Onde os fracos não têm vez

21 04 2008

notícias fascinantes do jet-set

Aí eu entro no cinema [cinemas são escuros, guardem essa informação, ela será relevante em breve], me instalo num lugar supostamente seguro e chegam quatro gralhas burras e falantes pra estragar o momento. O cinema tem uns 400 lugares, mas é sempre a MEU LADO que as gralhas burras e falantes costumam se empoleirar. Porque eu nasci com esse zum de besouro, esse imã. Elas já eram trintonas, mas não paravam de se auto-fotografar miguxamente, huahuahua. [silêncio]
Daí, eis que uma das gralhas tece o comentário mais idiota / imbecil / cretino / ridículo / dãã / néscio / jumento EVER.

- Gente, mas eles tão apagando tudo! Gente, que escuro. Acredito não, ó. Tô agoniada, gente.

Aiai.

O que eu fiz: com essa minha altura ridícula e a minha cara de besta, não fiz nada e fiquei alone in the dark, ruminando a raiva, adubando minha gastrite e pensando na injustiça que os chineses tão fazendo com os tibetanos.

O que eu queria ter feito: ser um cara bruto de 1,90m, de regata e muitos pêlos saindo dos lados das axilas, ter me virado e dito ‘agora você vai saber o que é a verdadeira agonia, neném. [rooooooar!!]‘

[Hohoho, chamar a galera de 'neném' é o último grito de horror, eu devo ter sido um pedreiro tarado na encarnação passada, pra ter esse repertório de apelidinhos.]

Mas vamos recapitular. Então você tem frescura / medo / fobia / preconceito / gases / whatever por causa do escuro e resolve reunir suas amigas pra ir ao CINEMA. Ah, tá, acho que agora entendi. Você quer um cinema ILUMINADO.
- Oi, aproveita que você tá sonhando e pede um pônei. Beijos.

Tomara que os céus não levem em consideração os meus pensamentos gore, subversivos e maus, quando soarem os saxofones do Kenny G no momento do apocalipse.

Aquela do Bob Dylan

Tem algumas coisas que eu gostaria muito de ter dito, feito ou escrito. Tipo, quem gosta de livros ou de música já deve ter esbarrado em textos ou composições tão bons, mas tão bons, que dão uma tristeza. Tipo ‘droga, não fui eu que fiz, tsc’, sei lá. Né? [bora, alguém concorde. não vou me expor para exemplificar DE NOVO, né.]
Bem, essa introdução só pra dizer que cada átomo ruivo do meu ser sorriu, soltou confetes e cantou Twist and Shout quando aquela meninazinha do violão, a Mallu Magalhães, foi no Jô Soares, e ele pediu pra ela cantar ‘Folsom Prison’ - ‘aquela do Bob Dylan’.
E ela: ‘Jô… essa é do Johnny Cash’.

Ter 15 anos e corrigir o Jô Soares não-tem-pre-ço.

From UK

Vão lá no link, eu espero TRINTA SEGUNDOS:

Ex-emos migram para a tribo adolescente ‘from UK’
Cansados do preconceito, jovens criam nova moda inspirada no Reino Unido.
Cabelão armado e popularidade na internet são preocupações desta turma.

Então.
Eu tenho medo se os adolescentes indies* do Ceará resolverem ser From UK também. Tadinhos.
Mais de 20 graus celsius nos separam e, convenhamos, o legal de ser From UK é MORAR EM UK, claro.

*pra quem não conhece, a turminha se reúne pitorescamente às sextas e sábados numa praça localizada na rotatória mais movimentada da cidade para chorar, fazer malabares, desfilar o shortinho xadrez, beber cachaça, apalpar each other, reinterpretar citações do Nietzsche e desabafar as muitas angústias e questionamentos existenciais que não couberam no fotolog, tipo ‘pintar o cabelo de roxo ou verde no fim do mês?’ Às 22h, o pai escolhe um carro e vem buscar a criatura. Não que eu seja uma pessoa violenta, mas tenho várias idéias boas pra esse pessoal deixar de frescura. Porra de From UK. Mas vamos deixar pra lá, né, e curtir o meu wallpaper perfeito - ele, Elvis.

Esse sim, um legítimo poodle From UK. Além de acento britânico no latidinho, ele é fleumático, cool e blasé. Além de ter olhos verdes.

P.S.: Ei. Acabei de ver na Veja desta semana - não percam o ensaio do Roberto Pompeu de Toledo sobre o governador Cid Gomes, intitulado “O genro do ano”, hehehe - uma notinha que me deixou muy apreensiva.

