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quando alguém no mundo diz “coca-cola”, eu ganho um dólar.
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Pois é

15/09/2009

Eu poderia fazer como o Kiss e ameaçar acabar o blog, gerar uma comoção mundial e a queda das ações em Dow Jones, vender todos os produtos licenciados com minha marca, dar entrevistas reveladoras, ganhar RÚPIAS, muitas RÚPIAS, sumir no Uruguai e depois dizer: “Ah, gente, que chato isso de acabar, então diga ao povo que fico e minha próxima turnê será em um mês”.

Mas não. Ao invés de acabar o blog – como cogitei, juro pra vocês que sim -, preferi pensar em mudar um tantinho as coisas por aqui. Decidi isso hoje, tipo agora, NOW. Portanto, nada é definitivo e pode ser que amanhã eu diga que tudo vai permanecer como está – ou como ‘estar’, de acordo com o novo português EM VOGA no twitter.

Falando em twitter, enquanto as coisas não acontecem aqui, mando notícias do mundo de lá, usando meu heterônimo @flows.

Antes que apareçam eventuais especulações, eu não estou grávida, não aprendi a cozinhar, não aprendi a costurar, não formei uma banda, não tenho um novo poodle, não fiz uma nova tatuagem, não pintei o cabelo, não farei propaganda de faqueiro ou da câmera TekPix, não vou sair do blogueisso [a menos que a galera faça pressão, hahaha], não vou concorrer ao BBB10, não virei o oitavo CQC, o Liam não quebrou minha guitarra, não vou fazer hora extra como jornalista aqui nem serei a nova Helena do Manoel Carlos.

Tudo permanece, mas vai mudar um pouco. Sacaram? Hope so.
Enquanto isso, queria deixar aqui um aprecimenso ao pessoal que insiste em comentar aqui. CARA, LEIO TUDO, MÃE DO CAZUZA, TÔ CONTIGO.

Então até daqui a pouco.
Lucy

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Mc Dia Feliz

03/07/2009

Ainda tento descobrir porque o cearense caminha somente na diagonal. Deve ter algo escondido naquela direção, um pote de ouro, whatever.

Falando em whatever,

- Ôti, que graça.

Mas o assunto do post de hoje não tem “nada haver” [adoro aprender palavras novas no twitter] com shakira, cavalos ou crianças nipônicas [também conhecidas como Toshios].

Falaremos hoje da Mc Alegria que senti ao tentar comprar um Mc Sorvetinho no Mc Donald’s essa semana.

Então a máquina dos sorvetes tava quebrada e eu tenho que ir pra fila normal. De início, há uma fila imeeeensa ao lado de uma fila com apenas uma família. O que a pessoa esperta faz? Vai pra menor, LÓGICO. Minutos depois é que finalmente entendi porque estavam fugindo da pequena família. A pessoa esperta, definitivamente, não fui eu. /darwin

Chamarei a mãe de PRESENTINHO.

PRESENTINHO – Moça, a senhora tem pratos grelhados?

A atendente aperta os olhos pintados com – adivinhem – sombra azul e não entende nada. Enquanto isso, os filhos se manifestavam.

PÔNEIS – Mãe, quero peixe. Mãe, quero frango.

Eu tava quase tomando as dores da vendedora-coitada (a quem chamarei de Vítima). Abrem-se diversas chaves de leitura e perguntas para esse case, a começar por “Quem destrancou essa família?”. Não adianta dizer que nem todo mundo conhece Mc Donald’s, que é mentira, aquela família era classe média o bastante e eu não tava pedindo pra eles conhecerem o preparo do Caramel Macchiato do Starbucks, então não dou desconto nesse caso, “faz favor, faz favor”. /tonyramos

VÍTIMA – Senhora, só temos sanduíches e há uma salada, a Mc Maçã, a Mc Água de Coco, o MC OVO etc etc. [diz, enquanto aponta o cardápio logo atrás e faz uma tentativa vã de mencionar os produtos 'naturais' do lugar]

PRESENTINHO – Pode vir no pão integral?

E alcachofra, vai querer, minha linda? Chagas abertas. A atendente tem que explicar tudo. O que é picles, a pólvora, a roda, o playstation, o golpe em Honduras, já que a Presentinho nunca antes nesse país havia travado contato com o Quarteirão com Queijo, a noção e produtos similares. Minha estagiária inclusive compartilhou um precioso testemunho, de alguém que pediu MISTO-QUENTE no Mc Donald’s, tempos atrás.

Tá, então a Presentinho decide que quer um Mc Croissant – que é vendido só até as 11h, no Mc café da manhã. A atendente aponta o cartaz, que diz ATÉ ONZE DA MANHÃ MINHA SENHORA E AGORA SÃO TRÊS DA TARDE MÃE DO CAZUZA TÔ CONTIGO – e a mulher: “Ah, nao tem problema, quero assim mesmo”.

Como assim, NÃO TEM PROBLEMA?
Pirei nisso, vou usar sempre.

“Oi, vendedora, quero uma empada”. “Acabou”. “Ah, nao tem problema, quero assim mesmo”.

“Oi, frentista, quero gasolina aditivada”. “Acabou”. “Ah, nao tem problema, quero assim mesmo”.

“Oi, manicure, quero Renda e Paris no pé”. “Acabou”. “Ah, nao tem problema, quero assim mesmo”.

Queria que vocês lembrassem que, durante todo o tempo, eu estava atrás da família, sem conseguir fazer meu pedido e sem coragem de ficar na fila gigantesca ao lado, que só aumentava e aumentava. Além disso, claro, eu sou uma pessoa DE FIBRA, y’know. E sei que essas coisas que acontecem comigo estão desenhadas nas estrelas, no mapa astral, no Personare, na borra de café, na fatia de pão em que apareceu jesus. Não há como escapar.

Onde parei? Ah, eu, Mc furiosa, ali, PASTANDO uma Mc grama mentalmente.
E a criaturinha DE MEL finalmente se decide pelo Big Mac, ok.

VÍTIMA – A senhora vai querer a promoção?

Pergunta OUSADA, eu diria. Sejamos razoáveis. Há no mundo três tipos de pessoas. A primeira é capaz de apontar em uma lista de opções a sua preferida, de forma autônoma e com certo grau de decisão. A segunda é vulnerável, vai na onda das vendedoras de loja, que JURAM que o shortinho de cotton branco ficou lindo nela. A terceira tem índole subversiva, que jamais poderia ser submetida a escolhas na estradinha da vida. Definitivamente, Presentinho era uma dessas, não se contentava com POUCO e não sabia lidar com várias possibilidades. Entendam o porquê.

