Crônica da cara tacada no poste anunciada
17 06 2008vocês sabiam que os vendedores enchem o saquinho de algodão-doce com um sopro úmido humano e BIOLÓGICO?
É sempre assim. Parece a piada do portuga, que vislumbra a casca de banana adiante e pensa: ‘Lá vou eu escorregar e cair de novo, ó pá’. [piada assim, modo de dizer, né. porque isso é muito ruim] Porque toda vida que vou fazer exame de vista é o mesmíssimo processo: errar o ônibus, dar de cara em algum poste, ser quase atropelada por uma bicicleta vermelha de barra circular e cestinha numa mini-rua, cair no colo de algum desconhecido feio, pisar num buraco com lama, enfim, tantas coisas meigas e indolores.
Um dos maiores atos de masoquismo que você pode praticar é sair da sua cama, da sua casa, de perto do seu cachorro perfeitinho e ir até a oculista. Não adianta, eu nunca vou curtir isso. Chegando lá, o funcionário truculento desconta em você a frustração de ser um reles aplicador de colírio barato, abre seu olho como se fosse uma manga e taca o colírio com gostinho de soda cáustica e ardor nível 11, na escala Merthiolate que vai de zero a dez. A gente implora com um ‘Cuidaaaado, mooooooço’, e ele repete aquele jargão popular entre depiladoras e ginecologistas: ‘Minha querida, eu vejo isso todo santo dia, relaxe’. Hunf, se tem uma coisa que odeio é relaxar e minha voltade é perguntar: QUEM É VOCÊ? AH, TÁ. SÓ PRA SABER. E como é comigo, nunca dá certo de primeira, escorre tudo e lá vamos nós à segunda aplicação, ainda mais ÁRDUA.
[pausa dramática | fita o infinito | recita um poema de Augusto dos Anjos]
Cega e humilhada - lacrimejando feito uma condenada, como se trabalhasse num restaurante especializado em cebolas bem selvagens [uau, “cebolas selvagens” daria um filme de terror trash bacanéééérrimo, podia ser a seqüencia daquele punk, dos tomates] –, você entra na sala da médica e percebe que, já na terceira fileira de letras, fonte Arial Black 19315, sua visão já não tem o mesmo VIÇO da tenra idade, sente os anos passando, os cabelos brancos, as costas se curvam involuntariamente. Eu, que nem sou moça dramática, magina, fico que nem o Seu Madruga naquele episódio em que ele pensa que vai morrer. Na derrota, se tacando nas paredes. Isso sem falar num dos piores e mais rápidos exames do velho oeste, que é num negócio que parece um microscópio, onde você apóia o rosto – ó senhor, quantos queixos desconhecidos já não terão encostado lá, eca –, mentaliza uma luz azul, uma paz no fim do túnel e, quando menos espera, a médica aperta um botão que lança um soprão no seu olho. Sacanagem, isso. Quando é no primeiro olho, ok, a gente leva na esportiva. Mas quando é o segundo, quando já conhecemos a new-sen-sa-tion? Cadêêê que eu consigo “relaxar”? Será o caso de levar flores, Heleninha? Seráááá?
Não, esse vídeo não tem nenhuma conexão com o post, mas eu AMO essa passagem da Heleninha e eu precisava disso no blog. Bom, voltando. A parte divertida dessa coisa toda é escolher os oclinhos novos e fashion, que devem finalmente me deixar com cara de jornalista de moda, aham, aham. Quer dizer, isso é divertido hoje em dia, que tô jeitosinha. Porque quando eu tinha sete anos, isso era um martírio. Primeiro porque eu era feia [um dia me chamaram de “exótica”, mas é lógico que exótica = monstro do pântano]; segundo porque eu usava farda no colégio e farda deixa até a Ana Hickmann uma mocréia; terceiro porque as armações à disposição dos pivetes na década de 90 eram cafonéééééérrimas*; quarto, eu tinha franja cacheada [shh, segredo.]; e, quinto, porque bom gosto pra óculos nunca foi exatamente o ponto forte da mamãe.
Então, minha primeira armação foi uma rosinha-clara com uma tentativa de esboço de Mônica pregada do lado, miudinha e über-medonha. De uma breguice comovente, dava pena. Eram óculos estilo Megulho em Abrolhos, muito feios e grandes – e, vamos combinar, maxi-óculos só de sol, NUNCA de grau, beijos. Depois tive uma DOURADA [mamãe, essa foi de propósito, confessa], só pra consolidar minha feiúra e a humilhação diante dos coleguinhas não-miopes e não-ruivos - ou seja, normais, sem destoar da paisagem. Eu devia, aos nove anos, parecer que tinha 34, com aquela coisa dourada e neo-barroca em mim. Ah, lógico, ela tinha aquela correntinha abominável pra pendurar no pescoço, como um plus a mais. Não foi a toa que fiquei gravemente traumatizada e, só agora, no ano do centenário da imigração japonesa, voltarei a usá-los em público. All we are singing, give óculos a chaaaaance… come on, everybody, palminhas! [mulheeeeer, como tu se passa.]
