O PCC exigiu e eu tô aqui postando. Alcatraz, ve…
28 05 2006O PCC exigiu e eu tô aqui postando.
Alcatraz, verão de 1958.*
Linus: It was a short summer, Charlie Brown.
Charlie Brown: And it looks like it’s gonna be a looong winter.
As ovelhas balem, os cavalos trotam, os grilos cricrijam, o mato passa, o vento sopra e o Alex Kapranos é lindo e sabe cozinhar. Nada de novo no front. A pacata Lucy, em trajes camponeses, uma saia evasé, uma cestinha na mão e um bocólico novo corte de cabelo, sai para trabalhar arduamente nas pedreiras e nas áridas salinas para garantir sua subsistência e a de seus descendentes ruivos e roqueirinhos. Quando chegará meu dia de comemorar a alforria?!
Aliás, ganhei dois troféus importantes essa semana:
- O troféu “Jack Bouer”, por conseguir a façanha de trabalhar 24 horas por dia nesse final de semana. Tudo para compensar a semana passada em que fiquei de, well, flozô**, just travelling e tal;
- O prêmio “Dalai Lama de Elevação Espiritual 2006″, pela minha serenidade inabalável e atuação paciente junto aos seres estranhos que interagiram comigo em Salvador. Déjà-vu, isso sempre acontece.
Como diria Destiny Child, “I´m a survivor”.
Já tô aqui afogando as mágoas num copo de leite com nescau.

* sempre quis começar um texto assim.
** “Flozô” faz parte do Dicionário Globo de expressões para novelas com sotaques praianos / nordestinos. Já que estão me chamando de Tieta por causa da minha echarpe no orkut… Eu já passei alguns anos de minha infância sendo chamada de GRAMPOLA mesmo. Não é um mero “Tieta” que vai me derrubar.
[...]
Actually, escrevi a abertura desse post há umas três semanas, enquanto via o quadro dos “Caçadores de Mitos”, no Fantástico. Sabe, eles tinham acabado de desistir de comprovar o mito do “Poodle no Microondas”. Bem, bem, vejamos. Eu nem tinha conhecimento desse mito, acho que, ahn, na verdade eles inventaram essa história agora, pro programa. Ora, então é assim, temos o mito de Sísifo, o mito lá do fio de Ariadne e o mito do POODLE NO MICROONDAS? Come on. Mas, graças aos céus, ninguém tacou o bichim na quentura, dançando e rodando [huahuahua] no pratinho do forno. Eles acabaram colocando apenas dois patos mortos numa câmara de bronzeamento artificial, para comprovar que essa prática não causa o cozimento dos órgãos internos.
- Ah, bom, olhaê! Que alívio! Mais um dia foi salvo pelos Caçadores de Mitos!
[vai, mal humorada!]
- Não, Jude Law, não quero casar com você.
[povo insistente, god!]
Vamos começar, então, mais esse post punk.
[One-two-three-four!]
girlfriend in a coma, the smiths
Mas o post não é sobre nada disso.
Desenvolvi uma nova tese para esse fim de semana.
Trata-se do Princípio Tropicaliente. Analisemos à luz do empirismo.
Sobre Novo Mundo ou o Princípio Tropicaliente
“Somos como a relva” - Pocahontas.
Há um tempão, vi aquele filme o “Novo Mundo”. Vejam a sinopse.
O exército inglês chega com suas naus à América do Norte em 1607. Pocahontas é uma índia normal, tal e, como todos os índios de filmes e novelas, anda seminua com trapinhos étnicos. Ela fica afim do Colin Farrow, um soldado inglês insubordinado. Ela toma banho de rio com Colin Farrow, fala de seu povo para Colin Farrow e, adivinhem, se apaixona por Colin Farrow. Mas Colin é um cara viajante, tal, um navegador e desbravador das coisas. E ele abandona a Pocahontas e vai pra Londres. Nesse ínterim, CHRISTIAN BALE MUSCULOSO dá mó mole pra ela, com uma cantada tipo “posso passar a tarde com você?”. Rapaaaz, eu não desperdiçava o Batman não ó, taí. Aí, a india fica dando mó GELO nele. Eu não conseguia acreditar. Como não se interessar pelo CHRISTIAN BALE MUSCULOSO?!? E, quando você menos espera, o Batman a pede em casamento, e ela, loser, chega e simplesmente diz: “Ok, se você quiser. [tipo: "ééé, fazer o quê, é o jeito..."] Suponho que eu deva estar feliz”.
Ahhh, vai te catar, Pocahontas! Bicha palerma, bicha tonta.

- Saquem só o NAIPE do Christian Bale.