PRESENTINHO – Como é a promoção?
VÍTIMA – Vem o sanduíche, a batata e o refrigerante. E, com mais um real, tudo grande.
PRESENTINHO – Ah, sim. Mas… E se eu quiser trocar a fanta laranja por uma sopa de lentilhas com torradas, pode?

mcExagerei, mas era desse nível. A mulher estava prestes a sapatear e dançar passo-doble sobre a ordem estabelecida e tão duramente conquistada. Queria trocar batata por sorvete, trocar a carne do Big Mac por frango em uma releitura, lutou pela maionese enquanto eles só trabalham com mostarda, mil intervenções culturais, queria Bis Avelã (sim, eles chegaram, o fim está próximo) no lugar de nuggets. NÃO DÁ. Agora multipliquem a vontade dela de trocar tudo nos pedidos por TRÊS, já que a Presentinho estava com seus dois Pôneis – que queriam McChicken, desde que viesse com o brinquedo do Mc Lanche Feliz e com pão sem gergelim. Hell, a felicidade estava completa.

Mas meu pai sempre me disse:  Marvin, tente não perder a paciência, você é capaz. E foi o que fiz. Bom, e a história originou um post, ri da situação, não tive gastrite por causa da raiva e todos estamos hoje felizes rolando na grama com nossos labradores-creme. Essa é a lição. (FREEMAN, Morgan)

E lembrei que a mesma lógica de forçar a barra pra trocar os elementos de um pedido se aplica a um episódio que presenciei, anos atrás, em um ônibus. A pessoa, com a força da mente, desejava mudar o itinerário do coletivo.

- Esse ônibus passa no shopping tal?
- Não senhora.
- Mas não passa bem ALI, na rua tal [que é à esquerda do shopping]?
- Não senhora.
- Mas… Hmmm… não passa NAQUELA praça [que é à direita do shopping]?

Aí o motorista arranca e vai embora, resmungando. “Pega um taxi, VÉIA”, entre outras palavras afáveis.

É isso aí, um vendedor de flores. É por essas pequenas coisas que eu acho que o planeta é simplesmente um coletivo de pessoas FOFAS.

E o polígrafo disse que eu… menti.

beatles, why don’t we do it in the road?

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Noites traiçoeiras

24/05/2009

Fui o tipo da criança que deixou de comer bife e peixe por anos, porque eles eram seres vivos e tinham olhos. Por isso, mamãe não me contou a verdade sobre o peito de frango, para garantir alguma fonte de vitaminas e aminoácidos na minha alimentação. Desde então eu sou muito ecochata, pronto, cabou minha biografia.

Porque não bastava eu trabalhar a semana inteira até dez da noite fechando revista. E não bastava papai ter recebido um trote de algum presídio [aquela coisa bem lógica do 'um familiar sofreu acidente, mas compre três cartões Claro e nos passe a numeração, tudo ficará bem, acredite'] e ter me telefonado em seguida, descontando a raiva em mim.

Eu precisava de mais emoção.
E quis o destino que um bêbado tentasse invadir meu prédio na mesma noite.

YEAH.

1

Na verdade, o sujeito era um CACHO de uma menina que mora no comdomínio, com a mãe. Três e meia da madrugada era o horário perfeito para ele dar uma passada lá, tomar um café, oisogratudobomvimtever. Lógico que o porteiro não permitiu que o cara entrasse, naquele estado alterado de consciência e àquela hora da madrugada. A mãe da menina atendeu o interfone aos bocejos e disse que nem conhecia a figura, o que foi lindo e bem espírito-de-porco, convenhamos. Tipo “nunca vi esse sujeito, tirem-no daqui”. Delícia.

Fez-se o cenário de horror. O bêbado ficou furioso do lado de fora, chutava o portão, fazia um barulho horrível. Smells like baixaria spirit.

[tirem as crianças da sala para que eu possa dizer o estribilho da canção]

- Ah, porteiro, você não vai abrir não? Seu filho de uma RAPARIGA RUIM! Corno, viado! Venha aqui, venha apanhar de um MACHO!

Os apartamentos iam acendendo as luzes, as típicas cabecinhas nas janelas surgiram and so on.

E que entrem os *valentões de short*. Todo prédio tem pelo menos dois, pra dar cobertura e proporcionar mais intensidade em momentos como esses. Daqui, desceram uns seis. Logo alguém arruma um pedaço de pau [tava guardado na mesa de cabeceira? ou na cristaleira, quem sabe], num instante supremo de civilização. Minha irmã informa que um deles lutava muay thai, jiu jitsu, boxe tailandês, sumô, war, palitinho, banco imobiliário e toda sorte de esportes que você conhece. “Ele deve beber leite e ser temido em todo o faroeste”, pensei, quando vi o sujeito.

O estribilho da canção o tempo todo no ar, repetindo na rave, mentalizem, mentalizem.

Um dos valentões de short encara as críticas do bêbado como pessoais e retruca:

- Seu merda!

E chuta o portão, pedindo pro porteiro abrir e deixá-lo RESOLVER a situação como HOMEM. Aposto que ele tem uma torre de caixas de som e um filete de neon no carro tunado. Típico. Cada um enfim, dando sua contribuição para a resolução harmônica e pacífica do conflito. Não sei porque ainda existem guerras no mundo, se há tanta diplomacia em nosso redor. E, nessa hora, desce a esposa do muay thai, para segurar o homem. Outra fofa também chega, de CAMISOLA PRETA, portando um poodle toy e UMA CÂMERA DIGITAL. Acho a presença da imprensa fundamental, para registrar. Não sei como não fizeram um streaming da situação, no JustinTV. Devia ter o twitter também, do @bêbadobosta. Eu, FUMAÇANDO de ódio. Meus pais nem tomaram conhecimento. Minha irmã veio fofocar no meu quarto, ainda bem.

O bêbado cada vez mais furioso, e resolvo ligar para a polícia. Eu não tô com a vida ganha, tinha que trabalhar dali a algumas horas e tenho uma pele a zelar. Julgava que o momento precisava de uns cops.

2

Não, não são copos. Eu disse COPS, tiras da pesada, tal.

O atendimento do 190 é lindo e atencioso….. NA ISLÂNDIA. Dei boa noite, descrevi a cena, disse meu nome, o endereço, o número, o bairro, um ponto de referência, pedi por favor para mandarem alguém. Basta? NOT. “Qual a via de acesso”? [tac tac tac, digita-digita] Porra, eu moro numa avenida. Que raios de “via de acesso” ela sugere, além da avenida em si? O endereço é pra eles chegarem de carro, não de esquadrilha da fumaça, pô. Saco. Daí, a vaquinha pergunta: “Ahnn, tá. Mas qual é o endereço mesmo?” [tac tac tac, digita-digita] AH, SÉRIO. Ela trabalha mesmo na polícia ou aquilo é o Habbib’s? “Se um policial não chegar em 28 minutos, a senhora não paga a pizza”.

