o filho era só de ALEXANDRE PIRES.
Gente, a cotação do Alexandre “chinelada na barata dela” Pires anda tão baixa após sua temporada em Miami, mas tããããão baixa, que os apresentadores não escondiam o semblante de decepção diante da mediocridade da revelação. Acho que até a pergunta daquele concurso estúpido “O que tem na panela de Edu Guedes?” mexeu mais com o Brasil. Puxa. Todo mundo queria um nome que abalasse a estrutura, que inaugurasse um novo paradigma pós-moderno, tipo Faustão, Guido Mantega, Robert Downey Jr, sei lá. Mas Alexandre Pires?!?!?!?! Se eu estivesse lá, teria feito só uma pergunta:

- E?

Outra que tava afim de lucrar com o aborto prescrito era a Mara Maravilha [que julgo ser um dos nomes artísticos mais sem-graça da história, só não ganha de "Elizângela" e "Carlito Marron" - o nome de Carlinhos Brown no mercado latino-americano]. Na minha infância, ela não estava no topo do meu organograma de influências – o que me atraiu semana passada foi sua imagem bizarra, com uma roupa preta completamente coberta de lantejoulas pretas e um batom vermelho sangue-de-cristo-tem-poder. Que eu saiba, não se realizam bailes à fantasia com coquetel às nove e meia da manhã. Ai, abafa.

Estava ela em outra edição do quadro “Os Donos do Jogo”, quando confessou, entre outros mil segredos lights, softs e diets, que fez um aborto na época em que apresentava o programa infantil no SBT, lances de suicídio, escândalos, barbitúricos e até um casamento com um Menudo. Não se fazem mais apresentadoras infantis e com um passado escabroso como antigamente. Bom, enfim, e como se não bastasse, Mara resolveu fazer uma oferta básica por suas outras novidades palpitantes – por 50 mil reais, ela liberaria mais coisas, tão íntimas e secretas quanto fogos de artifício. Que coisas são essas, nem Deus desconfia. Porque, pra valer FIFTY THOUSAND REAIS, tem que ser um babado forte, hein, dos bons. Tipo, sei lá, “Doze paquitas e um segredo”. Eu mesma não tenho nada na minha vida que valha isso, hahaha. Nem se eu inventasse, ó.

E dizem que a Fátima tá vendendo um quinto segredo sagrado por alguns dobrões de ouro, se liguem.

E eu vou aproveitar a audiência pra explorar um segredo meu também, tá? Que soem os clarins: gente é muito íntimo, eu morro de rir daquele comercial de carro em que o cara se vê rodeado por animais selvagens, que começam a cantar “Don’t worry, about a thing.. cause every little thing is gonna be alright”…
Hum. Se ninguém ri, foi mal. Vocês então acabam de saber do item 7 da lista de “10 coisas que vocês nunca perguntaram sobre mim e viviam muito bem, obrigado, sem saber”.

Mas sério. Cara-de-pau anda super prêt-à-porter e pra Simony e Mara vai o nosso Ausência de Noção Awards. Colocar preço na vida pessoal não dá, hein.
É isso que nos fascina e causa um efeito mentos + coca-cola na nossa alma, sabe.
A essência.
O caráter.
A riqueza de espírito, já diria algum poeta / filósofo / ou até mesmo Paulo Coelho.
Quando a gente acha que já viu tudo, aparece a Simony.
E quando a gente já se achava suficientemente traumatizado, vem a Mara.
E quando você pensa que já desceu todos os degraus da escadinha da dignidade, você percebe que os gatinhos do Rapidshare podem ser superados, sim.

Ai, o Rapidshare não te merece, amiga. Antes, catar gatinhos mal-desenhados nas letras era considerado um passeio no parque. Agora, com caracteres tridimensionais listrados, a coisa complica muito pra quem tem astigmatismo – tipo eu, só para citar um exemplo aleatório. Neste mundo tridimensional, apenas os fortes sobreviverão. Fazer - ou melhor, tentar - um download assim na madrugada é tão gostoso quanto acertar uma martelada no dedo. O que mais falta na minha vida? Um cajá?

[...]

Mas vamos cortar para outra personalidade de RELEVO descoberta recentemente na Ana Hickmann. Ele, o maquiador Celso Kamura. Quis o destino que eu estivesse em casa, para ver as dicas impagáveis daquele SER. Uma coisa Clodovil jovem e com um ar andino e fashion, lindo.
E eu vibrava a cada diálogo dele com Ana.

- Celso, e para disfarçar a papada com blush? Como fazemos? Essa região aqui que nós temos, mais cheinha…
- Meu AMÓR, você não-tem-pa-pa-da. Tá LÓCA?

- Celso, e para definir o maxilar com blush? Esse ossinho que temos do lado…
- Olha, basta marcar com o pincel, assim. Bom, e as GORDAS IMAGINAM onde estaria o ossinho do maxilar e o definem com o blush. O seu já é lindo, Ana, TÁ LÓCA?

- Celso, e se eu não tiver esse pincel especial para esfumaçar o lápis dos olhos e fazer esse côncavo maravilhoso?
- Meu AMÓR, fazer esfumaçado com o DEDO não dá, né? TÁ LÓCA?

Sei que sua vida não ganhará sentido após Celso Kamura. Mas eu tava só comentando. E, bem, falando em make up, preciso desabafar que, quando não houver mais lugar no inferno, os mortos andarão sobre o centro da cidade de Fortaleza usando delineador azul klein de dia. Eu vi. EU VI. E eu sei que tá super na moda, mas ô, se enxerguem. SOMENTE A DZÉL BÜNDCHEN PODE.

E agora nosso minutinho dedicado aos esportes

:: Mestrado:
Olhaê, textinho meu hoje no jornal, sobre a minha famigerada pesquisa, tal. É bom que o pessoal acredita, quando eu digo que escrevo coisas legais para além do blog, hehe.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=548510

Ah, falando em jornalismo, receber há quinze minutos um email - da lista do curso de jornalismo - endereçado a “quem faz acessoria de imprensa” não tem preço.

:: Futebol:
Que os curintianos me perdoem, mas campeonatos mundiais são fundamentais.

- Homenagem ao centenário da imigração japonesa.
Obrigada, Tóquio, por nos receber tão bem todos esses anos!

::Fórmula 1:
O prazer de assistir a uma corrida de Fórmula 1 é ainda mais sublime quando Galvão Bueno usa expressões como “Fulano COLOCA A FACA ENTRE OS DENTES e realiza a ultrapassagem”.

Mas em qual boate de Copacabana ele aprendeu isso?

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art brut, my little brother
the black keys, psycothic girl
zz top, got me under pressure



Crônica da cara tacada no poste anunciada

17 06 2008

vocês sabiam que os vendedores enchem o saquinho de algodão-doce com um sopro úmido humano e BIOLÓGICO?

É sempre assim. Parece a piada do portuga, que vislumbra a casca de banana adiante e pensa: ‘Lá vou eu escorregar e cair de novo, ó pá’. [piada assim, modo de dizer, né. porque isso é muito ruim] Porque toda vida que vou fazer exame de vista é o mesmíssimo processo: errar o ônibus, dar de cara em algum poste, ser quase atropelada por uma bicicleta vermelha de barra circular e cestinha numa mini-rua, cair no colo de algum desconhecido feio, pisar num buraco com lama, enfim, tantas coisas meigas e indolores.