Pois é. Mas o fato é que Pocahontas fica sempre performatizando, 24 horas, em todas as cenas. Um saco. Odeio esses filmes em que os diretores querem mostrar as particularidades de um povo, as idiossincrasias de uma comunidade, uns sincretismos e colocam a póbi da comunidade imersa em rituais o tempo todo. Como se índio não comesse, não andasse normal, não fosse ao banheiro, não conversasse e, sei lá, tudo fosse aquela eterna festa de Parintins.

- E bate forte o tambor, eu quero é tic tic tic tá.
Em todas as cenas, lá estão os índios dançando etnicamente, se pintando com as tintas naturais esquisitas de seus ancestrais, se cobrindo de penas, cultivando sua sabedoria e hábitos prosaicos e milenares, sempre adorando a natureza e o sol e tal. Como se a vida deles sempre fosse uma coreografia étnica, 24 hours a day, entende? Irritante, ó. E, quando eles não estavam fazendo essas coisas, eles estavam refletindo chatamente, com sons da natureza ao fundo, tipo “Nós somos como a relva e…”. Sucks. Até a Enya deve achar isso chato. [go, rabugenta, go]
[...]
Esse preâmbulo todo foi pra fundamentar o “Princípio Tropicaliente da Dramaturgia”. You know, aquela novela com a música da Elba Ramalho que retratava uma tribo de cearenses distante da civilização, em um mundo paralelo, quase uma Matrix, na beira da praia de pescadores. Um ambiente fake levado às últimas conseqüências. Provavelmente tinha o Stênio Garcia, um dos pescadores oficiais da Globo, que sempre é um senhor sábio e maduro, o conselheiro espiritual da trama. O único contato com o ambiente urbano era o Selton Mello de lancha, que, na época, tinha um corte de cabelo lastimável de que ele deve se envergonhar até hoje, quando o Faustão reprisa no Arquivo Confidencial.
Abre parêntese.
Aliás, eu já falei que adoro esses arquivos do Faustão, que considero uma das maiores sacanagens cometidas com o meio artístico. É bacana pacas. Eu adoro ver o Alexandre Pires - que hoje é todo no granito, se veste de Armani e faz shows em Portugal* - deslocadíssimo enquanto o flashback daquela música da Barata, do Só Pra Contrariar, passa no telão, pro Brasil todo ver. Ele, com aquela franjinha molhada constrangedora e aquele bigodinho ralo e ridículo. A mesma reação tem o Júnior, da SandyJúnior, que hoje paga de garotão sarado mas, no passado, usava o corte de cabelo do Xororó com jeans amarelo-gema, enquanto cantava aquela dos Power Rangers.
Fecha parêntese.
* Aliás, qualquer Zé Mané tá fazendo show em Portugal, banalizou. Toda semana a Ana Maria Braga e a Hebe fazem um especial com a Nossa Senhora de Fátima de lá e, invariavelmente, se emocionam horroooores. Entendam, lá eles curtem mais axé que aqui. Undererê. Então, não se espantem se algum artista local da segunda divisão do axé estiver anunciando sua “turnê na Europa”. Podem ter certeza de que não passa de Portugal, sacam. Quero ver esse povo em Londres, que nem os Mutantes.
Sim, pois é. Mas até hoje me lembro do povo em Tropicaliente andando e, de repente, do nada “Ôôôxe [sic], afff, mas que calor” e, na cena seguinte, o sujeito tava tomando banho de mar de roupa e tudo. Depois o cidadão saia do banho de mar e ia participar de uma dança de roda típica ou pescar com sua jangada local ou fazer algum trabalho manual com rendas, palha e conchas. Lógico que, em seguida, eles comiam algum prato típico, algo como mexilhões regionais e peixes frescos, antes de dormir em sua casa decorada com búzios típicos.
Hum. Coisas fakes suck.
molly´s chambers, kings of leon
Kuh-sha-suh
Odeio drinks com nomes engraçadinhos. Quem é de Fortaleza conhece. São os preferidos para trocadilhos infames da turma da Hilux tunada - forrozeiro que quando quer dar uma intelectualizada, escuta Djavan e acha aquele papo de Lilás muito poético, um zum de besouro, um imã. Pois é. Aí você vai pra umas festas e têm lá as barraquinhas vendendo caipirinhas e aberrações como “na xoxota”, “nabundinha”, “xixi de virgem”, “chupa capra”. Tenebroso, eu diria. O forrozeiro chega na barraquinha, pede “nabundinha no capricho e com bastante gelo” e morre de rir com os amigos-cabras-desmantelados-de-sapato-caramelo-combinando-com-o-cinto-caramelo, cantando pneu e gritando “rrrréééé!”. [Até fiquei com medo de mim. Como essa cena saiu da minha cabeça?!?]
