Eu estou grávida! De Luis Carlos Prestes! Título…

7 08 2006

Eu estou grávida!
De Luis Carlos Prestes!

Título fake, apenas para atrair audiência, relaxem. É palhaçada minha. Mas isso nunca me aconteceu antes: três dias, dois posts. E seis textos para a senzala. Estou que nem o Chaplin naquele filme, apertando parafuso até em sonho, espancando teclados imaginários. E olhem que ainda nem instalei no meu computador com FIREFOX DE GATINHOS [aham, ram] aquele sistema revolucionário das roldanas cubanas politicamente corretas e livres de agrotóxicos.

Mas serei bem honesta com vocês: o motivo para a troca de layout, para os posts, para o FIREFOX DE GATINHOS [ok, isso não precisava, era só pra "me amostrar"] é que esse foi meu último final de semana em frente ao meu computador escândalo. E agora, babes, só próximo mês é que vocês vão me ter de volta. Isso se os paulistanos, cariocas e catarinenses me deixarem regressar, claro. Não, não vou pra caravana do Priscilão do Pedro Bial, pra saber dos “sentimentos do Brasil” [excesso de verba, só pode, pra Globo inventar um lance desses]. Levarei minha palavra e meus ensinamentos em peregrinação a alguns estados brasileiros, farei curas com meu toque.

Sou sensível o suficiente para compreender a dor que aflige e faz sangrar o coração puro de vocês. Será difícil não cortar os pulsos e tomar arsênico, eu sei, mas vocês terão que enfrentar o mundo, andar com suas próprias pernas e voar, voar, subir, subir. Sem mim, ohhhh, drama. Choro. Consternação. E eu aqui, de preto, echarpe e óculos escuros, com um lencinho de poás, borrando a maquiagem. Meu coração bate incompassado.
Sei lá, mas enfim, acessem o Uol.

[...]

Então. Os lugares para onde estou indo, graças aos céus, estão frios. Great. Nem acredito que vou realizar o meu tratamento anual de fechamento de poros! É formidável, é tecnologia, é Renew. Daí, eu tava comentando com a mamãe que, pô, a grana tava curta e eu não tinha como comprar roupas pra suportar temperaturas abaixo de 20ºC, né. Prontamente, mamãe, que é síndica e mobilizadora social dos segmentos proletários aqui do condomínio, resolveu fazer uma campanha do agasalho em prol de mim, com as amigas dela.

- Condôminas de todo o mundo, uni-vos.

OH, MEDO. Imediatamente me lembrei do caso da Abominável Jaqueta Semi-Bag das Cavernas.

O caso da Abominável Jaqueta Semi-Bag das Cavernas
Há alguns anos, fui passar um carnaval na serra. Na falta de roupa de frio, comprei um casaquinho básico, imitação da Adidas [devia ser o Ardidas, Adddidas, sei lá, algo obscuro] pra levar e tal. Mas como para mamãe o mundo não é o bastante, ela me obrigou a também levar para a viagem uma jaqueta jeans dela, que ela jurava que era quente, safe and warm. Como a mala já tava fechada, tive que levar o tal casaco na mão mesmo, dobrado. Ela deve ter planejado tudo.

Daí, quando cheguei na serra e abri, mermão, o susto: era, bem dizer, o elo perdido. Caiu uma lágrima e solucei, eu estava diante da aterrorizante Abominável Jaqueta Semi-Bag das Cavernas. Algo como um jeans todo com pintura irregular, desbotado, meio tye-dye [ui], as costuras amarronzadas, entupido de bolsos na frente e com os braços curtos. CURTOS! Terminando, assim, há uns quatro dedos do meu punho! E era um tipo de manga fofa que ia a-f-u-n-i-l-a-n-d-o quando chegava perto das mãos, com uma abotoadura dourada fosca. ÓDIO de qualquer coisa de afunila. Ah, resumindo: CÉUS, essa deve ser a fardinha que dão pra gente quando descemos ao inferno, junto com o bandejão de suco de cajá e o pretzel fumegante com canela. Nem em meus maiores pesadelos e devaneios eighties eu usaria uma coisa horrenda como aquela. Logo mamãe, que trabalhou com Clodovil Hernandez, como costureira, me apronta uma dessas. Mas o que esse casaco tava fazendo aqui em casa mesmo, hein?!?