Um dos maiores atos de masoquismo que você pode praticar é sair da sua cama, da sua casa, de perto do seu cachorro perfeitinho e ir até a oculista. Não adianta, eu nunca vou curtir isso. Chegando lá, o funcionário truculento desconta em você a frustração de ser um reles aplicador de colírio barato, abre seu olho como se fosse uma manga e taca o colírio com gostinho de soda cáustica e ardor nível 11, na escala Merthiolate que vai de zero a dez. A gente implora com um ‘Cuidaaaado, mooooooço’, e ele repete aquele jargão popular entre depiladoras e ginecologistas: ‘Minha querida, eu vejo isso todo santo dia, relaxe’. Hunf, se tem uma coisa que odeio é relaxar e minha voltade é perguntar: QUEM É VOCÊ? AH, TÁ. SÓ PRA SABER. E como é comigo, nunca dá certo de primeira, escorre tudo e lá vamos nós à segunda aplicação, ainda mais ÁRDUA.

[pausa dramática | fita o infinito | recita um poema de Augusto dos Anjos]

Cega e humilhada - lacrimejando feito uma condenada, como se trabalhasse num restaurante especializado em cebolas bem selvagens [uau, “cebolas selvagens” daria um filme de terror trash bacanéééérrimo, podia ser a seqüencia daquele punk, dos tomates] –, você entra na sala da médica e percebe que, já na terceira fileira de letras, fonte Arial Black 19315, sua visão já não tem o mesmo VIÇO da tenra idade, sente os anos passando, os cabelos brancos, as costas se curvam involuntariamente. Eu, que nem sou moça dramática, magina, fico que nem o Seu Madruga naquele episódio em que ele pensa que vai morrer. Na derrota, se tacando nas paredes. Isso sem falar num dos piores e mais rápidos exames do velho oeste, que é num negócio que parece um microscópio, onde você apóia o rosto – ó senhor, quantos queixos desconhecidos já não terão encostado lá, eca –, mentaliza uma luz azul, uma paz no fim do túnel e, quando menos espera, a médica aperta um botão que lança um soprão no seu olho. Sacanagem, isso. Quando é no primeiro olho, ok, a gente leva na esportiva. Mas quando é o segundo, quando já conhecemos a new-sen-sa-tion? Cadêêê que eu consigo “relaxar”? Será o caso de levar flores, Heleninha? Seráááá?

Não, esse vídeo não tem nenhuma conexão com o post, mas eu AMO essa passagem da Heleninha e eu precisava disso no blog. Bom, voltando. A parte divertida dessa coisa toda é escolher os oclinhos novos e fashion, que devem finalmente me deixar com cara de jornalista de moda, aham, aham. Quer dizer, isso é divertido hoje em dia, que tô jeitosinha. Porque quando eu tinha sete anos, isso era um martírio. Primeiro porque eu era feia [um dia me chamaram de “exótica”, mas é lógico que exótica = monstro do pântano]; segundo porque eu usava farda no colégio e farda deixa até a Ana Hickmann uma mocréia; terceiro porque as armações à disposição dos pivetes na década de 90 eram cafonéééééérrimas*; quarto, eu tinha franja cacheada [shh, segredo.]; e, quinto, porque bom gosto pra óculos nunca foi exatamente o ponto forte da mamãe.

Então, minha primeira armação foi uma rosinha-clara com uma tentativa de esboço de Mônica pregada do lado, miudinha e über-medonha. De uma breguice comovente, dava pena. Eram óculos estilo Megulho em Abrolhos, muito feios e grandes – e, vamos combinar, maxi-óculos só de sol, NUNCA de grau, beijos. Depois tive uma DOURADA [mamãe, essa foi de propósito, confessa], só pra consolidar minha feiúra e a humilhação diante dos coleguinhas não-miopes e não-ruivos - ou seja, normais, sem destoar da paisagem. Eu devia, aos nove anos, parecer que tinha 34, com aquela coisa dourada e neo-barroca em mim. Ah, lógico, ela tinha aquela correntinha abominável pra pendurar no pescoço, como um plus a mais. Não foi a toa que fiquei gravemente traumatizada e, só agora, no ano do centenário da imigração japonesa, voltarei a usá-los em público. All we are singing, give óculos a chaaaaance… come on, everybody, palminhas! [mulheeeeer, como tu se passa.]

Uau. Eu devia ser um prato cheio mesmo, pra minha turma infame da escola: ruiva = albina [ainda bem que não se falava em transgênicos naquele tempo]; míope = quatro-olhos; pernas grossas = elefantíase e, ainda por cima, paulista, o que comumente estimula a antipatia que muitos guardam com carinho do lado esquerdo do peito. Aqueles idiotinhas, que iam pro colégio com aqueles óculos ridículos do Chaves, feitos de canudo, riam de mim. Todos os dias eu desejo um dentinho podre na boca de cada um deles. Bastards.

*Aproveito esse espaço de audiência para registrar minha solidariedade junto aos pivetes que não gostam de ter 100% de roupas fúcsia [homens que não sacam matizes de cores, joguem no google], mochilas verde-limão e lancheiras com temas de personagens de quadrinhos e desenhos animados. Puxa, comics são legais, mas tem horas que o pivete necessita de sobriedade, autenticidade e dzáááááin. Porque se a criança curtir influências expressionistas ou a optical art alemã dos anos 50, ela tá perdida, né, desamparada pela indústria capitalista e ianque que massifica os gostos e subtrai a identidade dos consumidores, limitando seu poder de escolha a um pequeno leque de mercadorias fabricadas por multinacionais e mão-de-obra escrava, que interessam exclusivamente aos interesses excusos e imperialistas do Bush e da guerra no Oriente. É essa máquina que o aparentemente inocente Bob Esponja Calça Quadrada do seu filho alimenta, não se iluda, companheiro. Pois é, a questão é que nunca entendi a falta de inclusão do street wear infantil clean. Mais basiquinho, mais preto e branco, mais terninhos acinturados.

E aproveito ainda para perguntar se sou só eu que acho que a maioria das pessoas que faz comercial de óculos de grau não tem NENHUMA CARA de que usa óculos de grau. Fica sempre com aquele ar de ator da Globo fora do ar, dando entrevista no Projac sem maquiagem.

- Quer dizer, exceto o Johnny Depp, que é o pirata sujo mais lindo dos sete mares.

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buddy holly, learning the game
carla bruni, before the world was made
brigitte bardot, un jour comme un autre



Toc, toc

10 06 2008

ou só eu acho o Cauby Peixoto a cara do Austin Powers?

Acho que todo mundo que me viu algum dia na vida ou dividiu a fila da salada do self-service comigo por dois minutos deve ter sacado que eu tenho Transtorno Obsessivo-Compulsivo – ou TOC, para os íntimos e banalizadores.

E eu digo de antemão que é uma droga ser íntimo de TOC, tá. O meu é devidamente diagnosticado e referente à organização, perfeccionismo, limpeza e a alguns aspectos da fala. É uma tristeza, um verdadeiro carma, uma cruz que carrego e… [gosto de um drama]. Sinto necessidade seguida de satisfação ao alinhar todos os objetos com simetria, coloco livros e cds em ordem alfabética irracionalmente, conto respirações nas horas vagas, corrijo erros de português de uma forma doentia [ainda bem que revisão de textos me dá um extra money, hahaha]. Enfim, tenho uma coerência muito particular no meu cérebro, que me obriga, digamos assim, a obedecer a determinados paradigmas bizarros que eu mesma criei e…

Tá, é deveras complexo, eu sei.
E, se você não entendeu o TOC ou não sabe o que é “deveras”, pergunta pra mamãe. Beijos.