Well. Eu tive que fazer uma extensa pesquisa pra coletar esses nomes, já que meu vocabulário se restringe à Fanta Uva. Mas qual não foi minha surpresa quando, pesquisando esses drinks, eu encontro um site muito ilustrativo que ensina a pronunciar cachaça como “kuh-sha-suh”. Por isso que os gringos falam tudo errado quando chegam aqui, bizarramente. Depois reclamam que são enganados e assaltados no Brasil. Tsc tsc tsc.
pills, new york dolls
Curtas
:: Agora a moda é rir que nem a Nair Belo, quando ela se encontra com as inoxidáveis Lolita Rodriges e Hebe. Os lábios pra dentro e uma língua escapando pra fora, sacam. Pena que vocês não possam ver minha mais recente imitação.
:: Ainda rouca. Se eu disser “é gripe” e alguém responder “benegripe”, será selvagemente banido dos coments e do meu convívio pessoal, tô avisando. E eu sou baixinha e invocada. Já fizeram essa brincadeira estúpida comigo até no MSN. Eu tô muito sem moral mesmo, putz.
:: Devido à rouquidão, um diálogo, err, três pitorèsque.
Amiga de Lucy: Olha, Lucy, esse é fulano, meu amigo.
Lucy, voz de Rogéria: Oi, querido, tudo bom? Olha, repare não, minha voz não é desse jeito…
Amigo da amiga de Lucy, voz de gay e tal: Ahhhh, mééu amóóóór, não tem problema, a minha voz também não é asséééém!
[...]
:: Falando em “asséééém”, vocês lembram daquele cantor que tinha um cavanhaque descolorido com Blondor, um gospel “revelado” pelo Raul Gil? Robson Monteiro, O ANJO. Ele cantava “e asséééém… vou ficaaaar…. vai ser asséééém, pra sem-pre-vou-te-amaaar…” Nunca suportei esses caras soul que pronunciam as coisas erradamente.
:: Essa semana me lembrei de um filme brasileiro bizarro, acho que o nome é “Primeiro Dia”. Ou é “Último Dia”. Algo do tipo. O que importa é que nós não precisávamos dos não-peitos da Fernanda Torres naquele filme. E o pior é que ela sempre aparecia com uma blusinha semi-aberta, assim, do nada. Pra mostrar um não-peito, don´t know. Na cena seguinte, ela de vestidinho branco molhado e sem sutiã. Depois, de repente, lá estava, banalizado, um peitinho dela escapando. Aff.
:: Eu sempre acho que “processo por prevaricação” tem cunho sexual. sei lá, “prevaricar”, né, é uma palavra tão sexual. Enfim, sei lá, eu posso apenas estar influenciada.
:: Procrastinação. Acho que descobri um novo problema em mim, depois das fobias de mar, multidão, altura e locais fechados. Aliás, procrastinação é o tipo da palavra que o pessoal da TV usa pra fazer aquelas enquetes de rua, sacam? A produção pega uma palavra obscura e que enseje dupla interpretação no dicionário e sai na rua: “Ei, amigo, você já procrastinou alguma vez na vida?” e o TRANSEUNTE, quase sempre um sujeito desdendado, vai fazer cara de riso e dizer “Rapaaaiz, que isso, eu sou casado, faço isso não”. Aí o repórter chega e conta que não é nada disso que ele estava pensando. É nessas horas e nos momentos de transcrever fitas quilométricas que eu tenho horror a essa profissão.
:: Engraçado esse pessoal do interior. Umas mulheres mais velhas, algumas mães de 57040568 filhos, têm vergonha de falar a palavra “sexo” e a substitui por “rélação”. “Não, meu senhor, aquele homem tentou ter ‘rélação’ com a menina e…”
:: Nas novelas, a família rica, quando quer humilhar a pretendente pobre do herdeiro, serve alcachofras no jantar elegante. Ah, e eu comi pizza de alcachofras recentemente e gostei, embora eu prefira palmitos.
:: “Money is master” foi uma frase lida em azulejos portugueses do século XVIII num convento de FRANCISCANOS em Salvador. Em breve, os emocionantes relatos dessa intrépida viagem.
london calling, clash
John Lennon inventou o I Pod
Fiquem com esse vídeo da O!News e acompanhem, aos 46 segundos, uma das mais belas imitações de Paul já vistas. Genial, esse cara. O cara que faz o John Bicho-Grilo também é bem legal. [agora vocês terão entretenimento pra ficar outro mês sem mim... haha]
martha my dear, beatles











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