Decidi que não vou dar pro Elvis o celular pré-pago que ele havia me pedido. Magina, olhem o comentário “sem entender de onde ela [a voz] vem, ele vive momentos de estresse à sua procura pela casa”. Ôôô judiação, já pensaram no bichinho atormentado, esquizofrênico, ouvindo vozes, “quem sou eeeu, quem sou eeeeu”, “nada mais me lembro”, tudo girando e girando???

Son, contente-se com o playstation e deixe de ser mimado.

.playlist
black, pearl jam
many shades of black, raconteurs



. eu quero o meu Elvis vestido de darth vader

21 08 2007

. eu quero o meu Elvis vestido de darth vader

- Pronto, falei.

. eu também quero esse copo dos simpsons

. um eterno mascar de chicletes

Ou: esqueçam o que eu escrevi antes.
Esse é o verdadeiro post anti-marketing pessoal.

Cena 1.

2007, era primavera. Tava passando na tv um daqueles quadros de paquera. Era tipo na Ana Hickmann Na Caixinha, por ocasião do “dia do solteiro” [ver aquele meu post sobre datas e dias estúpidos inventados na modernidade]. Daí, as meninas que moravam numa daquelas repúblicas onde só tem modelos tavam paquerando uns rapazes que estavam no estúdio do programa e algumas iriam até lá pra conhecê-los. Daí, eu fiquei passada com a “azaração” – gente, que qualidade ruim de diálogos, mêo dêos…

As meninas diziam o que gostavam de fazer:
- Ahh [boca estilo mascando-chiclete], tipo assim, meu, tipo, ir pra balada… ahh, ir pra balada e ir pra balada, tipo assim.

Eu, já sentindo aquela vergonha-alheia, paro tudo pra acompanhar o diálogo. O menino era até mais esperto, perguntava várias coisas e a menina:
- Ahh [masca-chiclete-masca-chiclete], tipo assim, ahhh, gosto de tudo, de ‘pópi-rock’, funk, sou super eclética.

Arrasada, escuto o arremate: mas afinal, por que ela mereceria conhecer o rapaz do programa?
- Ahh [masca-chiclete-masca-chiclete], tipo, sou uma pessoa simpática*, gosto de balada, tipo assim, de me divertir, de beijar mooooooito.

E aí, ela ficou toda se oferecendo pra câmera, dando uma de descolada, até ser chamada pra ir ao programa pra ver o rapaz. E, assim que sentou no sofá com ele, conversou cinco minutos e tacou logo um selinho no cara… nossa, odiei. Pensem numa atitudezinha uó.

* Nota da editora: fofos, tenham medo, muito medo, de três espécies de pessoas: das que PRECISAM INFORMAR que são simpáticas, das ‘ecléticas’ e dos homens que não têm amigas mulheres.

[...]

Cena 2.

Depois eu fui assistir, sábado a noite, o Altas Horas, do tio Serginho Groisman Eno Guaraná. Tadinho, ele não tem dentes mas é super bem intencionado. Acontece que sempre tem o baita azar de só catar jovem burro da platéia pra entrevistar. Tipo, não que todos sejam burros, mas a produção escolhe a dedo, pega os com notas mais baixas nos testes vocacionais, não sei, só pode. Aí, desce uma menina, que nem era muito novinha, e começa a conversar com ele. Seu nome fictício será Vaca - porque se eu tivesse ido com a cara dela, seria Björk, meu outro nome-fictício oficial. Fora que Vaca é um nome ótimo, porque sempre transmite aquele ar de enfado, ‘mascando-chiclete’, né. Olha que adequado, gente. Então imaginem a menina sempre assim, nham, nham, mascando.

Serginho: E aí, garota. Você faz o quê?
Vaca: Cursinho, quero tentar publicidade.
Serginho: Pô, bacana. Escolheu publicidade por quê?
Vaca: Porque é legal.
Serginho: Errr… você gosta de fazer o quê nas horas vagas?
Vaca: Ahh, tipo assim, ir pra balada, cinema, tal.
Serginho: Você tá lendo algum livro?
Vaca: Eu não gosto de ler.
Serginho. !!!!, mas por que não? Nem revista?
Vaca: Não.
Serginho [morto de constrangido]: Então tá, toma aqui a camiseta do programa, brigado.

Olha, fiquei tensa.