Não, mas não pensem que estou abrindo meu coração pra vocês neste apontamento, leitores. This is not a desabafo. Tolinhos.
Eu, aliás, acho péssimo quem abre o coração em blog. Pense, num lugar pouco apropriado pra abrir o coração. Eu quero mesmo é esculhambar o pessoal que acha cool ter doenças e neurinhas e QUER ter doenças e neurinhas. Não me pergunte por quê, porque essa coerência doida pertence àqueles que têm uma mente doida. Não é meu caso, antes que algum engraçadinho se antecipe.

Explico.

Quando eu digo que meu problema é d-i-a-g-n-o-s-t-i-c-a-d-o, é porque as pessoas curtem dizer “ah, tenho UM TOC”, sem saber nem o que é direito. Acham charmoso, bem capaz. Um dia eu tava com uma conhecida, comentei assim, por cima, do meu TOC e da minha organização excessiva [porque quem tem esses problemas, na maior parte dos casos, prefere esconder, né]. E ela:

- “Ah, nossa, eu também tenho um TOC, não consigo usar blusas estampadas”.

[pausa dramática]

Olha, eu achei tão idiota, MAS TÃO IDIOTA… que eu delicadamente disse: “É. MEU PSIQUIATRA inclusive passou remédio tal, um barbitúrico PESADÍSSIMO. Alterou minha personalidade. E você toma algum?” e ela logo se calou, porque sacou que ela não tinha nada, o que ela tinha era ausência de qualquer noção mesmo – infelizmente sem tratamento descoberto pelos cientistas britânicos. Pô. PÔ! Mania do povo, inventar que tem “stress”, “depressão”, “TOC”. Gente, essas doenças são sérias – e são DOENÇAS, de verdade. A tontinha falando que, puxa, é um TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO não usar uma blusinha? Grrrrrrrrrrrrrrr.

Foi que nem um dia, era tipo oitava série, eu tava com uma crise alérgica hercúlea [gostaram, “hercúlea”? li um dia desses, quis usar]. Sim, eu tava com crise de espirros [caramba, como eu sou seqüelada, haha. Daqui a pouco eu revelo aqui que passei a infância numa bolha, tinha premonições ou algo parecido]. Sim, parei de me interromper – o fato é que eu não conseguia andar nem dois passos sem espirrar violentamente, derrubando até a casa de aço inox blindada e com vidro fumê e cerca elétrica do terceiro porquinho da historinha. Daí, uma amiga [uma ENTÃO AMIGA, tsá, só pra reforçar que Beth Davis a despreza e eu também] me diz:

- Menina, isso que você tem é PSICOLÓGICO.

Sabe, sinto que o destino daquela vaca mudou e foi retraçado naquela cálida manhã de verão, após uma frase infeliz dessa, dirigida a MIM. Minha vontade suprema era riscar a faca no chão e perguntar: “Como éééé, minha filhaaaa?”.

Como vocês podem notar, há dois ódios inéditos que acabo de revelar. Maiores até que meu ódio por cheiro-verde e cajá: a raiva de quem quer ter probleminhas pra chamar a atenção e a raiva de quem minimiza os probleminhas que REALMENTE existem. Hunf. Nada pior que os seqüelados-wannabe que se orgulham e colocam até no perfil do orkut que têm um braço maior que o outro, seis dedos no pé, três buracos no nariz, um bisturi na barriga, espasmos quando come brócolis, torce pro time da Portuguesa e é fã do Katinguelê. Acho tipo assim: se você acha que tem algo diferente ou curte ostentar seu problema tosco, senta aqui, fala comigo e TENTA OUTRO ASSUNTO, esconda tudo, que eu definitivamente não quero saber das mazelinhas e anormalidades, ok. Dispenso.

E lembrei de outro episodio de escola, que tem a ver com pessoas que curtem criar probleminhas pra chamar a atenção. Era tipo quinta-série, quando surgiu uma modinha cretina de quebrar o braço. Todo dia aparecia alguém de gesso novo, que fase era aquela… Acho que era na quinta, não lembro. Mas enfim, no meu colégio uma menina da outra turma mandou engessar o braço, sem tê-lo fraturado. Essa idéia é de uma imbecilidade tão atroz, que eu nem sei se é verdade, até hoje. Mas acho que é, sabe por quê? Porque ela era daquelas lil’ bitches que adorava ser o centro das atenções e parecia que estava realizando um sonho, vendo o povo formar uma roda em torno dela pra escrever no gesso de canetinha, os meninos se oferecendo pra carregar os cadernos, os professores super preocupadinhos.

- Oi, auto-estima?
- Tchau.

True story

A verdade sobre alguns alimentos é difícil de ser encarada. Hoje a Jaq me revelou uma coisa horrível. O tomate seco. O tomate não é seco coisa nenhuma e aquilo é encharcado de ÓLEO - e eu crente que era pelo menos um azeite e do bão, do ligítimo. Uuugh. A estarrecedora revelação sobre dry tomatoes se soma à minha descoberta de que a maionese não passa de um ovão batido com uma lata de óleo em alta velocidade.
Vi no comercial de um mixer da Polishop, fonte confiável.

Bom, mas eu não gosto de tomate seco nem de maionese. Isso não mudou muito minha vida, portanto. Até porque uma coisa feia como um tomate seco não podia mesmo ter uma boa origem. E, contanto que não descubram nenhum podre no Toblerone - tipo mão de obra escrava ou minhocas -, pra mim tá de bom tamanho.

E vou fazendo meu frete, cortando o estradão.

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supergrass, ghost of a friend
rolling stones, shake your hips
the black keys, 240 years before your time



Mentalizando a chama da vela

15 05 2008

Auuuuummmmm…

Quando a gente se identifica com dois dos personagens* do comercial do Maracujina, significa que talvez seja hora de repensar os rumos da vida.

*Mas vejam se eu não tenho razão. Um é o cara irritado com uma mulher que fala alto e ri alto ao telefone, no meio do escritório silencioso. Vocês sabem, falar alto perto de mim é… ah, um pedacinho do paraíso. Berrar no celular é a nova calça capri, né. Pois uma vaca histérica daquela, berrando com voz fina do meu lado em pleno expediente, não teria a menor chance de sobreviver ao meu lança-chamas. O outro com quem me identifiquei foi o sujeito que chuta a máquina do refrigerante. Não que eu tenha muitas vezes me dado mal com máquinas de refrigerante no passado, mas é que me lembrei de um episódio pitoresco [eufemismo para 'loser'] que protagonizei nos Estados Unidos [cof]. Era um dia de gincana no shopping - ‘um dia’ também é conhecido como ‘de 8h da manhã às 18h da noite’ -, carregando sacolas, caminhando os 1000m rasos, observando gente esquisita e chorando pitangas por não poder comprar todos os eletrônicos / livros / maquiagens / roupas / dvds / objetos fofos e inúteis dos meus sonhos. Em um momento, fico com uma sede imoral e apelo para a máquina. Daí…

[Esperem, eu iria escrever tudo num mesmo parágrafo? Credo. Abstraiam o asterisco, tá. Isso virou um post autônomo. Não reclamem do meu apogeu, do meu apogeeeeu - ô samba legal, haha]

Pois então, daí os códigos das bebidas eram hiper-complexos. A coca é A1, o sprite é H125, o arsênico é K224 e por aí vai. Bem dizer uma batalha naval, uma tabela periódica, um… tá, vocês entenderam. Pois então, a míope aqui teria que distinguir e digitar essa senha do Rapidshare na máquina - com as mãos cheias de sacolinhas e um povo apressado atrás de mim -, pra poder fazer o download da água mineral. Ok, respirei fundo, fui, tal, depositei as moedas direitinho. Então, quando pressiono o botão, o que é que veio?