A fofa disse que a viatura da Ronda [sempre lembro da música da Rosana, do 'animal que ronda'] já estava se deslocando.

[tic-tac-tic-tac | 15 minutos]

A confusão prossegue na portaria do prédio, as ameaças ao porteiro-sangue-de-barata, os valentões de short, “vem pra cima, seu corno manso!”, o poodle latia, a moça de camisola falava “calma, rapazes” e nem sinal dos cops. Quatro da manhã e meu dia de trabalho prometia ser ma-ra-vi-lho-so. Ligo novamente para a simpática moça do 190. Era o carisma em pessoa: “A senhora tenha calma, AFF, que a viatura já está chegando! AFF! Já recebemos QUINHENTOS telefonemas, viu, tá chagando”. E ela pede pra eu REPETIR o endereço. [tac tac tac, digita-digita] Era uma calma, parecia que eu tava ligando pra um jardineiro vir podar a grama do meu campo de golfe.

Finalmente, fico impaciente – o que é um milagre. “Senhora, por favor, a situação está grave, o rapaz quer invadir o prédio, vai que ele está armado? Daqui a pouco, nem vamos precisar dos policiais, a gente liga pro IML direto, pronto, olha que bom”, essas coisas. “AFF, a senhora sabia que a viatura precisa de tempo pra se deslocar? AFF”. Lembro que a Ronda era DO QUARTEIRÃO. Ela dá um “bom dia” despeitadíssimo e DESLIGA NA MINHA CARA.

Deixa eu ver se entendi. Gente, me ajuda. Eu queria saber em que espécie de ringue aquela vaca foi treinada. Ela tava ali do lado, lustrando uns coturnos, e acabou atendendo o telefone. Prefiro acreditar nisso, a saber que essa moça passou por um treinamento. Eu só queria um policial, tava todo mundo em perigo, tinha um louco aqui fora… e a atendente brigou comigo e me tratou com abuso, além de desligar na minha cara. Vaca.

Eu nunca tinha precisado ligar pra polícia, sabe, e minha decepção não teve tamanho. Eu esperava que a experiência seria algo como o Emergência 911, aquele programa legal americano. Policiais afáveis que atendem em uma sala onde só tocam telefones. Tiras tão bacanas que ajudam um pivetinho de quatro anos a resolver a lição de matemática [Foi lindo, vejam]. Tiras dinâmicos e racionais, tipo “senhora, estamos na West End com 74th, sentido oeste, estamos a caminho, existe alguém perto que possa fazer uma massagem cardíaca?, destranque sua porta”.

Queria ver se essa atendente vaca daqui fosse ajudar a moça que foi vítima de uma picada de viúva negra, escondida em sua pantufa, em um episódio que até hoje influencia meus hábitos. A coitadinha teria experimentado uma morte lenta e dolorosa, com sudorese e CHOQUES, sacam.

3
Não, não é a dos Vingadores, falo da viúva negra, a aranha. Nunca mais calcei meus all stars ou sapatilhas sem olhar antes o sapato todinho por dentro, pra ver se não tem uma viúva negra, uma tarântula ou uma barata, uma iguana, sabe-se lá, qualquer um desses animais asquerosos que Deus colocou na terra só pra brincar com nossos sentimentos.

4
E, contra viúvas negras, use PEEP TOES. São lindos.

Minutos depois, chega a polícia. Não vi bem o que aconteceu, mas tudo parecia resolvido. Os cops levaram o rapaz bêbado, e os valentões de short, a moça de camisola, o poodle e todos voltaram a dormir.

Todos, MENOS EU, lógico.

No quarto, tenho que me contentar com a lástima da TV aberta. Os sujeitos que montaram a programação fizeram algum pacto com a ["versão brasileira"] Álamo – o Herbert Richers perdeu a licitação? – e o David Lynch. Só isso pra explicar a sucessão de cenas insólitas, enquanto zapeio os canais. Fiquei pensando que tudo aquilo deve ter algum sentido oculto, uma mensagem, um spoiler do Lost, anything.

Em um filme do Corujão, duas moças, que aparentavam ser assassinas lésbicas, tavam numa roda gigante ameaçando um rapaz de rosto desfigurado. [corta] Chego em um debate sobre a regulamentação das terras ocupadas na Amazônia. [corta] Passo por um programa local onde bailarinas dançam forró com PASSINHOS DE FUNK, enquanto um sanfoneiro de BOTAS BRANCAS toca uma canção frenética. [corta] Brincos de rubis leiloados. As unhas da mulher que mostrava as joias eram perfeitas, aí lembrei que no dia seguinte eu tinha marcado hora na manicure, depois de duas semanas sem tempo livre. Eu poderia alimentar as crianças da África com minhas cutículas. [corta] A propaganda da Polishop mostrava uma escada que pode ser montada de sete maneiras. Praticamente um kama sutra. [corta] Listras coloridas em um canal sem programação. [corta] Em outra emissora local, a VJ tentava pronunciar o nome da menina que queria votar no clip da Rihanna. A garota não queria dar seu nome verdadeiro, então se identificou com um nome improvável que ela usa na internet, que devia ser Lady Sakura qualquer coisa. [corta]

Depois de ganhar 564 pontos de Q.I. com essa programação, quis o destino que eu dormisse.
E ainda quis o destino, esse garoto-maroto-travesso, que eu acordasse UMA HORA DEPOIS com novos gritos e chutes no portão do rapaz bêbado, às seis da manhã, querendo novamente entrar. Ah, tenham dó. Acho que os policiais fizeram aquele servicinho excelente de sempre, de levar o cara na cadeia, dar umas surras, atualizar a ficha criminal, deixar o sujeito bem revoltado e dar uma carona pra ele se vingar de quem chamou os guardas, fechando o ciclo. A tag #freemarginais reina.

Os vizinhos ouviram a situação, voltaram a acordar e conversavam – de um bloco a outro, gritando pelas janelas -, ultrapassando todas as barreiras remanescentes da noção. Eu já tava esperando que alguém montasse uma mesa de café da manhã com uvas e queijos, lá embaixo, para todos ficarem mais à vontade na repercussão do fato, que nem sei como terminou, porque fiquei com tanta raiva que fechei as janelas para dormir mais 20 minutos.

Vou formar a ONG Educa, Brasil e fazer uma apostila de boas maneiras, com as regras dos talheres, dicas de como falar baixo e 450 horas/aula sobre noção.

E hoje foi um emocionante post, sei lá, de cunho social.

I’m back.

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David Lynch morning feelings

30/03/2009

“José Mayer is now following your updates on Twitter”. Me sinto mais mulher.

