Ok. Chega de Fábio Assunção. E dessa tal de Alessa…

13 03 2007

Ok. Chega de Fábio Assunção.
E dessa tal de Alessandra Negrini.

i. Elvis!

Já começo o post revelando que eu sou dessas pessoas que levam a curiosidade aos extremos e às ultimas conseqüências. Hum. Provei a ração do Elvis, sim, e daí. Só uminha, claro. Ora, eu preciso saber o que meu novo filho anda comendo e constatei que aquele hipotético sabor carne/churrasco que vem na embalagem – e te faz pensar que você tá dando filé mignon pro seu cãozinho – é a mais purinha das enganações.

Notem que eu tentei fazer um mal-sucedido trocadilho com “Purina”, mas não rolou, ué, paciência.

Mas eu fiquei com pena de dar só aquela ração entediante pro bichinho, com gosto de alface velha, daquelas pretas de ponta de estoque. Acrescentei, como a veterinária recomendou, maçã e banana à dieta balanceada. Cês precisam ver o desespero com que ele corre atrás da maçã. Claro, é o único refúgio alimentício gostoso dele. Aliás, ele fala com a maçã e briga com ela. É uma discussão bem feia, ele arma mó barraco com a maçã.

A lição do episódio de hoje deste seriado é que nem sempre curiosidade alimentícia é um bom negócio para nós, humanos. Porque obviamente me arrependi de ter tido esse rompante e experimentado a comida do cachorro.

O mesmo impacto negativo eu tive no caso do leite materno. Ah, vá, não me olhem assim. Eu tinha apenas sete anos, era tão ingênua, minha irmã era um bebê e eu IMPLOREI pra provar do leite da mamãe. Avaliem o arrependimento, avaliem, quando ela colocou numa colher e eu provei. Desceu macio como um gato vivo, pela garganta. Passei mal geral, sacam. Nunca mais quero ver leite materno e o TEMÍVEL colostro, nunca mais na minha frente! Eu preciso pensar em uma solução alternativa, um plano B, para o momento em que eu tiver que amamentar meu pivete. Afinal, as mães querem só o melhor pros seus filhos.
Portanto, acho que vou misturar com Nescau ou sorvete de creme e fazer um shake.

O fato é que, rememorando esses fatos, descobri afinal porque tenho tanto abuso da Cássia Kiss.

- Aquela mulher inteira deve cheirar a leite materno. E isso gera total e completa ojeriza.

E Clodovil também se mostra entendido, a respeito de colostros.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=XMxRODguHgc]

ii. Elvis!

Jaq: Ah, quem precisa de filhos, né? Cachorros são fiéis, não tiram nota baixa, não colocam alargador e nem bebem! A perfeição em forma de cachorro.
Lucy: Fora que não pedem brinquedo de dia das crianças, não amolecem nossos peitos durante a amamentação, só querem colo e que a gente faça coceirinha na barriga dele, e nada mais!
Jaq: E não deixam nossas barrigas flácidas e cheias de estrias. Comem ração, nem é preciso cozinhar. Cachorro é uma jóia. Quero nem saber de meninorréi.
Lucy: E ainda me lambe. Veja se eu preciso de mais alguma coisa na vida. :P

iii. Elvis!

Claro que meu pai já está fazendo planos para que Elvis sustente a casa e pague o investimento que estamos fazendo em vacinas, ração, frutas, caminha especial, shampoos, mordedores e apetrechos essenciais.
A gente tava no supermercado, escolhendo a ração, quando ele veio com uma história:

- Imagina, imagina quanto vale cada filhotinho com pedigree.

CARA, Elvis tem DOIS MESES DE IDADE. É um bebê! Uma criaaaança! Pensa só em roer chinelo e morder nossos pés, nada mais. Magina, se ele pensa em transações, quanto mais comerciais.

Pois o papai vai fazer o que não fez com as filhas dele: quando ficar mocinho, o Elvis provavelmente será levado pro bordel, pra fazer sua “iniciação” e cair no desfrute e na libidinagem com as cadelas desinibidas.

- Mas nenhuma vaca vai tocar no meeeeu Elvis!

Tá, a Frida eu deixo. Só ela. É a donzela prometida, que eu já esquematizei pra ele.

Lucy: Ei, arrumei uma mina pro Elvis. É a Frida.
Gabriel: Ela é tortinha? Tem bigode?
Lucy: Tortinha, de bigode e engessada também. Elvis gosta de abraçar desafios. É um obstinado.

iv. Elvis!

Obviamente, já tenho planos para Elvis e estou pensando na educação dele. Além das aulas de guitarra & violão – afinal, todo Elvis tem como obrigação aprender violão e ser super star -, ele vai fazer trabalhos manuais, como o próprio patchwork, pra roer depois. [Afinal, a caminha dele em patchwork já foi devidamente mordida. Lilás com amarelo, inclusive, é o último grito. Um plus a mais, puro frenesi].

Elvis também é um cão politizado, não é mais uma dessas estrelas emergentes que são cabeça-oca. Faz cocô na revista Veja, demonstrando desde cedo sua propensão para o engajamento e a consciência social. Comprei para ele um mordedor no formato de pãozinho francês, porque ele é autêntico e valoriza o produto 100% local.

Nada de mordedores em forma de esquilos ou outros animais distantes de nossa fauna brasileira. Elvis é olho no olho, é cultura popular, é um cãozinho-raiz.