- A DROGA DE UMA ÁGUA AZUL, QUE DEVIA SER DA COCA-COLA.

¬¬

Eu me senti uma palerma, uma completa estaferma, “não sabia se chorava ou se sorrisse”, tirando na frente das outras pessoas uma GARRAFA DE ÁGUA AZUL. Que patético, né. Qual o perfil do consumidor idiota de uma água AZUL? E era AZUL mesmo, gente, tipo, AZUL da cor do INFERNO, sacam? O mais puro corante, parecia aqueles produtos de limpeza acondicionados numa garrafa pet, vendidos por um cara de bicicleta no meio da rua. Cara, que droga, que droga, quem foi a besta que lançou a ÁGUA AZUL? É o mesmo que teve a infeliz idéia do protetor solar infantil ROXO? Ou o ser iluminado que inventou o Polenguinho MORANGO?

Como de praxe, espumei de raiva. Evidentemente, Se eles lançarem essa tal água no Brasil, estou ciente de que serei motivo de chacota para todo o sempre, nesse blog. Os leitores e o clamor popular são implacáveis.

Mas é lógico que, nem por um segundo, me permiti ficar por baixo, agindo com subserviência diante dos yankees capitalistas obesos, eleitores do Bush e bastardos apoiadores da maldita guerra. Ou vocês acham que eu dei o gostinho de mazelar e tentar comprar outra coisa na hora? Nevah. Abri e dei um gole enorme, tsssss, guti-guti, na frente de todos. E saí, com a maior atitude. Pra mostrar pros outros que eu queria desde sempre a DROGA DA ÁGUA AZUL, que não tinha sido um acidente ou um fracasso de minha parte, a latinazinha ignorante do terceiro mundo, torcedora do Curíntia [só pra ficar mais dramático, haha]. Eu representei o meu país lá fora nesse momento, ok. Só faltava o Galvão Bueno narrando e me chamando de ‘habilidosa’.

Tá, mas pra vocês eu assumo: foi só eu virar a esquina e joguei aquela mazela na primeira lata de lixo. Ô vergonha. Não que fosse ruim, na verdade mal tinha um gosto, mas só em ser UMA ÁGUA AZUL já me deixou irritada. No meu íntimo, minha vontade era de me espancar a mim mesma myself, pela derrota de ter digitado o número ACIMA da DROGA DA ÁGUA AZUL, e não ABAIXO. Shit happens, né. Mané Maracujina, eu sou uma pessoa muito calma e equilibrada, tá, que sempre reage.
- Entrei num supermercado e comprei uma latinha de qualquer coisa, resignada.

E uma nada resignante caixa de cookies com gotas de chocolate. Do bão, do ligítimo.
Rá.

Ah, lembram do Tiozão Trintão da Cantada dos Dentes, em algum post anterior? Pois é, vou destrancá-lo nesse post, só porque dia desses mentalizei uma resposta genial, à moda da casa, que eu poderia ter dado naquela ocasião. Tá, com quinze dias de atraso, mas eu não me importo. Eu perco o timing, mas não perco a piada. Seria algo tipo:

- Oi, você já usou aparelho?
- Sim, já. Mas atualmente uso Corega Tabs.

[solo progressivo de guitarra]

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nada surf, from now on
rufus wainwright, going to a town
the black keys, 240 years before your time



Hoje eu vejo que…

11 05 2008

…além de rabugenta, eu também tenho cara de doida.
Since 1987.

Normalmente, no dia das mães e/ou dos pais, costumo me lembrar da infância. Acho que com todos acontece assim, né. Mas enfim, nunca as minhas lembranças são propriamente convencionais. Claro.

Sempre recordo as festinhas de escola ou as coisinhas para essas datas que produzíamos na aula de artes. Ohh, meus cinco anos e a coordenação motora que nunca tive. Ohh, a nostalgia. Eu só fazia coisa feia, gente. No colégio, tiveram a idéia de costurar uns saquinhos de pano pra gente colocar lá a marquinha da nossa mão melecada de tinha laranja, com os dizeres “Feliz Dia das Mães, 1988”. Não servia pra nada, a porra do saquinho. Nem sei o que a mamãe fez dele, deve ter guardado. Antes de curtir jogar meus papéis fora, a mamãe tinha hábito de guardar tudo, inclusive coisas que me soam mórbidas, como cachinho de cabelo e dentes-de-leite. Coleção de dentes-de-leite ROCKS. Acho atitude. Já ouvi relatos de mães que fizeram um colar com isso. Wow.

Ah, teve também a flor de celofane que vinha com uma lanterna, essa era bonita. Hmm, nada mal, era psicodélico, cellophane flowers, que nem na minha música. Outro ano – tá, esse presente era útil – foi a latinha de leite condensado coberta de metades de pregadores de roupa envernizados, que no final servia como porta-canetas. O efeito era clássico e super durável, but… só me expliquem DE ONDE o professor de artes tirava essas trips doidas. Ele só pode ter sonhado com isso.

Hoje em dia, manifesto um certo receio de ver o que anda rolando nas aulinhas de arte Brasil afora. Porque, no meu tempo, não lembro de ter a tal arte pós-moderna, que vê valor estético / ideológico em um chumaço de cabelo pregado numa parede e outras ‘obras’ desse tipo. Pois então, quais as influências artísticas que os pivetes estariam tendo hoje em dia? Não tenho idéia, mas faço uma aposta - os professores podem querer, no momento, despertar a consciência ecológica neles, a coisa do aquecimento global, estimulando os artesanatos das garrafas pet - que moram do lado direito do meu peito, you know – e outras reciclagens. Talvez alguma ‘ecobag’, que vem sendo o último grito, o novo balonê em matéria de tendência. Então, e se o meu filho chegasse em casa com uma pet ridícula, escrito “Feliz Dia das Mães, 2015”? Tão deprimente quanto a pet, é aquela praga do e.v.a, vocês conhecem? Eu odeio qualquer coisa de e.v.a. E biscuit. E sementes naturais. E e.v.a. de novo. Pois é, e se o meu pivete me der alguma coisa horrorosinha, que ele ficou dias e dias produzindo com empolgação, o que eu vou fazer? Como agir? O que falar? Rio? Choro? Finjo? Faço a Kátia e não enxergo?

Vou levar essa questão ao meu psiquiatra.
Ainda bem que o Elvis é suuuuuuper talentoso, além de lindo.

Eu sei, você sabe, a torcida do Curíntia SABEM [hohoho] que eu tenho um medo, uma tensão, um pavor descomunal de ser mãe, por essas e outras. Até gostaria, mas o medo de não ter a competência de saber abrir um pacote de figurinhas ou de não conseguir ajudá-lo a cobrir uma figura pontilhada é muito maior. Não sei qual é o maior medo, se é disso ou de o meu filho nascer feio. Sabem como é, essas coisas sempre são possíveis e shit happens. Não venham com hipocrisia, não basta ter saúde - também não pode ter verruga, nem aqueles sinais cheios de cabelo, nem testa grande, dedos curtos, essas coisas. Qualquer coisa, mando tacar laser em tudo. Laser resolve até prisão de ventre, né.