Ele é do meu trabalho e pouco falava comigo.
Um dia, sentiu-se à vontade, por algum motivo que desconheço, e puxou conversa.
Tirem suas conclusões.

Ele – Oi. Estava falando com os meninos… Você deve tomar vitamina D em cápsulas, né.
Eu – HEIN?!?
Ele - Olha só pra sua cor. Você nem toma sol. Como faz com a vitamina D?
Eu – Err, enfim, minha alimentação é tão saudável. Vegetais, peixes, flocos de várias coisas. Talvez eu consuma algo que tenha essa vitamina.
Ele – Você não gosta mesmo de sol?
Eu – Não, nem sinto falta. Fico anos sem ir à praia, sem problemas.
Ele – Eu amo sol. Tenho três cânceres de pele por causa disso.
Eu – MESMO?!?
Ele –
Sim. Eu curo um e surge outro. Mas não sei viver sem sol.

Nesse momento, ele ABRE A CAMISA e mostra o pescoço.

Ele – Está vendo essa mancha?
Eu – Err… qual, essa clarinha?
Ele – Sim, é meu câncer.
Eu – Puxa… mas você faz tratamento?

Nesse momento, ele puxa uma cadeira, senta ao meu lado, apóia a perna na minha cadeira e levanta a barra da calça.

Ele –
Você está vendo essas manchas?
Eu – É, tô…
Ele – Pois é, esses dois estão curados.
Eu – Nossa, é um milagre. O tratamento é difícil?
Ele – Não, nem operei. A médica quis, eu resisti.
Eu – Oh, sério? E como eles melhoraram?
Ele – Não contei isso nem pra minha médica, mas tomo dois copos de água assim que acordo. Bebo muito líquido, é meu segredo. Agora você já sabe.
Eu – Ohhh…
Ele – Você deveria fazer o mesmo. E resolver essa sua falta de vitamina D.

E ele sai assim como chegou, de repente.
Então. Chamo os paramédicos, faço um roteiro pro David Lynch, procuro uma escotilha nessa ilha do Lost ou fico calada?

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beatles, glass onion

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Como você.

Trabalho em escala Kelvin, sofro em Celsius. Pergunte-me como.

Alfinetar é uma arte tênue, fina, delicada, sutil, fria, perspicaz, perversa, sórdida ou qualquer outra palavra que certamente você aprendeu em alguma trama urbana de Gilberto Braga às nove da noite. Eu, que sou conhecida como uma pessoa que sempre está premeditando ações malignas, tenho tido uma ideia fixa interessante para desestabilizar meus oponentes e conquistar cada vez mais jardas, neste grande superbowl que é a vida.

Trata-se da mortal tática vietnamita #974b, chamada pelos habitantes de Hanói de “método Gyodai da implantação da dúvida”. “Gyodai” porque é vintage e eu gosto de coisas vintage e também porque foi a palavra mais excêntrica que pude me lembrar neste horário. Enfim, apenas eu e Rambo IV conhecemos a tática, man. Consiste em você inocular uma dúvida indissolúvel no sangue de qualquer infeliz que cruzar seu caminho, a partir de uma frase simples e de grande efeito psicológico. É catastrófico, o id, o ego e o superego da criatura vão lutar no gel. Acompanhe esta câmera escondida com Ivo Holanda:

Eu: É, meu querido. Realmente fico chocada com pessoas assim, como você.
Vítima: Como assim? Como eu sou?
Eu: Assim, desse jeito.

E pronto, cai o pano. Saia da sala, não diga mais nada, basta isso para a pessoa perder o sono nas próximas 85 noites, tentando descobrir algo sobre si, em vão. “‘Desse jeito’. Mas que jeito, Cristo?!?!?!”
Infalível.
Ele(a) vai lhe implorar clemência, garoto.

Então você mentalizará apenas uma frase de nosso bat-barraqueiro, Christian Bale: “fuck-sake man, you’re amateur”.

Se isso não for classe, eu sou um cajá.

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manic street preachers, send away the tigers

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Caos mental: um pedaço de Saigon

Quando alguém no mundo fala “coca-cola”, eu ganho um dólar.

Hoje, uma Lucy como você nunca viu. Entregue aos seus leitores do Flows, refastelada em uma chaise-longue delicada, consumindo Veuve Clicquot no gargalo enquanto assiste a Twin Peaks.


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Rá. Mentira. Vocês bem que sonharam, hein, Alices?

O lance é que me revoltei. Meu, a gente faz um post pequeno, sabe, faz um esforço de síntese, algo de proporções econômicas em um contexto de crise mundial – e aí, recebe DOIS comentários. Ok, comentários muito bacanas, como sempre, de leitores bacanas. BUT, apenas DOIS comentários no último post! Obrigada, Bruno e Nivaldo, meus queridos E FIÉIS leitores, cujos rÓstos estão guardados em meu camafeu. Hunf. [/chantagem emocional barata] E então, quando eu resolvo escrever textos caudalosos como a Carta Magna, é uma alcatéia, um molho, um bando, uma horda de comentários. Não sei que mágica é essa. [Falando em mágica, mágica foi minha risada quando li a notícia de que os cambistas tavam trocando ingressos da Alanis no show de Teresina por CHICLETES].

Bem, o fato é que, além de ser a devoradora de Mentos Fruit mais rápida do oeste, sou uma pessoa um pouco hipocondríaca. Não, hipocondríaca. Tá, não preciso mentir pra vocês – sou um caso avançado de hiponcondria. “Chondros” significa “cartilagem do diafragma” e isso não quis dizer nada para mim, mas vocês entenderam. Nem sei se o que eu tenho é hiponcondria ou sofro da mesma doença do Monk. Cartas para a redação.

Sou o tipo da pessoa que usa no dia-a-dia um álcool em gel cor-de-rosa para as mãos, que evapora imediatamente e as deixa secas como o deserto, mas com uma inigualável sensação extrema de limpeza e ausência de qualquer microorganismo. Se EU não aguento aquele cheiro forte, que dirá um protozoário, uma planária estrábica insignificante. Quando sinto a evaporação e o frescor, fico mais leve. [= pode ser aplicada a algum comercial de absorvente, essa sentença]. Minha mente é programada para matar e para pensar sempre o pior. Tipo, tosses, dores de cabeça, pontadas no corpo são SINAIS. Eu quero saber se alguém aqui também sente as pontadas. Às vezes nas costas ou nas pernas. Sabe, um PIN!, uma mini-agulhada? Hum. Fico pensando que, claro, pode ser um reposicionamento dos meus órgãos internos, um mal-jeito por ter dormido errado, mas pode ser ALGO. Sabem, né? ALGO. Então.

