Eu quero morar no 41.
15 04 2008Quando eu disser ‘jáá’, faça cara de paisagem para ler

Preciso desabafar que foi lindo e SUAVE quando meu computador EXPLODIU. Porque tava mesmo faltando emoção na minha vidinha e os céus resolveram me mandar dois micro-estrondos durante a madrugada, com um cheirinho delicioso de queimado como um plus a mais. Meu quarto até agora cheira a queimado. Rezem para que não seja meu HD, que, por acaso, contém uma dissertação de mestrado em andamento.
E o meu querido Elvis escolheu O SOFÁ DA SALA PARA VOMITAR EM CIMA. É fantástico o impacto que as palavras ’sofá da sala’ e ‘vomitou’ possuem, em uma mesma frase. E cá estou eu, limpando, lerê.
Those were the days.
Deus, só não me leve a câmera digital, o dinheiro e o meu blush novo. Que eu não iria suportaaaar a doooooor.
…
Mas ainda bem que minha TV a cabo é legal e concentra tudo o que eu preciso para sobreviver com elegância e alegria. Dos seriados tensos da HBO às receitinhas bacanas do Jamie Oliver, além das loucas trips do History Channel [ei, alguém viu as ruínas subterrâneas da Capadócia no sábado? PIREI com aquilo, é suntuoso demais, fora a tecnologia que os cristãos usavam pra se proteger dos ataques dos romanos na época, planejando sistemas de comunicação, orifícios para lancar óleo quente nos inimigos, coisas legais assim].
Mas eu quero mesmo é morar no 41.
Porque lá no canal 41, o GNT, é outra realidade. É tão mais legal. Lá, eu me sinto como se morasse numa cidade que fizesse 15 graus ao meio-dia. Todas as pessoas lá ganham dinheiro para, actually, conversar e serem legais, tipo num bar. Conversar e serem legais, sofisticadas, descontraídas. Ser descontraído e usar um leve cachecol sobre uma regatinha Herchcovitch e um máxi-óculos Roberto Cavalli é a máxima aspiração de todo jornalista antenado e moderno do século XXI.
- jáá! cara de paisagem!
I.
Dia desses, no Happy Hour, com Lorena Calábria, a pautinha era manjadíssima: mulheres que têm de conciliar a vida de mães, profissionais, esposas e donas de casa e blábláblá. Tinha até a Carolina Dieckman pra opinar, com aquela sua constante cara de entojo, sabem como é, uma espécie de bico? Enfim. Aí, o carinha que fica na internet falando porcentagens e curiosidades wikipédicas - ô empregão, você mora no 41 e tudo o que precisa fazer é pesquisar no google coisas tipo ‘você sabia que 99% das mulheres lascam o esmalte na hora de lavar a louça?’ - interveio na conversa para ‘esquentar’ a discussão. ‘Mas vamos esquentar a discussão? Administrar a casa é tão difícil, né. E quando se tem duas casas? Complicado, né, meninas?’
AHAM.
E quando se tem duas casas? Ohhh, claro. DUAS CASAS.
E QUANDO SE TEM DUAS CASAS?
Juro que ele perguntou isso.
E a Carolina Dieckman, com aquela sua constante cara de entojo, responde que, ahh [masca chiclete, masca chiclete] é hiper-difícil viver na ponte aérea, entre Rio e São Paulo, tals, tals.
E QUANDO SE TEM DUAS CASAS? [casas.. casas.. casas.. = escutaram o eco?]
Meirmão, fiquei puta, ó. Em que país eles vivem? Hiper-difícil é viver DEBAIXO DA PONTE, ô criança.
Vamos fazer um movimento separatista do GNT, porque aquilo, definitivamente, não é Brasil. Pô. Come on. GNT, una-se à Suíça.
II.
Pior foi num programa sobre supermilionários. Tá, era no People&Arts, mas podia perfeitamente ser no GNT. Voce sai iludidozinho depois da experiência de ver aquelas vidas. Tinha um cara que vendeu a antiga casa de 7,5 milhões de dolares para comprar outra casa de 7,5 milhões de dólares em um balneário exclusivo de milionários de Nova Iorque. Amey uma das falas do locutor, que dizia - sempre com uma grande naturalidade: ‘A nova casa de John deveria ter um pé-direito alto, de cinco metros. Afinal, o casal passará pelo menos DUAS SEMANAS POR ANO nesta nova casa, no verão’. Hohoho.
O mais legal é que as entrevistas com os milionários sempre terminam com alguma mensagem sobre simplicidade, a importância da meditação, os pequenos prazeres da vida que o dinheiro não pode comprar, como um… pôr-do-sol.
Se eu tivesse 200 mil na conta, já estaria rindo à toa, apreciando qualquer lua réa no mundo, ó.
III.