Os meus pais foram legais comigo, na infância. Não fiquei com nenhum trauma por não saber pintar, cantar, dançar, interpretar ou fazer poemas [hehehe, disso nunca fiz a menor questão]. Eles sempre me elogiavam e me davam presentes legais, tipo livros bacanas, caixas registradoras, War, tal. Ahh, sempre gostei. E eles acharam bonito – ou fingiram que acharam bonito – até quando eu pisei num palco vestida de ÁRVORE - com cipós enrolados na minha roupa COLANTE e maquiagem de GLITER -, dançando uma música odiosa da droga da Enya [Nota mental: mandar matar a Enya], no festival de jazz. [Nota mental: mandar matar aquelas 400 testemunhas] Mas, apesar de não ter nenhum tipo de talento e ter sido confundida até a oitava série com uma ALBINA [Nota mental: mandar matar aqueles coleguinhas infelizes], nunca fui loser ou tive a auto-estima baixa e isso é super importante pro nosso desenvolvimento, né.
Assim como os danoninhos, danoninhos foram decisivos.

Eu sabia escrever e falar bem, com os plurais – pra mim é importante e bonitinho, articular plurais bem direitinho, na infância. Eu tinha idéias sagazes. Eu criava histórias legais e imaginativas. Eu sabia os nomes dos bichos do zoológico. Eu era crítica. Eu e mamãe costurávamos roupas pra minha Barbie. Eu jogava vídeo-game e apostava corrida com o papai e ganhava de verdade [eu acredito nisso, ok, não destruam meus paradigmas, ele não facilitava nada pra mim, EU SEI]. Eu ouvia Beatles e Abba. Eu era cúmplice deles na hora de roubar jabuticaba das árvores do restaurante, ajudando a distrair os garçons. Pra mim, coisas inteligentes sempre foram mais importantes do que saber fazer sachê de sabonete Alma de Flores na aula de artes, em datas comemorativas. Essa é a moral da história, acho.

[taí, acho que vou ao programa da Oprah só pra falar esse texto sensível e ganhar uma geladeira de três mil dólares, os livros do Oprah’s Book Club e aplausos de uma platéia de mulheres com cara de doida, que nem a minha na foto desse post]

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tom waits, all the time
tom waits, the return of jackie and judy



Nove hipóteses

7 05 2008

mas afinal, o que acontece no apartamento acima do meu?

1. Os vizinhos descobriram vestígios de uma civilização antiga. E cavam dia e noite em uma busca incessante por elementos históricos, como vasos de argila, crânios de dinossauros, sarcófagos, objetos petrificados pelas lavas de algum vulcão.

2. Compraram um poodle - como sempre, o vendedor JUROU que era um toy, miudinho - e o bicho cresceu, cresceu e virou um urso gigante, que cava para esconder seus ossos… sobre meu quarto.

3. Com a perspectiva de valorização da cana-de-açúcar e da soja, os vizinhos resolveram transformar o apê em um latifúndio e estão cavando, cultivando a terra.

4. Ou eles simplesmente plantam palmeiras imperiais para valorizar o terreno.

5. Quem sabe, trata-se de um poço de petróleo.

6. O Jardel Gregório tá treinando os saltos triplos aqui.

7. Papai vai nos fazer uma surpresa e meu apartamento vai virar um loft.

8. O vizinho tá participando do Extreme Makeover: Home Edition, Lar Doce Lar ou de qualquer outro programa de reformas radicais de casas, que incluem a demolição das estruturas originais do imóvel.

9. Mataram alguém e tão cavando pra enterrar o corpo.

Eu só sei que o meu inferno diário começa às 7h da manhã, com barulhos de picaretas e enxadas, com uma pequena trégua na hora do almoço. Meu deus, pra quê um escândalo desse pra trocar um piso?

Reformas anuais são o meu carma.

Dia das mães

Engraçado que, toda semana, tenho escutado na rua frases engraçadas pela metade, com mães envolvidas.
A primeira foi saindo do trabalho. Passo em frente à entrada de uma faculdade, onde a mãe foi deixar a princesinha.

Mãe: …300 reais não, filha! Quantas vezes vou ter que te dizer que não?!
Filha: Mas mãe… mãe! Puxa, eu não vou gastar! É SÓ PRA TER.

Anotem isso.
“Mas chefe, então, eu preciso de um aumento de mil reais… assim, mas é SÓ PRA TER”.
Ou:
“Pai, eu quero cinco potes de Häagen-Dazs Midnight Cookies & Cream. SÓ PRA TER”.

Ok. Bem, e a outra frase foi ontem a noite. Mãe e filho pequenininho de mãos dadas, tipo voltando da escola. O pivetinho tão cute, com uma máscara do Homem-Aranha numa das mãos [eu acho isso um detalhe fofo e relevante, tá].

Mãe: …não, meu bem. A mamãe não pode ser sua namorada, tá certo?

Ôw.

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oasis, the girl in the dirty shirt



Tiozões do meu Brasil, sumi-vos.

4 05 2008

Por quê afinal as modelos e os pilotos de Fórmula 1 têm o mesmo sotaque?
Só perguntando.

Mas enfim, isso realmente não vem ao caso. O post de hoje é sobre…
…Tiozões Trintões.

Antes que eu seja crucificada e acusada levianamente pelos meus opositores, explico que não tenho nada contra os trintões. Nadinha. Até porque tenho muitos amigos e amigas trintões e sei que minha adolescência de 25 anos não vai durar pra sempre, claro. O corpinho will, a adolescência won’t. Mas então, o que eu realmente odeio são aqueles caras com jeito de tios, aquela vibe Paulo César Grande desgraçada, hmm, não sei se vocês captaram.

Em síntese, é tipo assim:
quanto mais o trintão quer pagar de jovem, mais trintão ele será, sacam?

O lance é você assumir sua idade e não se comportar como se tivesse dez anos a menos. Não tem nada a ver esconder quantos anos você tem, experiência, maturidade e evolução são valorizadas no mercado das almas, jedi.

Vamos à motivação do post. Fui a uma festa, da qual não irei revelar a identidade, certo, ela será mantida em absoluto sigilo, com uma tarja preta nos olhos e uma voz distorcida de Pato Donald. Mas é uma festa típica onde, diretamente das trevas de algum escritório, Tiozões Trintões saem e caem matando, cantando, pulando e apontando um dedo pro alto ao som de Bizarre Love Triangle, como se fosse uma música feliz – come on, vocês que se passam por Bizarre Love Triangle na balada já pararam pra ver a letra, antes de fazerem um UHUUUUUU frenético aos primeiros acordes? Eu me rasgaria muito mais pelo Toquinho do que por Bizarre Love Triangle.

Se manquem, beijos.

Sim, naquela noite, passei o tempo todo observando as pessoas. A maioria era uma gente meio ridícula. Tinha uma sósia da Narcisa Tamborindeguy se acabando na pista de dança, parecia um pombo, devia ser “recém-separada, refeita, que tá querendo mostrar como vem até remoçando e se pega cantando sem mais nem por quê”. Eu esperei a noite toda ela pedir “um mambo bem caliente” pra algum DJ. Tinham também uns caras que não me enganaram, eram egressos de algum Forró no Sítio, certeza - mas tavam dando uma de MUDERNOS, com uma Summer na mão, réé. Um deles tava com a REGATA DO CURÍNTIA, não pude esconder o meu semblante number eleven, o de de “medo, tensão e pavor”. Tinham uns três lindos, mas estavam bêbados e/ou acompanhados. Tinham as meninas que tiram fotos em plongé, tipo, miguxas, de cima pra baixo, pra mostrar no fotolog no dia seguinte e convencerem a si mesmas como tudo foi super divertido e incrível, huahuahua. Muitos tipinhos típicos, enfim.