[Sei que vocês estão me achando louca. Essa semana, no twitter, cismei que "o pedaço de Saigon" da música do Emilio Santiago (um pontinho amarelo no palco, ao lado de Elba Ramilho) era um PEIXE. Tá, Saigon é uma populosa cidade do Nam (adoro os veteranos de guerra americanos chamando o Vietnã assim. tipo, nunca vi Tommy Lee Jones falando v-i-e-t-n-ã, mas sempre NAM). Mas Saigon não parece um peixe também? Um filé de Saigon? Eu acho, tá. Me deixem com minha crença.]

Lembrei do assunto da hiponcondria porque conversava com Mary, minha nova colega de trabalho, e contei a história da psoríase. Pensei que eu gostaria de compartilhar com vocês, porque foi engraçada. Lógico, engraçada DEPOIS que passa – assim como a história de algum tombo em que você quebrou o braço em três partes e em seguida sua mãe ainda lhe deu uma palmada, pela desobediência de ter se machucado. [Nunca entendi essa lógica. E não, mamãe não é assim.]

Tá, a história.

[violinos] Como sempre, era verão em Fortaleza. 2005. Eu estava com dois empregos, dois cursos de idiomas, fazendo projeto pra entrar no mestrado e absolutamente estafada, com dois semi-círculos roxos permanentes abaixo dos olhos. Minha pele começou a somatizar o estresse e apareceram ecas em mim, não, não exatamente ecas úmidas como todas as ecas, mas eram lugares no pescoço que coçavam pacas e ficavam vermelhos. Era um nojo. Mas era uma irritação proveniente de estresse, que surgia atrás do pescoço sempre que eu me aborrecia e estava cansada, aumentando na proporção do calor [/violinos].

*a quantidade de fotos de pílulas lindas em alta resolução no Google Images é um fenômeno a ser avaliado.

Pois bem.
Procurei um médico, procurei dois médicos. Procurei uma terceira opinião. Todos me disseram a mesma coisa, que era estresse, que minha pele é saudável e normal, sardenta, ok, mas normal, e que eu estava cansada e somatizando. Eu dizia “doutor, ok, pode me dizer a verdade, estou preparada, não sou nenhuma criança, diga, diga a verdade”. Porque, na minha cabeça oca, era óbvio que eu tinha uma coisa grave. E o pobre do médico – sobrancelhas brancas muito juntas, um semblante bondoso, um olhar penalizado – quase me encaminhando para outro especialista [que, por sua vez, iria me encaminhar, amordaçada, para o quartinho branco de paredes acolchoadas mais próximo]. Tipo “querida, conheço um psiquiatra que fará milagres com você com seu método de choques elétricos”. Eu sentia alguma satisfação em usar os remédios e as pomadas, mas via que só aquilo não tava resolvendo.

Gente, eu só queria a verdade.

Pausa: quando vocês querem saber a verdade, THE TRUTH, o que fazem?

a. perguntam para a mamãe ou algum adulto responsável.
b. perguntam para algum padre ou rezam esperando alguma iluminação.
c. perguntam para a orientadora do mestrado.
d. jogam runas, tarô, i-ching.
e. assistem de novo ao Star Wars.
f. morrem com a dúvida.
g. jogam no google.

fiquei com o item ‘g’ e fiz como todos os meus contemporâneos. Joguei no google os meus sintomas. Não sei como não vim parar no meu blog, já que aqui é o receptor de diversas dúvidas peculiares que inquietam os seres humanos. Estilo “como montar um cachorro gigante de papelão para meu sobrinho”, entre outras. Mas então, joguei meus sintomas. Em português e inglês. Vera Fischer, que está parecendo uma pessoa num negativo de foto, com aquele bronze insano, deveria ter feito o mesmo. [ver também: "galeto", "câncer de pele", "envelhecimento avançado graças à excessiva exposição ao sol"]

Lógico que a minha busca abriu janelas para uma miríade de possibilidades terminais, minhas ideias devastadoras se multiplicavam como mitocôndrias. Caí em um fórum da Califórnia, de pessoas portadoras de PSORÍASE [quase o nome daquele grupo de axé, o Psirico], com depoimentos que me animaram HORRORES.

“Meu nome é Kevin, sou de Cloverdale, tenho 38 anos. Há 20 sofro de psoríase. Começaram como coceiras, placas vermelhas no pescoço e nas juntas, que em poucos meses se alastraram por todo o corpo, inclusive na face. Oh, hoje perdi minha vida social, meus amigos, minha esposa. Não há cura e todos se afastam e têm medo de mim”, etc etc etc.

Bastou ler isso – e ver algumas fotos de peles tão medonhas que beiravam a vanguarda – para eu ter uma crise na minha bolsa de valores. Liguei aos prantos para mamãe.

Eu só queria a verdade.
A VERDADE.

- Alô, mamãããããããe….!!
- Filha? Que foi?
- Mãe, eu descobri, eu tenho psoríase!!
[aí escuto um “ai meu deus” bem baixinho, impaciente]
- Filha, calma. Onde você está?
- No trabalho. Vi na internet pessoas que têm os mesmos sintomas e que perderam a vida sociaaaaaaaaaaaaaaaal!!! [lágrimas, lágrimas]

Nem preciso dizer que fui de novo ao médico e ele tipo RIU da minha cara, quando eu falei em psoríase. Fail. E não era nada, lógico, era só estresse e hoje “levo uma vida normal”, tal. Me senti uma estúpida, coroada, pra todo mundo ver. E quem disse que eu mudei? Continuo nessa vibe, usando meu álcool rosa e inspecionando a comida detalhadamente.

Na verdade eu nem sei como terminar esse texto, de tanta vergonha.
Mas eu não deixo de contar uma história engraçada por nada.

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franz ferdinand, you could have it so much better

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Meu primeiro barraco.

em um programa sobre luxo, tinha um cara que ia construir uma casa na região da sardenha. ele dizia: “quero morar como os antigos camponeses” e mandou fazer a casa toda em pedra, com uma varanda imensa que tem uma jacuzzi fabulosa. é, esses antigos camponeses sabiam viver.

adoro notícias “do Brasil e do mundo”. falei.

Nem terá muito prelúdio, o texto de hoje. Porque eu tô nervosa, tira a mão de mim, eu tô calmíssima. Grrrrrrrrr.

Após um jantar LOOOOSHO, com companhias LOOOOSHO, em um restaurante com heliponto LOOOOOSHO [ok, não usamos o heliponto, mas a presença de um deles contribui para o contexto de glamour], eis que acordo no dia seguinte com… sons de marretadas. Eu, ingênua e bucólica, julgava que 2008 já tinha fechado a conta.

BUT NO.