- Eu já contei pra vocês que quando eu sinto vergonha-alheia em meio a estranhos, eu finjo que não falo português? É tiro e queda, ninguém comenta nada comigo, é incrível e digno.

[...]

Bom, after all, tirei quatro conclusões. [tentei pensar numa quinta conclusão, porque eu tenho TOC e não suporto a idéia de uma lista de quatro coisas, mas não consegui]

1. A juventude é praticamente um caso perdido.
2. Eu sou um E.T. e nasci na década errada e no lugar errado.
3. Eu não sou mais jovem.
4. Se eu fosse jovem, eu não pegaria ninguém. Ninguém.

Vamos nos deter à quarta conclusão.
Já pensou, eu, EU, num programa desses de paquera?
Absolutamente ninguém iria me querer.

Primeiro porque, a priori, eu tenho uma cara danada de antipática, iria informar que essa luz não me favorece, e não me curvei aos fashion statements - tipo altona, com cabelo liso e comprido, argolonas na orelha [Mônica super sintetizou esse way of life, ó], calça apertada com vestido por cima.

Segundo porque eu tenho um perfil de intelectual chatinha e ninguém iria querer conversar comigo. Eu não faço o tipo ‘feliz, de bem com a vida’, não vou ficar mentindo dizendo que sou ‘simpática’ e, pô, diante desses jovens que amam a balada, eu sou uma tia. O que eu faço da vida? Modelo, analista de sistemas? Não, jornalista e mestranda em história, minha pesquisa é sobre imprensa feminina no século XIX. Olha que menina chata e velha eu sou. Aí o coitado do rapaz iria perguntar do que eu gosto. Balada? Não, de fotografias, de moda, de dormir, de ficar em casa, de comer doce, de ver tv, de escrever e, pior, de LER. E são livros chatos, teóricos, acadêmicos, diários, biografias, além de muitas revistas. Só coisa de gente abusada e entediante, claro. Cinema, eu gosto? Adoro, mas curto filme de terror pra caramba, gosto de cinema francês, latino e espanhol, amo coisas preto e branco, comprei os dvds do Poderoso Chefão e acho isso o máximo. Também gosto de coisas que envolvam investigações, como o CSI. De preferência o Las Vegas. Err, tentemos música, então. Gosta de Capital Inicial, Legião, Jota Quest, ‘pópi-rock’? Assim, sinceramente? Não. MESMO. Gosto de rock inglês, coisas indies, músicas bichas, contrabaixos, tangos, jazz, anos 60, algumas coisas eletrônicas e venho escutando Velvet Underground, T-Rex e David Bowie, que é incrível. Velvet who??? Velvet Undergound… é tão cool. Cool?? Olha o respeito.

Terceiro, porque eu falo ‘a priori’ no dia-a-dia. Querem algo mais DETESTÁVEL?

Quarto, eu nem sei o que diabos as pessoas vêem tanto numa ‘balada’. Acho que eu nem sei o que é uma ‘balada’ direito. E não uso a expressão ‘balada’ no cotidiano, aliás. Tenho abuso. Eu costumo sair de noite, passo a madrugada fora, conversando, comendo pipoca com nescau balls e acho legal.

- Doutor Jairo Bouer, eu tenho algum distúrbio?? Nescau balls causam seqüelas??

Quinto, eu nem sou chegada em chiclete, nem posso fazer tipinho.

Já imaginaram? Nossa, o meu parzinho do programa de paquera evidentemente iria me deixar plantada no estúdio. Aposto que ele iria implorar pra produção trocar aquela doida-ruiva por uma meninazinha normal e simplezinha, que não pensasse muito, nem fosse complicada e só saísse com ele pra jantar e conversar amenidades, sem pressioná-lo com perguntas complexas do tipo “que livro você tá lendo?”. E eu iria sair debaixo de vaias, derrotaaaaaada, xingada, com garrafinhas de água sendo arremessadas em mim…
…e, o pior, o pior, SÓ.

Que puxa. O Márcio Garcia nunca iria conseguir me arrumar um noivo que entendesse minhas piadas, pessoal. Até o Sergio Mallandro conseguiu uma menina lá. ATÉ o Sergio.

- E é melhor eu parar de destruir minha reputação aqui, antes que o namorado se dê conta da minha rabugice e desista de mim, haha. :*

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brujería, los tipitos
oasis, the masterplan
break in case of anything, !!!
wake up alone, amy winehouse
funny little frog, belle & sebastian
jesus is on the main line, aerosmith
why can’t you be nicer to me?, white stripes