Mas uma coisa que eu geralmente ODEIO em baladinhas é a mania idiota que ALGUNS homems têm de achar que, porque você está sozinha ou com uma amiga or dancin’ like no one’s watching, você está avulsa, desesperadamente à procura e pronta pra escutar quaisquer cantadas estúpidas [redundância] partindo de Tiozões Trintões que são tipo ex-atletas, ex-cabeludos, ex-legais e ex-magros, sabem como é? Usando tipo uma blusa do Atari coladinha, pra parecer cool. Grrrr. Tá, a razão da minha revolta com a espécie foi exatamente, TÁ-DÁ!, um trintão – err, não diga – com quem tive um contato forçado. Um abuso grande, somado às minhas observações do lugar. Imediatamente criei mentalmente o tipo Tiozão Trintão. E fiquei com raiva do primeiro que se aproximou. Seguiu-se o diálogo mais bizarro que tive no século XXI, só perdendo para aquele da temática “Beck” que tive com um amigo no msn. ["Que beck é esse"? / "Que isso menino, me respeite" / "Não, eu queria saber se é Beck Hansen ou Jeff Beck o que você tá escutando" / "Ahn... Hansen"].

- Oi! Você já usou aparelho?
- …como?!?!?!
- Queria saber se você já usou aparelho. Os seus dentes são LINDOS, você é muito bonita.
- o.O

Nada mais me lembro.
Mentalizei a chama da vela, ovelhas num pasto verde, uma etérea anêmona-do-mar, pra ter paciência e equilíbrio.

Consideração prática #1.

Acho uma situação muito decadente o ser humano criar frases esperando um feedback ou uma risada.
Parece coisa de comediante iniciante ou decadente.

Consideração prática #2.

É tão ridículo como o povo entra num canto desses, “na balada” e se transforma quando apaga a luz, sabe. Duvido que esse sujeito me parasse no shopping, no supermercado ou na fila do banco – ou seja, situações normais – pra elogiar MEUS DENTES face to face. Duvido muito, até porque eu sempre ando de fones de ouvido - só escuto o que efetivamente interessa. Inclusive, uma das minhas fugas planejadas pra situações em que pessoas puxam conversa é cantar “sha-la-la” e olhar pro outro lado, nem que o outro lado seja uma parede lisa.

Consideração prática #3.

Por algum segundo ele nutriu o sonho, a QUIMERA, de que eu iria dar algum mole pra alguém que elogiasse meus DENTES na noite carioca?!? Nunca, nunca, eu, Lucy in the Sky with Diamonds de Orleans e Bragança, na minha carreira, imaginei algo semelhante.

Consideração prática #4.

Se ele estava matematicamente ATRÁS de mim, como ele viu meus dentes?!?!?
Meu medo é que ele diga isso pra todas. Tipo, será que a cantada dos dentes é tendência e só agora eu fiquei sabendo? Mil coisas.

Se ainda fosse o Jim Sturgess suado…

O quêêê? Você não conhece o Jim Sturgess?

Jim é londrino, 26 aninhos, cabelinho compridinho, THAT ENGLISH ACCENT, carinha de tarado e ele é o Jude apaixonado pela Lucy no filme Across the Universe, cantando Beatles maravilhosamente. Na platéia, gritei “Eu também me chamo Lucy!”, tamanha a empolgação.

Tá, não gritei, foi um grito metafórico.
Ele é a nova meta, já que o outro Jude, o Law, vacilou e tá careca.

Se o Jim elogiasse a minha pupila, eu já tava aceitando.
/frenesi.

Continuando.
E não pensem vocês que o Tiozão Trintão dos Dentes desistiu. Nããããão. O diálogo teve prosseguimento. Ele falou outras diversas frases sem nexus, plexus nem nada, tipo “E aí, voce curte a Vulcani?”, até eu fazer AQUELA CARA, aquele meu semblante number eighteen, de “achando tudo muito idiota”, somado ao semblante number twelve, o de “tenho preguiça das pessoas”. E ele disse:

- Nossa, puxa. Vou fazer que nem no programa do Faustão: quando alguém fala alguma bobagem, ele tira o microfone da boca da pessoa.

E ele FEZ A MÍMICA DE QUE TAVA TIRANDO UM MICROFONE IMAGINÁRIO DA PRÓPRIA BOCA e saiu.
E saiu.
Fez a mímica e saiu.

[solo de sax]

teste

- Se você encontra o rosto do homem em menos de 3 segundos, você tem um cérebro mais desenvolvido que a média.
- Se encontra em menos de 1 minuto, tem um cérebro normal.
- Se demora mais de 1 minuto, então o lado direito do seu cérebro é mais lento e você pode estar necessitando de algumas proteínas.

Nunca coloquei testes aqui no blog, enfim. Mas queria dividir meu espanto.
Oh my god, achei o rosto em DOIS SEGUNDOS.
Eu deveria pedir um aumento de salário depois disso.

i have a dream

Um não, dois dreams. Não, vários dreams. Mas me refiro a essas tentadoras coisinhas de colocar livros, livros e mais livros.

E eu preciso MUITO disso, preciso PARA RESPIRAR, vocês não estão entendendo.
Olha esse pink com preto!!
/drama.

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the who, girl’s eyes
black sabbath, iron man
led zeppellin, good times bad times



O nababesco universo dos downloads

24 04 2008

Tô toda me tremendo aqui. Sete da manhã e a viciada em música aqui tá DOIDA, ALUCINADA, INCONSEQÜENTE [todas as músicas do Zezé Di Camargo têm essa palavra, né, 'inconseqüente'] pra baixar o cd do The Last Shadow Puppets, projeto paralelo do vocalista do Arctic Monkeys [escuto gritos de Indie! Indie! From UK!]. Tá, o The Last Shadow Puppets nem é a banda da minha vida, não são os messias do rock da última semana e tem um nome ridículo [que só não supera o Say Hi To Your Mom, de Seattle]. Mas enfim, eu cismei e agora eu quero ouvir pra ver coé, ahnnn, eu queeeeero *bico | bate o pezinho*.

Pois bem, olá, amiga dona-de-casa. No programa de hoje, vou ensinar a você como arruinar os poucos nervos restantes de uma pessoa através do simples pedido de digitação de letras. Esqueçam os ingênuos testes da miopia e observem a verdadeira gincana que eu tenho que fazer pra iniciar este abençoado download a partir do rapidshare, na imagem abaixo. Bons tempos eram aqueles em que tínhamos que teclar três letrinhas ou apenas confundíamos o zero com a letra “o”. Isso é tããããão arquétipo, tããããão last season, né. A modinha agora é ter um AVC de tanta agonia, adivinhando, dentre sete, quais as quatro estúpidas letras agregadas a gatinhos mal-desenhados, desfocados e idiotas, verdadeiros exús-trancam-downloads.

- Oi, eu nem preciso dizer que tô suando, já na minha SÉTIMA TENTATIVA.
Delícia, eu nem gosto de me sentir inteligente mesmo.

[...]

P.S . Sei que é maldade minha, mas assim… err, como direi… Vocês não acharam um completo VEXAME a história do padre que foi dar um rolé NA CHUVA, voando em mil balões, chegou lá em cima com o celular meio que descarregando e sem saber usar o GPS? Os brasileiros, hein, sempre deixam tudo pra última hora… [frase jornalística padrão, nosso pretinho básico]
Hum, pois é. Só comentando.