[SÉPIA] Desde tempos imemoriais, o apartamento de cima tá em obras. Sério, até postei sobre isso, years ago. Sério, era MAIO do ano passado. [/SÉPIA] O lance é que hoje eles tavam quebrando os recordes mundiais e estavam quase chegando ao meu quarto, tamanha a violência com que eles batiam. Comecei a ficar com medo, reclamei com a mamãe. Eu não sei o que um pedreiro visualiza, pra encontrar tanta satisfação ao demolir uma parede. Se eu fosse sogra deles, andaria com um ramo de arrudas imenso, incorporado ao penteado.

Quem me conhece, sabe que eu sou delicadinha e tolerante ao extremo. A comida do restaurante tá ruim? Peço outra ou vou embora, na boa. A pessoa me entregou uma coisa fora do prazo? Não vou brigar pelo passado, it’s ok, vamor ver o que é possível fazer. Os chefes gritam no celular? Imagino diversas frases grosseiras, tipo “Não é mais prático você sair na esquina e urrar?”, mas coloco meu ipod no último volume, com sons da natureza. Pronto. Tipo, eu fujo do cajá e do stress, sempre. Desafio as leis da física, diante de tanta paciência abrigada no um metro e pouco de meu ser. Então, para chegar ao ponto de eu sair da minha casa no dia 30 de dezembro pra fazer uma reclamação e armar um barraco com desconhecidos, é porque a coisa TRANSCENDEU. Era a linha tênue entre a reforma e a destruição. Nem a mensagem de fim de ano da Globo poderia me demover da idéia de resolver a situação no grito e na raça.

Eu bati à porta do vizinho de cima com tamanha violência, que o pedreiro podia pensar que era o Thor, com 1,90m, luvas de boxe, irritado. Ou o Jack Nicholson, com um machado em punho. Quando ele abre, era EU, mó cacheadinha, mas com a cabeça fritando no óleo quente do ódio. Aí eu BERRO:

- O QUE TÁ ACONTECENDO AÍ? EU QUERO SABER! [50 decibéis]

E saí entrando no apartamento, até o cômodo que corresponde ao meu quarto. Outro cara tava fazendo aquela prospecção de pré-sal, derrubando o muro de berlim, aquele completo escândalo, só pra trocar O RODAPÉ do lugar. Eu BATI PALMAS, à la Coringa, e ele parou o serviço e olhou para trás. Perguntei se ele sabia que havia uma família de cinco pessoas [o Elvis está incluído, lógico] TENTANDO morar no apartamento de baixo. E ele, com aquela malemolência típica de pedreiro e aquela risadinha marota de canto de boca, respondeu que “sim, senhora”. E eu gritei de novo:

- POIS NÃO PARECE! [60 decibéis]

E saí explicando, andando pela casa alheia, cheia de cimento e fiação espalhados por toda parte, que eu tava reclamando era da intensidade das batidas e não das batidas ou da obra em si. Disse: ‘olha, ano passado o piso inteiro da minha casa foi trocado, os rodapés também, a gente ficou no apartamento de baixo e jamais escutamos marretadas como essas dos senhores. Um carnaval desses, pra remover um rodapé? Vocês aprenderam a fazer obra aonde???’ [70 decibéis]

Aí o cara retruca:

- Mas é o nosso trabalho, o que a senhora quer que eu faça?

Ele fez essa pergunta umas oito vezes, e eu respondendo que tava reclamando era da intensidade das batidas e não das batidas ou da obra em si.

Na nona vez, eu perguntei:

- O SENHOR QUER QUE EU DESENHE NUM PAPELZINHO, QUE EU NÃO ESTOU RECLAMANDO DA SUA OBRA?? [80 decibéis]

Aí ele jura que não tava batendo forte e que, SE APARECER UMA RACHADURA no meu quarto, que eu o chame.

- RACHAR?? SE RACHAR MEU IMÓVEL, EU CHAMO É A POLÍCIA! O SENHOR NÃO SABE DO QUE EU SOU CAPAZ! [quebrou o medidor de decibéis]

Eu devia estar tão vermelha quanto o cenário do programa da Marcia Goldschmidt. O vermelho é a cor dos paninhos que atiçam os touros. O vermelho é a cor que simboliza o barraco na numerologia, nas runas, no tarô. Quando me dei por satisfeita, saí e deixei o cara falando sozinho. E ele colocou a cara pra fora da porta e falou:

- Vaaaaai, menina MAL EDUCADA!

[pôr-do-sol no velho oeste, começa a ventar, tufo de mato passa e eu risco a faca]

- COMO É QUE É? [90 decibéis]

E ele teve a PETULÂNCIA de repetir. E eu gritei:

- FELIZ ANO NOVO PRO SENHOR, PASSAR BEM! [100 decibéis]

Meu, que ódio. Saí pisando forte, derretendo de tanta ira, robótica de tanta tensão. Nem massagem de pedras quentes rola fazer, nesse calor, nesse ritmo quente. Grrrrrrrrrrr.

Mentalmente, desejei sete hemorróidas a todos eles – é o numero de letras do meu nome.

Certamente, vocês não me reconheceriam.

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cooper, ola de calor

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Evaporando, literalmente

Dormi na Terra e acordei em Marte. ou é só impressão?

Dante repensaria seu conceito de inferno após uma temporada em Fortaleza, neste dezembro magmático que nunca acaba. Acho que a criogenia é a melhor solução. Prefiro dormir e acordar só quando tudo isso tiver terminado.
Durante o “heat of the moment” [hehehe, não sei como lembrei dessa música do Asia e adoro esse título. Ou é do Europe, Chicago ou Kansas? Alguma banda-local, anyway. consultem seu gps, obrigada], só consigo sonhar com comerciais de creme dental e refrigerante, com pedras de gelo caindo em copos que contêm mais pedras de gelo e pessoas correndo de jet-ski, sorrindo em meio aos pingos de água, ao som de ‘ahhhh’. De repente chove, neva e cai granizo ao mesmo tempo. E eu estou boiando em uma grande piscina de suco de tangerina com abacaxi gelado, que desmboca nas cataratas do niágara, em algum grande resort com bangalôs de cores cítricas e igualmente refrescantes. Então apareço repousando em uma cama com recheio de sorvete de limão. Estou com rodelas de pepino sobre os olhos e toalhas molhadas pelo corpo. Após quinze halls pretos simultâneos, me desintegro em meio a tanto frio.

Se alguém me acordar deste sonho abaixo de zero, eu cancelo o blog.
Isso é uma ameaça, man.

[...]