Uau. Eu devia ser um prato cheio mesmo, pra minha turma infame da escola: ruiva = albina [ainda bem que não se falava em transgênicos naquele tempo]; míope = quatro-olhos; pernas grossas = elefantíase e, ainda por cima, paulista, o que comumente estimula a antipatia que muitos guardam com carinho do lado esquerdo do peito. Aqueles idiotinhas, que iam pro colégio com aqueles óculos ridículos do Chaves, feitos de canudo, riam de mim. Todos os dias eu desejo um dentinho podre na boca de cada um deles. Bastards.
*Aproveito esse espaço de audiência para registrar minha solidariedade junto aos pivetes que não gostam de ter 100% de roupas fúcsia [homens que não sacam matizes de cores, joguem no google], mochilas verde-limão e lancheiras com temas de personagens de quadrinhos e desenhos animados. Puxa, comics são legais, mas tem horas que o pivete necessita de sobriedade, autenticidade e dzáááááin. Porque se a criança curtir influências expressionistas ou a optical art alemã dos anos 50, ela tá perdida, né, desamparada pela indústria capitalista e ianque que massifica os gostos e subtrai a identidade dos consumidores, limitando seu poder de escolha a um pequeno leque de mercadorias fabricadas por multinacionais e mão-de-obra escrava, que interessam exclusivamente aos interesses excusos e imperialistas do Bush e da guerra no Oriente. É essa máquina que o aparentemente inocente Bob Esponja Calça Quadrada do seu filho alimenta, não se iluda, companheiro. Pois é, a questão é que nunca entendi a falta de inclusão do street wear infantil clean. Mais basiquinho, mais preto e branco, mais terninhos acinturados.
E aproveito ainda para perguntar se sou só eu que acho que a maioria das pessoas que faz comercial de óculos de grau não tem NENHUMA CARA de que usa óculos de grau. Fica sempre com aquele ar de ator da Globo fora do ar, dando entrevista no Projac sem maquiagem.
- Quer dizer, exceto o Johnny Depp, que é o pirata sujo mais lindo dos sete mares.
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buddy holly, learning the game
carla bruni, before the world was made
brigitte bardot, un jour comme un autre













Uhu! Bem-vinda ao mundo dos 4 olhos! Mas olha, digo logo que não há no mundo melhor experiência sensorial do que VER! Foi uma supresa pra mim ver que as coisas e pessoas não eram apenas imagens borradas como eu imaginava…
É depressimo percebr que você não enxerga como dantes ¬¬
Tô precisando de óculos…
cara…
eu tenho que dizer, pro teu possível ódio, que, desde os 12 anos, portanto, há 17 anos, que eu vou ao oftalmo regularmente, DOIDA pra usar óculos e não tenho nem 0,1 grau em nenhum dos olhos!
ah, eu amava vale tudo!
beijos
Pois eu, ser descompensado e perturbado que sou, fiz meu pai ir buscar meus óculos e levar pra mim no colégio no meio da manhã, pois eu queria começar a usar logo. Comecei a usar óculos no 2o ano do ensino médio (que ainda era 2o grau no meu tempo), após anos acalentando o desejo de usar óculos pra ser fashion e intelectual (sim, pois estar sempre no Quadro de Honra do Colégio Christus não era suficiente, eu queria um apetrecho que deixasse a minha nerdice visível para the whole world ver). E hoje em dia eu quero fazer cirurgia corretiva pra deixar de usar óculos. Ah, a ironia! Essa bitch constante em nossa vida!
Mulher, mas hoje em dia os colírios não fazem mais essa loucura, não. Ano passado fui ao oculista com o Renato, nós dois íamos fazer o exame. Eu tava crente que ia sair de lá como dois velhinhos de bengala…ehehehe…mas a coisa foi tão leve que minha visão nem embaçou! Parecia que nada tinha acontecido, eu até perguntei se realmente tinha feito efeito…ehehehe…porque da última vez o Renato ficou cegueta da Silva!
Foi lá na clínica Wantan Laércio, aqui perto de casa. Será que o colírio deles é de GRIFE? Acho que agora todos são assim…sei lá.
Felizmente não preciso de óculos, só tenho 0,25 no olho esquerdo…o direito é perfeitinho
E ei, tu não tem nenhuma foto com essa armação DOURADA, não? ahahahahaa..eu quero ver demais!
Não fale mal do Bob Esponja…eu gosto tanto dele! ehehe…pena que é americano, o pobre. Se ao menos fosse inglês, feito o Jimmmmm!!
Enfim, tomara que meu comentário apareça aqui.