Dado esse contexto de trauma de adolescência, explico que, após a campanha do agasalho daqui, algumas peças foram arrecadadas e eu pude escolher uns tricôs razoáveis pra levar. [Tricô me lembra crochê. E tem gente que fala CRÓCHÉ, já viram?] Isso abstraindo os casacos coloridos, a última moda, o ultimo grito [de horror] nos Andes e em Cuzco, talvez, que nem na alta temporada de caça às lhamas na Cordilheira dos Andes eu ousaria usar. Ali tinha influencia do Lino, sem dúvida. Pareciam tapetinho felpudo de banheiro. E tinha até um PONCHO, no meio das arrecadações. UM PONCHO. Mas pra que diabos uma cearense guarda a droga dum PONCHO em casa? Fora esse nome ridículo, PONCHO. Parece xingamento. “Porra, seu bicho idiota, seu PONCHO, onde já se viu”.

Sim. Mas não esperem um final feliz, porque o pior vem agora. Uma das roupas era um blazer um tanto quanto, err, vintage e acetinado demais, DEMAIS, da melhor amiga da mamãe. Ou seja, custasse o que custasse, eu TINHA QUE experimentar o tal blazer. Não, o argumento não era o fato de “fazer a desfeita com a moça”. Mas sim, que não seria ÉTICO eu não experimentar o blazer! De onde mamãe tirou esse papo de ética? E quem é essa tal de ética? Me mostra quem é, que eu chamo pra tomar uma cerveja, pra ela deixar de ser tão quadrada. Ética… sei. Mas assim que vi, algo em meu coração me dizia que não podia dar certo. Eu não vou descrever nada, dessa vez.

Ficou tão largo, mas tão grande em mim, que apenas direi que o apelido da roupa é Blazer Locomia.
Hum, vejam por si sós.

[A minha desculpa pra não usar foi, naturalmente... que eu não tinha um leque desses pra usar junto e fazer uma presença no sul, hahaha]

Mas gente, sério. Aquela jaqueta jeans da mamãe foi uma das maiores vergonhas da minha carreira, constrangedor mesmo. E a galera mó zoando a jaqueta? Puuuts. E eu sempre digo que há que se pensar duas, três, NOVE vezes antes de se usar jeans acima da linha da cintura… Mas depois que me viram com meu fake abrigo adidas lindíssimo, se calaram. E o bom foi que não passei frio lá na serra. Aliás, quase.

Só sei que desde criança tenho fobia de altura, multidão, lugar fechado e banho gelado na cachoeira da serra. Daí, eu e um grupo de amigos masoquistas fundamentalistas descemos a serra lá, tal. Linda, a paisagem. E eu realmente me amarro em uma trilha. Mas naquele dia, inadvertidamente, desci a montanha. Qual não foi a decepção ao constatar que toda a nossa caminhada tinha sido com o único objetivo de congelar numa cachoeirinha lá embaixo… Se alguém tivesse falado, eu teria levado minha prancha de snow board e meu casaco da Patagônia.

Deus me livre, fiquei só olhando o povo sair AZUL E ENGILHADO da água. Ser azul e engilhada não é coisa pra mim, honestamente. Afinal eu tenho berço, né, meus amores. Se ainda fossem aquelas fontes termais a 40ºC, aí sim, tudo bem. Mas cachoeira gelada, tô fora. Parecia alguma sinopse de filme da sessão da tarde, tipo “Entrando numa fria” ou algo do tipo.

E coisas geladas não fazem bem, já diria mamãe. Já não bastam meus futuros problemas no útero por conta do frio do chão gelado que sobe pelas minhas pernas pelo fato de eu andar descalça em casa? Avaliem se eu mergulhasse naquela lagoa azul, eu ia ser acometida de falência múltipla de órgãos, claro.

Cheia de lodo, ainda por cima.
Blé.

the smiths, ask

Porque não sei viver em sociedade - Parte II
No episódio de hoje: O que fazia Keith Richards no alto da palmeira?