Momento retrospectiva. Neste ano interessante, me hospedaram em um dos spas mais chiques do hemisfério sul, viajei de jatinho bimotor, me hospedaram em um rizóóórt em Natal por uma noite, virei mestre, aprendi a fazer omelete com presunto e conquistei minha independência gastronômica, conheci a mistura dos esmaltes vermelhos maçã do amor + escarlate, fui a final do campeonato mundial de motocross freestyle no estádio de futebol e descobri a bala mais perfeita que esta geração já conheceu, a Butter Toffees Chokko, da Arcor. Inclusive, ao pesquisar sobre o presente toffee, encontrei a frase:

“Os toffees surgiram na Europa no século XIX e logo conquistaram o mundo devido ao seu apurado sabor, à sua maciez e ao seu característico formato irregular.”

Eu não sabia do fascínio exercido pelos característicos formatos irregulares. Mas, sei lá, é nos menores formatos irregulares que estão guardados os melhores sabores. Ou algo do tipo.

[...]

E vocês sabiam que 31 de dezembro terá um segundo a mais? Droga, avisam tudo em cima da hora, nem me deram tempo pra plenejar melhor o que fazer com esse tempo extra. Acho que vou fazer um curso.

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bajofondo tango club, pa’ bailar

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Copy, right?

Fico constrangida com as mulheres da propaganda do Activia, cantando “hoje sou feliz e canto só por causa de você”, ao lado da inscrição “nove dias”.
Ou: Chinese Democracy ganha a corrida contra o Chatô.
Ou ainda: Juram que o SACI é aspirante a mascote da Copa de 2014?
Ou still ainda: Impressão minha ou esse calor de Fortaleza é o prelúdio do juízo final? Tags: inferno, sol, calor do cão, sol, suor, sol, raios, sol, árvores imóveis, sol.

Aham, o título do post de hoje passa a léguas da originalidade. Mas relevem – tô super destreinada em escrever pro blog e isso não é como andar de bicicleta. Se bem que aposto que vocês também estão super destreinados em ler o meu. Hohoho. O empate é o melhor resultado no momento, desde que não seja no jogo SÃO PAULO x FLUMINENSE. Hunf. Enfim. O lance é que estou num processo de colagem dos meus caquinhos, após o traumático e feliz fim do mestrado. Tipo, é chegado o momento de procurar um sentido para a vida neste mundo perdido, onde os panetones com gotinhas de chocolate custam o mesmo preço de um DVD com frete.

- Venha para a luz, Querolaine!

[Vi, em um grande empório delitália de minha cidade, um panetone absurdo, de MILÃO, que custa mais de cem reais. Fiquei tão emocionada com esse espírito natalino, yadda, yadda, yadda]

Pois então. É em pleno processo de recolagem dos caquinhos de cristal de Murano de meu ser que descubro que meu blog está sendo toscamente copiado. Aliás, copiado não, porque se fosse cópia, seria minimamente legal, acho. Não me corrijam se eu estiver errada. Mas é tipo um plágio mesmo, de expressões, de palavrinhas, de idéias, temáticas e até de formatos. Chega a ser constrangedor. Chamarei a pessoa pelo nome fictício de Gloriosa. E, se até uma pessoa ridiculamente desatenta como eu notou, é porque a coisa RELUZ.

Então, ainda em dúvida, mostrei para umas três pessoas. E a unanimidade, que é inteligente neste caso, ficou toda chocada. Não existe nenhuma linha que separe plágio de influência, ali. Evidentemente, não discutirei direitos autorais, nem farei aquele barraquinho, aquela celeuma básica, aquela luta livre no gel, em que se cola um printscreen ao lado do outro e se faz toooodo um discurso para fazer a denúncia para o, sei lá, vento leste, que não tomará providências e me deixará esperando feito um coqueiro verde. Deixa pra lá, né. A Gloriosa deve ter só aquele blog para se divertir e não serei eu a tomar a bola e acabar com o jogo, volte dez casas, coisa do tipo. Quem sou eu, né.

Como vocês podem ver, ando meio resignada e venho me distanciando de discussões inúteis e da excessiva exposição na internet por pura falta de paciência com alguns comportamentos humanos [= velha]. Um combo de certa preguiça misturada com intolerância e uma coleção de pensamentos subversivos que envolvem o twitter. Não sei qual é o meu problema, mas ele é meu. Essa é a minha vida, esse é o meu clube [adoro esse comercial, meu sonho fazer um desses, sendo paga para caminhar na estrada desabafando].

- Então, Gloriosa, não lhe desejo varizes. Te perdôo. Vai que sua mãe te deixou cair do berço, vai que o médico te puxou pela orelha no parto e você é assim hoje. Deve usar frases de efeito no MSN, com mensagens cifradas from hell e que não querem dizer oficialmente nada. Tenho vontade de abraçar você, até fazer “nhon”. Fica a menção.

Aff. Eu e minha mania de não conseguir ir direto ao ponto. No jornalismo, os rodeios do começo do texto se chamam “nariz de cera”. Imagine o que temos até agora – se colocarmos os narizes de cera desta tarde lado a lado, dariam uma volta ao redor da terra; encheriam um maracanã; empilhados, chegariam à Lua; acesos, se transformariam em velas que preencheriam a basílica de Aparecida; derretidos, depilariam Tony Ramos. É que o post não é sobre a recém-descoberta cópia do Flows, mas sobre que tipo de imagem ando projetando por aí. A Gloriosa curte passar uma idéia “oh, como sou fresca e lânguida, gosto de coisas com cheiro enjoativo de morango, porque acho isso feminino. mas sou culta, gente, pelamordedeus, eu adooooro ler e asistir a tv culturaaaa”.

Daí, imaginei: será que o povo acha isso de mim? Pensei: se ela quer me copiar e se comporta assim, LOGO, eu transmito essa imagem. Tipo, será que acham que eu sou fresca e inteligente? Nhém-nhém-nhém e leitora? Será que eu represento uma dondoca sebosa e afetada? Será que passa pela cabeça de alguém que eu gosto de cor-de-rosa ou da linha artística da Colorama? Minhas tags não têm nada a ver com isso, acho que sou mais profunda, sei lá, pelo menos costumo ser. Meus sonhos são simples, sabe, são tipo ter um programa com sorteios e eu ficaria sobre uma grande pilha de cupons, ganhando uma chuva de cartas.

Obviamente, eu adoraria – por uma semana, não mais – ser uma completa mulherzinha, trabalhar por lazer e sair no meio do dia para mergulhar no mar, chegar em casa e ficar imersa em uma jacuzzi com produtos L’Occitane. Mas eu não sou a pessoa que a Gloriosa pensa, não há um universo de breguice orbitando a meu redor, com Celine Dion ao fundo, em loop contínuo. Fail.

[...]

Mas esse pequeno case da, err, “releitura insalubre” [/educadinha] de meu blog, é só um exemplo.