P.S . Se eu pudesse escolher um emprego, escolheria algo tipo esse, de fazer listas ácidas e engraçadinhas, tipo o top de ‘25 homens que parecem velhas lésbicas’ [em inglês].

E agora preciso ir, não posso perder a Ana Maria Braga hoje. O Luigi Baricelli vai apresentar o Caminhão do Faustão e… não, aliás, na verdade ele vai exemplificar como se faz um teste ergométrico corretamente. Então é assim, Luigi [te conheço?] Baricelli vai fazer correr na esteira com adesivos grudados pelo corpo, em um relevante teste ergométrico na Ana Maria Braga.

- Nossa, tem dias que a gente acorda, respira e sente que tudo, mas tudo vai mudar, né.

E eu tenho medo de ficar na geladeira da Globo, dez anos sem fazer uma novela das seis, apresentando sorteios, participando de brincadeiras no quintal do Projac pro Video Show e tendo que fazer bico correndo na esteira em um programa matutino.

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todd rundgren, hello it’s me
the last shadow puppets, my mistakes were made for you



Onde os fracos não têm vez

21 04 2008

notícias fascinantes do jet-set

Aí eu entro no cinema [cinemas são escuros, guardem essa informação, ela será relevante em breve], me instalo num lugar supostamente seguro e chegam quatro gralhas burras e falantes pra estragar o momento. O cinema tem uns 400 lugares, mas é sempre a MEU LADO que as gralhas burras e falantes costumam se empoleirar. Porque eu nasci com esse zum de besouro, esse imã. Elas já eram trintonas, mas não paravam de se auto-fotografar miguxamente, huahuahua. [silêncio]
Daí, eis que uma das gralhas tece o comentário mais idiota / imbecil / cretino / ridículo / dãã / néscio / jumento EVER.

- Gente, mas eles tão apagando tudo! Gente, que escuro. Acredito não, ó. Tô agoniada, gente.

Aiai.

O que eu fiz: com essa minha altura ridícula e a minha cara de besta, não fiz nada e fiquei alone in the dark, ruminando a raiva, adubando minha gastrite e pensando na injustiça que os chineses tão fazendo com os tibetanos.

O que eu queria ter feito: ser um cara bruto de 1,90m, de regata e muitos pêlos saindo dos lados das axilas, ter me virado e dito ‘agora você vai saber o que é a verdadeira agonia, neném. [rooooooar!!]‘

[Hohoho, chamar a galera de 'neném' é o último grito de horror, eu devo ter sido um pedreiro tarado na encarnação passada, pra ter esse repertório de apelidinhos.]

Mas vamos recapitular. Então você tem frescura / medo / fobia / preconceito / gases / whatever por causa do escuro e resolve reunir suas amigas pra ir ao CINEMA. Ah, tá, acho que agora entendi. Você quer um cinema ILUMINADO.
- Oi, aproveita que você tá sonhando e pede um pônei. Beijos.

Tomara que os céus não levem em consideração os meus pensamentos gore, subversivos e maus, quando soarem os saxofones do Kenny G no momento do apocalipse.

Aquela do Bob Dylan

Tem algumas coisas que eu gostaria muito de ter dito, feito ou escrito. Tipo, quem gosta de livros ou de música já deve ter esbarrado em textos ou composições tão bons, mas tão bons, que dão uma tristeza. Tipo ‘droga, não fui eu que fiz, tsc’, sei lá. Né? [bora, alguém concorde. não vou me expor para exemplificar DE NOVO, né.]
Bem, essa introdução só pra dizer que cada átomo ruivo do meu ser sorriu, soltou confetes e cantou Twist and Shout quando aquela meninazinha do violão, a Mallu Magalhães, foi no Jô Soares, e ele pediu pra ela cantar ‘Folsom Prison’ - ‘aquela do Bob Dylan’.
E ela: ‘Jô… essa é do Johnny Cash’.

Ter 15 anos e corrigir o Jô Soares não-tem-pre-ço.

From UK

Vão lá no link, eu espero TRINTA SEGUNDOS:

Ex-emos migram para a tribo adolescente ‘from UK’
Cansados do preconceito, jovens criam nova moda inspirada no Reino Unido.
Cabelão armado e popularidade na internet são preocupações desta turma.

Então.
Eu tenho medo se os adolescentes indies* do Ceará resolverem ser From UK também. Tadinhos.
Mais de 20 graus celsius nos separam e, convenhamos, o legal de ser From UK é MORAR EM UK, claro.

*pra quem não conhece, a turminha se reúne pitorescamente às sextas e sábados numa praça localizada na rotatória mais movimentada da cidade para chorar, fazer malabares, desfilar o shortinho xadrez, beber cachaça, apalpar each other, reinterpretar citações do Nietzsche e desabafar as muitas angústias e questionamentos existenciais que não couberam no fotolog, tipo ‘pintar o cabelo de roxo ou verde no fim do mês?’ Às 22h, o pai escolhe um carro e vem buscar a criatura. Não que eu seja uma pessoa violenta, mas tenho várias idéias boas pra esse pessoal deixar de frescura. Porra de From UK. Mas vamos deixar pra lá, né, e curtir o meu wallpaper perfeito - ele, Elvis.

Esse sim, um legítimo poodle From UK. Além de acento britânico no latidinho, ele é fleumático, cool e blasé. Além de ter olhos verdes.

P.S.: Ei. Acabei de ver na Veja desta semana - não percam o ensaio do Roberto Pompeu de Toledo sobre o governador Cid Gomes, intitulado “O genro do ano”, hehehe - uma notinha que me deixou muy apreensiva.

Decidi que não vou dar pro Elvis o celular pré-pago que ele havia me pedido. Magina, olhem o comentário “sem entender de onde ela [a voz] vem, ele vive momentos de estresse à sua procura pela casa”. Ôôô judiação, já pensaram no bichinho atormentado, esquizofrênico, ouvindo vozes, “quem sou eeeu, quem sou eeeeu”, “nada mais me lembro”, tudo girando e girando???

Son, contente-se com o playstation e deixe de ser mimado.

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black, pearl jam
many shades of black, raconteurs



Eu quero morar no 41.

15 04 2008

Quando eu disser ‘jáá’, faça cara de paisagem para ler

Preciso desabafar que foi lindo e SUAVE quando meu computador EXPLODIU. Porque tava mesmo faltando emoção na minha vidinha e os céus resolveram me mandar dois micro-estrondos durante a madrugada, com um cheirinho delicioso de queimado como um plus a mais. Meu quarto até agora cheira a queimado. Rezem para que não seja meu HD, que, por acaso, contém uma dissertação de mestrado em andamento.

E o meu querido Elvis escolheu O SOFÁ DA SALA PARA VOMITAR EM CIMA. É fantástico o impacto que as palavras ’sofá da sala’ e ‘vomitou’ possuem, em uma mesma frase. E cá estou eu, limpando, lerê.
Those were the days.
Deus, só não me leve a câmera digital, o dinheiro e o meu blush novo. Que eu não iria suportaaaar a doooooor.

Mas ainda bem que minha TV a cabo é legal e concentra tudo o que eu preciso para sobreviver com elegância e alegria. Dos seriados tensos da HBO às receitinhas bacanas do Jamie Oliver, além das loucas trips do History Channel [ei, alguém viu as ruínas subterrâneas da Capadócia no sábado? PIREI com aquilo, é suntuoso demais, fora a tecnologia que os cristãos usavam pra se proteger dos ataques dos romanos na época, planejando sistemas de comunicação, orifícios para lancar óleo quente nos inimigos, coisas legais assim].

Mas eu quero mesmo é morar no 41.