Não, esse foi outro título nonsense. O que eu ia falar mesmo era de minha indignação com as pessoas que pensam que, só porque sou jornalista não-praticante, tenho que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Sacam? Como se a gente tivesse uma disciplina permanente na faculdade de, don´t know, “Opinião e Conjuntura Mundial”. Várias vezes já me deparei com grupinhos que descobrem a faculdade que fiz e esperam de mim uma crítica consciente e embasada sobre a esquerda neo-liberal, a crise no oriente médio, a namorada da semana do Dado Dollabella, as sanguessugas no congresso, o Harry Potter, a moda do veludo molhado, a onda de calor na Europa, MEU FIREFOX DE GATINHOS, o sistema de cotas, o Brasil e o mundo e o raio que o parta.

Resumindo, um saco. Lá na aula de espanhol, por exemplo, tive que dissertar sobre preconceito com egressos do sistema prisional. “Mira, mira, vamos a escuchar la periodista…”. É, acontece. O povo adora chamar a gente de “a jornalista”. Na senzala é assim. Galera achando que somos intrépidos o dia inteiro… tolinhos.

Tem muita gente que, aliás, É a sua profissão 24 horas por dia. Sem contar o Jack Bouer, claro. Mas se pudesse, passava o dia de crachá. Tatuaria o crachá logo na testa, pra não ter nem perigo de esquecer. Aff, pois eu não sou assim. Não sou nada 24 horas por dia. Nem mestranda, nem jornalista, nem rabugenta, nem legal, nem blogueira, nem imitadora da Nair Belo. Nem ruiva, imaginem. Tem horas que o sol me deixa loira, depois passa, tal. Tem gente que me conhece pessoalmente e espera muito de mim, sei lá, que eu conte piadas, entorte talheres com o poder da mente ou abra um coco com as mãos. Mal sabem que eu vivo escondendo essa minha misantropia bem resolvida, porém enrustida. É, enrustida. pois há coisas que a gente não pode falar nem fazer pessoalmente, as amarras sociais e as convenções nos tolhem. E vá, não sou mal educada. Mas que dá vontade, dá. “Ô velhinho da cadeira alta do ônibus, não puxe assunto comigo” ou “Seu ambulante do Centro, de-sen-cos-ta, de-sin-fe-ta!”. Assumo, eu sou tão arrogante em alguns casos.

Afinal, às vezes, são dez e meia da noite, você está fora de casa desde as oito da manhã, você passou o dia trabalhando e carregando feno no rancho pra gente estúpida, você tá imunda naquela van MORNA E LOTADA que geralmente cabe mais um [Máximo de Passageiros: 800 | Passageiros a bordo: 799] e sempre tem alguém que solta pra você um “- Eita, e esse tal de mensalão, hein?” ou outra noticia de dez números de Veja atrás.

Grr.

[...]

Um aparte. Vocês não podem deixar de ver isso.
Fora a clássica cena do morrinho de areia apertado na hora do prazer…

[...]

Ok, encerramos por aqui nossa transmissão. Prometo que meu retorno será triunfal e emocionante. Apresentarei o blog ao vivo, no auditório. Pelo menos é sempre assim quando a Ana Maria Braga comemora as coisas, né. No auditório. Daí, chegarei de casaco e helicóptero no Projac, trocarei de microfone pra entrar no estúdio. Descerei a escadinha do palco, fazendo dueto com o Gianechini.

Fui procurar emoções por isso parti
La la la la la la la…
Em busca de sensações que nunca senti
Ao descobrir que isso tudo era só fantasia voltei
Pois na verdade o que eu quero e preciso é somente você

Uns serviçais de torso nu farão pão, ao vivo. Eu acho uma imagem super erótica, homem fazendo pão, sabe. Mas enfim. Farei um artesanato com a pistolinha de cola quente e um sorteio do alto da pilha de cupons, estarei de short curtinho, bota branca de cano infinito. E lutarei contra o Baixo-Astral. Será lindo.

A propósito, me lembrei de um outro nome engraçado, ao lado de Paulo Gorgulho.

- É… Petrônio Gontijo.

:*

yeah yeah yeahs, bang!


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