Porque, a cada natal e aniversário, voltam o medo e a apreensão acerca do que as pessoas dizem ser a “minha cara”. Ultimamente, os amigos têm acertado em cheio, mas já ganhei coisas muito deslocadas num passado não muito distante, como livro de Paulo Coelho, cd de banquinho + violão ou, pior, FLORES. Até minha mãe vacila, comprando roupas que me causam uma estranha emoção [ha].

Ato único: Um dia, mamãe viajou e voltou com uma calça jeans linda pra minha irmã e um osso inflável pro Elvis – e, pra mim, uma blusa com CORRENTES desenhadas na região do pescoço, arrematadas por um CADEADO. Não, não entendi a piada. Há alguns anos, ela deu pra minha irmã uma blusinha com um chinelinho desenhado na frente – e tirinhas de borracha REAIS. Não sei qual é a da mamãe, com essas propostas 3D, mas o fato é que ela tem uma percepção um tanto conceitual da gente, no quesito moda.

Outro dia, estava no shopping com umas amigas, fazendo um tour pelas lojas de cosméticos, investindo nosso dia em novas aventuras. Resolvemos dar chances aos talentos out of mainstream e entramos naquela Akakia, pra ver coé, tal. Porque, nesse mundo dos cosméticos, se a gente descobre algo fabuloso e barato, ficamos absurdamente felizes. Ainda mais na atual conjuntura, em que até a Natura tem me desapontado, principalmente após seu recente lançamento para cabelos ressecados, com princípios ativos de aloe vera e TAPIOCA. Google it. Sim, então. Entramos na Akakia – um nome que já agrega 50% de possibilidade de levar a uma escolha errada – e a vendedora era daquelas que fazem a íntima. Ela disse: “Você vai A.M.A.R. esse hidratante, sua cara” e me passou uma boooooa porção no braço. Fiquei com um cheiro de quenga incrível, era um treco à base de bala maluquinha com cidra [a embalagem acusa “morango com champagne”, acredita quem quer, né] que me dava enjôos e fiquei pensando “mas eu tenho cara de quê mesmo?”. By the way, o nome do hidratante era Crazy. Adoooro. E, sobretudo, era um ritual de adoração ao alérgico, foi um prazer sentir aquele cheiro forte em mim. O namorado da vendedora deve amar aquele cheiro também e certamente trata-se de um exemplar com alma de mocassim e espírito de gola canoa.

Outra coisa que me fez desacreditar a marca, além de produtos com aroma duvidoso, foi a dica encontrada na página 21 da revistinha que eles distribuem na própria loja: “para não borrar o rímel, seque os cílios com secador de cabelo”. WTF.

Há outros casos extremos. Lembro de um aniversário em que recebi um presente dos mais inusitados. Quem deu foi um grande amigo meu hoje, mas que na época tinha acabado de chegar a Fortaleza e ainda não me conhecia muito bem. Ou seja, foi um presente a partir de uma impressão inicial. Além de maquiagens, cremes, livros, um bloquinho e DVDs que de cara eu já ia amar, esse meu amigo me deu o filme Oldboy.

Vejamos o que Wikipedia diz sobre ele:

“Oldboy é um filme coreano, baseado em um mangá. Impossível de se definir em uma única frase, o filme consegue unir em 119 minutos, questões como vingança, amor, ultra-violência, o tempo, a crise da vida moderna, a hipnose e obstinação, tudo isso envolto a tabus sexuais. [...]
Tudo no filme possui agressividade. A face dos personagens, as cenas de sexo e até mesmo a cena do restaurante, que Oh Dae-su come um polvo vivo, sugerem ou explicitam a violência, que também aparece em constantes cenas com todos os tipos possíveis de mutilação, física e mental.”

Ênfase em “ultra-violência”, “cenas de sexo”, “polvo vivo” e “todos os tipos possíveis de mutilação”.

Err, pois então. O pior é que não achei o filme ruim, muito pelo contrário – é tão bacana que até o Spielberg quer refilmar, com atores americanos e tal. Lembra Tarantino em algumas coisas e isso também é bom. É impactante, enfim. Mas o que levou esse meu amigo a, em meio a tantas opções de DVDs neutros e amenos, escolher logo o Oldboy pra mim? Posso dizer que, depois de ver o filme, fiquei tipo entre risos e choques.

Mas enfim, a conclusão do post é feliz, conflitos à parte. Um lance introspectivo meio Gorpo, no fim de cada episodio de He-Man, com uma lição de vida. O ser humano reúne uma diversidade de gostos e jeitos de ser que despertam impressões diversas nas pessoas e aí reside a beleza da existência e… pff, chega. Foi mal, se alguém esperava que eu terminasse o post contando a true story sobre minha personalidade e minhas novas aquisições musicais / intelectuais / gastronômicas / fashion. Imaginem se eu ia dar esse mole pra turma da cópia, hein.

E, sabe, sinceramente… acabei de chegar a uma importante conclusão, depois de escrever esse texto todo – só me importo com pensamentos a meu respeito que venham dos amigos, do namorado e da família. E pronto. Como diz uma de minhas frases preferidas de novela: “sou maior de idade, vacinada e pago minhas contas”. Adoro “vacinada”.

E vocês dois, que chegaram até o final aqui, entenderam.
A primavera sorri e o amor floresce no coração.

Tô destreinada pacas, pra escrever. Nem terminar o texto com dignidade eu consigo, mas nunca pensei que um post, depois de tantos meses, pudesse render TANTO.

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tchu dê lê, tchu dê lê, beyoncé

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Dica estrogonoficamente sensível

Para refletir: Será que o Faustão tem sonhos?

Se você, amiga dona-de-casa, é uma dos felizes proprietárias de uma picape Toyota Hilux ou do utilitário esportivo Hilux SW4, fabricados entre janeiro de 2006 e maio de 2008, atenção.

A montadora convoca os usuários a fazerem a verificação da porca superior de fixação do conjunto de articulação da barra estabilizadora da suspensão dianteira do veículo.

Recapitulando:

porca
superior
de fixação
do conjunto
de articulação
da barra estabilizadora
da suspensão
dianteira
do veículo

Ahhh, tá.
Não entenderam?
Oh, que criaturas mais limitadas, vocês.
É uma coisa tão assim, óbvia.

Bom, eu acho que vocês deviam prestar atenção nessa notícia, pois a sobrinha da amiga da cunhada da prima da avó da tia do vizinho da sogra do porco de estimação da professora de uma colega minha acordou um dia na banheira de gelo, sem um rim.

nota mental

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jack nitzsche, the last race

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Lucy inventa um novo blog para emitir opiniões categóricas sobre assuntos irrelevantes do dia-a-dia e como método de fuga de suas verdadeiras obrigações. E também porque eu preciso desabafar, e o preço do analista está pela hora da morte, beijos.

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