Porque lá no canal 41, o GNT, é outra realidade. É tão mais legal. Lá, eu me sinto como se morasse numa cidade que fizesse 15 graus ao meio-dia. Todas as pessoas lá ganham dinheiro para, actually, conversar e serem legais, tipo num bar. Conversar e serem legais, sofisticadas, descontraídas. Ser descontraído e usar um leve cachecol sobre uma regatinha Herchcovitch e um máxi-óculos Roberto Cavalli é a máxima aspiração de todo jornalista antenado e moderno do século XXI.

- jáá! cara de paisagem!

I.
Dia desses, no Happy Hour, com Lorena Calábria, a pautinha era manjadíssima: mulheres que têm de conciliar a vida de mães, profissionais, esposas e donas de casa e blábláblá. Tinha até a Carolina Dieckman pra opinar, com aquela sua constante cara de entojo, sabem como é, uma espécie de bico? Enfim. Aí, o carinha que fica na internet falando porcentagens e curiosidades wikipédicas - ô empregão, você mora no 41 e tudo o que precisa fazer é pesquisar no google coisas tipo ‘você sabia que 99% das mulheres lascam o esmalte na hora de lavar a louça?’ - interveio na conversa para ‘esquentar’ a discussão. ‘Mas vamos esquentar a discussão? Administrar a casa é tão difícil, né. E quando se tem duas casas? Complicado, né, meninas?’

AHAM.
E quando se tem duas casas? Ohhh, claro. DUAS CASAS.
E QUANDO SE TEM DUAS CASAS?
Juro que ele perguntou isso.
E a Carolina Dieckman, com aquela sua constante cara de entojo, responde que, ahh [masca chiclete, masca chiclete] é hiper-difícil viver na ponte aérea, entre Rio e São Paulo, tals, tals.
E QUANDO SE TEM DUAS CASAS? [casas.. casas.. casas.. = escutaram o eco?]
Meirmão, fiquei puta, ó. Em que país eles vivem? Hiper-difícil é viver DEBAIXO DA PONTE, ô criança.
Vamos fazer um movimento separatista do GNT, porque aquilo, definitivamente, não é Brasil. Pô. Come on. GNT, una-se à Suíça.

II.
Pior foi num programa sobre supermilionários. Tá, era no People&Arts, mas podia perfeitamente ser no GNT. Voce sai iludidozinho depois da experiência de ver aquelas vidas. Tinha um cara que vendeu a antiga casa de 7,5 milhões de dolares para comprar outra casa de 7,5 milhões de dólares em um balneário exclusivo de milionários de Nova Iorque. Amey uma das falas do locutor, que dizia - sempre com uma grande naturalidade: ‘A nova casa de John deveria ter um pé-direito alto, de cinco metros. Afinal, o casal passará pelo menos DUAS SEMANAS POR ANO nesta nova casa, no verão’. Hohoho.
O mais legal é que as entrevistas com os milionários sempre terminam com alguma mensagem sobre simplicidade, a importância da meditação, os pequenos prazeres da vida que o dinheiro não pode comprar, como um… pôr-do-sol.
Se eu tivesse 200 mil na conta, já estaria rindo à toa, apreciando qualquer lua réa no mundo, ó.

III.
Falando em casa, passou uma super casa aqui no Brasil, dia desses. A Residência Cavanellas foi projetada pelo Niemeyer e tem paisagismo de graminhas quadriculadas em diversos tons, do Burle Marx, entre montanhas verdes. Tsá? E laguinhos particulares e beija-flores que vêm sorver o néctar das tulipas plantadas lá. E mobiliário dos 50’s, tipo, com peças assinadas por Le Corbuisier. Se você não está chorando de emoção diante dessas informações, se isso não quer dizer nada pra você, bom, joga no google, ohh, fariseu. Porque é-mui-to-lu-xo. Aliás, uma casa com nome, tipo ‘Residência Cavanellas’ é… incrível. E o dono dando a entrevista com cara de paisagem de Burle Marx?
‘Quando vi essa casa, me apaixonei’.
Não diga, darling.
- Eu também. :)

IV.
Como se já não bastasse Renato Machado. Na Globo, ele edita o jornal mais legal de todos, sempre com matérias de óperas e culinárias chiques no final,com os jornalistas sendo descontraídos em poltronas soltas, tipo sala de estar. Delícia. No GNT, seu cotidiano é de degustação de vinhos bááááárbaros, que ele define com adjetivos complexos, tipo ‘generoso’. Morram. E aprendam, é coisa de pobre, coisa de emergente, dizer que vinho é encorpado, doce ou seco. Que reles, gente. Digam sempre algo que vocês acham bonito, palavras que teoricamente não estariam associadas a um vinho, mas que podem dar a ilusão de conhecimento profundo. E, por fim, tenham a certeza de que ninguem entenderá - mas todos reagirão como se entendessem e passarão a te respeitar por isso. Tipo uma coisa que eu já escutei, que era ‘hmmm… anguloso’.
Falando em degustação, desde o final de semana passado meu sonho é dizer ‘Vamos para o Caravaggio’e sair batendo meu saltinho esnobe. Foi a cena que eu vi, ao entrar num restaurante local, dita por um cara que não tinha reserva, não entrou e resolveu ir ao Caravaggio, eleito na Veja Fortaleza como o melhor restaurante da cidade.
Mas eu não tinha reserva e… entrei.
Rá.
Miacho.

V.
Um post sobre luxo é uma oportunidade singular de revelar aos três leitores remanescentes do Flows que eu passei uma semana num spaaaaaa. Spaaaaaaa. SPAAAA. Tão bom falar SPA, né, gente. Foi em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, o Hotel Villa Europa & Spa do Vinho Caudalie Vinothérapie. Ufa. E com todas as despesas pagas pela organização do evento que fui cobrir. ‘Despesas pagas’ significam motorista à disposição, café da manhã com iogurte de ovelha, mirtilos e pelo menos cinco tipos de queijos pra escolher, além de jantares, passeios e iates. Eu fiz cara de paisagem vinícola all the time, pagando de chique, de crachá. Até hoje não acredito que passei uma semana dormindo numa cama daquele tamanho, em frente às parreiras da Miolo. Uma cama que deve ser medida em hectares, assim como todas as propriedades dos ricos.

- Essa é a minha Bento Goncalves*.

VI.
*Ah, digam que vocês também assistem ao programa do Álvaro Garnero, na Record. É o 50 por 1, onde ele fala das viagens looosho que ele já fez na vida. O mais legal é que ele narra tipo ‘Esse hotel tem apenas sete bangalôs, muito exclusivos, para seus hóspedes. Só o teto do hall de entrada, em cristal de murano, custou 10 milhões de dólares. Mas essa ainda não é a minha Dubai’. Aí, depois ele vai em algum mercado de especiarias chiques e únicas, tal. Pega umas ervas na palma da mão, se diz fascinado com os aromas da região e diz: ‘Essa… é a minha Dubai’. Eu me passo demais, demais.

VII.
Falando em Record. O que é o RODRIGO FARO apresentando dois programas? Quem inventou que o Rodrigo Faro tem carisma? Desde quando o Rodrigo FUCKIN’ Faro é alguém???

VIII.
Enquanto isso…

Oportunismo ou humorzinho negro?
Cartas para a redação.
Para a redação do ego.globo.com, por terem esquecido o ‘onde’ da frase, em plena manchete.

Desfaz-se nesse momento nossa cadeia de blog e televisão.
E pode desmanchar a cara de paisagem, beijos.

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slayer, hell awaits