Aliás, os coitados dos esquilos são os preferidos pra se fazer mordedores, né, coitados. Só ontem, no pet shop, vi uns quinze. Eu, inclusive, passei a infância mordendo um esquilo rosa. Gostava tanto dele, que era capaz de eu estar usando até hoje… se ele ainda estivesse entre nós.

v. Elv…

…tá, tô insuportável. :)

Farei uma tatuagem, para celebrar nosso infinito amor. Um rosto gigante dele na coxa, dentro de um coração com um pergaminho antigo escrito “Elvis Forever”.

Pivetes antenados

Tava conversando essa semana com a Jaq sobre pivetes. Filhos, tal. Não, ainda preciso cumprir minha trajetória de sucesso acadêmico e profissional e, portanto, não, não estou grávida de Luis Carlos Prestes. Eu sei que esse blog está sendo transmitido pela Globo Internacional até para Tóquio e Europa e afirmo que se trata de um boato infundado.

Vou convocar uma coletiva!
[sempre sonhei em convocar uma coletiva e dizer "Siga aquele carro!"]

Sim, pois é. Na verdade, apesar de ser uma pessoa impaciente e chata, eu acredito que eu possa ser uma mãe legal, descolada, daquela que desperta inveja nos amiguinhos, sabe. Porque serei uma mãe antenada com as necessidades modernas que meu pivete terá. Será, sobretudo, uma criança fashion, de opiniões marcantes, de gosto musical e estético estiloso e com seu próprio IPod e um blog desde os 4 meses de idade, com resenhas dos últimos shows que ele for. Claro, shows. Meu filho me seguirá nessa vida bandida de groupie.

Desde a gestação, comerei Nutellas, Amanditas, empadinhas, pra ir educando meu filho dentro dos preceitos culinários da mamãe. Eu sou OBCECADA??!?! OBSECADA? OBSSECADA? OBSCECADA, enfim, tenho obsessão por ter uma criança inteligente e espertinha, que saiba ser engraçadinha nas horas certas e que não faça escândalo, jamais, jamais. Tá, é porque eu… hmm, fiz alguns pequenos escândalos quando era bem pequena. Aí, eu me lembro da vergonha dos meus pais e, putz, não quero isso pra mim.

Um dos mais homéricos foi aos quatro anos, no supermercado. Eu queria demais, demais um brinquedo, que era a “escolinha de moda” – aiai, a vocação. Era legal demais, acho que tenho até hoje: sobre uma base de plástic, vários modelos de cabeças, tórax e pernas em alto relevo em plaquinhas de plástico cor de rosa, pra gente montar e criar nossos próprios modelos. Era surreal, de tão bacana. Mas até hoje a mamãe lembra daquela cena infame: eu me jogando no chão e me batendo nas prateleiras, histérica, doida, chorando e implorando. Galera, é feio demais, demais. O povo passava e olhava com aquele ar de reprovação, tipo “Tsc tsc tsc”.

Pois então. Ainda na barriga, colocarei ídolos pop e clássicos para meu bebê escutar, tipo Bob Dylan, Beatles, Beck, Coldplay, ABBA, Radiohead, Belle & Sebastian, Wáis Tráis (White Stripes), Mutantes, Babyshambles. Aquele disco hediondo do Mulekada, fazendo carreira como “É o Tchan” infantil, jamais entrará na nossa residência.

E o lifestyle do meu jovem herdeiro será determinado desde as primeiras horas de vida, ao entrar num quarto com cores cítricas e acrílico, acrílico por toda parte. Pop. Always pop. Nada daquelas nuvens recortadas naquele E.V.A. horroroso, decorando a porta, ou aqueles anjos em biscuit démodé. Aprendam: acrílico em formas sinuosas é o último grito em termos de estilo e revela a transparência, a pureza e a atemporalidade da alma infantil. É tendência, é jovialidade. Falando em tendência, as roupinhas são super importantes – aquele mini-mocassim com lacinho de couro e solado de bolinhas que sobe pelo calcanhar está sumariamente proibido. O pivete usará tênis estilosos, além de camisetinhas de banda, óbvio. Nada de shortinho de tactel.

Outro aspecto imprtante é que a mãe tem que estar integrada ao universo lúdico do pivete. Por exemplo, tem mãe que não entende patavinas de seriados, universos paralelos nos quadrinhos ou os últimos acontecimentos da Fenda do Biquíni, lá do Bob Esponja. Aí a mãe, out, completamente out, vai na loja e traz o Power Ranger amarelo pro filho, sendo que a amarela é uma mulher e os Rangers nem tão mais na moda. Ou então traz uma lancheira do Bambi pro menino ou a sandália do Tigrão. Gente, é démodé. Assim, o pirralho fica puto e envergonhado. Será ridicularizado, humilhado pelos amiguinhos que ganharam os presentes corretos - Simpsons, Snoopy, Batman, Sin City, Lula Molusco -, além de perder a confiança e a referência estética na figura materna.

E aí, o que ele fará? Correrá para os braços do pai, que provavelmente será uma pessoa com mais habilidades manuais do que eu [ah, qualquer um tem mais habilidades manuais que eu] e que saberá desenhar, recortar, montar os Legos Star Wars e jogar Playstation corretamente.

E meu bebê jamais, jamais será ameaçado. Porque minha educação foi roots, cara, mamãe sempre me ameaçava de me levar ao Iprede, à Febem, aos orfanatos, pra eu conferir a desnutrição e o abandono das crianças, quando eu não queria almoçar.

[...]

Tá, só mais uma fotinha do Fábio Assunção.

Ok, essa é a última, viu.

- Viu?

gorillaz, rock the house


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