Falando em casa, passou uma super casa aqui no Brasil, dia desses. A Residência Cavanellas foi projetada pelo Niemeyer e tem paisagismo de graminhas quadriculadas em diversos tons, do Burle Marx, entre montanhas verdes. Tsá? E laguinhos particulares e beija-flores que vêm sorver o néctar das tulipas plantadas lá. E mobiliário dos 50’s, tipo, com peças assinadas por Le Corbuisier. Se você não está chorando de emoção diante dessas informações, se isso não quer dizer nada pra você, bom, joga no google, ohh, fariseu. Porque é-mui-to-lu-xo. Aliás, uma casa com nome, tipo ‘Residência Cavanellas’ é… incrível. E o dono dando a entrevista com cara de paisagem de Burle Marx?
‘Quando vi essa casa, me apaixonei’.
Não diga, darling.
- Eu também.
IV.
Como se já não bastasse Renato Machado. Na Globo, ele edita o jornal mais legal de todos, sempre com matérias de óperas e culinárias chiques no final,com os jornalistas sendo descontraídos em poltronas soltas, tipo sala de estar. Delícia. No GNT, seu cotidiano é de degustação de vinhos bááááárbaros, que ele define com adjetivos complexos, tipo ‘generoso’. Morram. E aprendam, é coisa de pobre, coisa de emergente, dizer que vinho é encorpado, doce ou seco. Que reles, gente. Digam sempre algo que vocês acham bonito, palavras que teoricamente não estariam associadas a um vinho, mas que podem dar a ilusão de conhecimento profundo. E, por fim, tenham a certeza de que ninguem entenderá - mas todos reagirão como se entendessem e passarão a te respeitar por isso. Tipo uma coisa que eu já escutei, que era ‘hmmm… anguloso’.
Falando em degustação, desde o final de semana passado meu sonho é dizer ‘Vamos para o Caravaggio’e sair batendo meu saltinho esnobe. Foi a cena que eu vi, ao entrar num restaurante local, dita por um cara que não tinha reserva, não entrou e resolveu ir ao Caravaggio, eleito na Veja Fortaleza como o melhor restaurante da cidade.
Mas eu não tinha reserva e… entrei.
Rá.
Miacho.
V.
Um post sobre luxo é uma oportunidade singular de revelar aos três leitores remanescentes do Flows que eu passei uma semana num spaaaaaa. Spaaaaaaa. SPAAAA. Tão bom falar SPA, né, gente. Foi em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, o Hotel Villa Europa & Spa do Vinho Caudalie Vinothérapie. Ufa. E com todas as despesas pagas pela organização do evento que fui cobrir. ‘Despesas pagas’ significam motorista à disposição, café da manhã com iogurte de ovelha, mirtilos e pelo menos cinco tipos de queijos pra escolher, além de jantares, passeios e iates. Eu fiz cara de paisagem vinícola all the time, pagando de chique, de crachá. Até hoje não acredito que passei uma semana dormindo numa cama daquele tamanho, em frente às parreiras da Miolo. Uma cama que deve ser medida em hectares, assim como todas as propriedades dos ricos.
- Essa é a minha Bento Goncalves*.
VI.
*Ah, digam que vocês também assistem ao programa do Álvaro Garnero, na Record. É o 50 por 1, onde ele fala das viagens looosho que ele já fez na vida. O mais legal é que ele narra tipo ‘Esse hotel tem apenas sete bangalôs, muito exclusivos, para seus hóspedes. Só o teto do hall de entrada, em cristal de murano, custou 10 milhões de dólares. Mas essa ainda não é a minha Dubai’. Aí, depois ele vai em algum mercado de especiarias chiques e únicas, tal. Pega umas ervas na palma da mão, se diz fascinado com os aromas da região e diz: ‘Essa… é a minha Dubai’. Eu me passo demais, demais.
VII.
Falando em Record. O que é o RODRIGO FARO apresentando dois programas? Quem inventou que o Rodrigo Faro tem carisma? Desde quando o Rodrigo FUCKIN’ Faro é alguém???
VIII.
Enquanto isso…

Oportunismo ou humorzinho negro?
Cartas para a redação.
Para a redação do ego.globo.com, por terem esquecido o ‘onde’ da frase, em plena manchete.
…
Desfaz-se nesse momento nossa cadeia de blog e televisão.
E pode desmanchar a cara de paisagem, beijos.
.playlist
slayer, hell awaits
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- Ângela Bismarchi, NATURALIDADE is your middle name. 






- Eu queria parabenizar a Globo pela inesquecível noite de sexta-feira que me proporcionou. Minha primeira promessa de fim de ano é essa, é não ligar a tv na sexta a noite, pelo menos em canais abertos. Mas não falo somente do Globo Repórter sobre problemas de sono – quem me conhece minimamente ou já me viu de binóculos a pelo menos 406707356783506m de distância nota as minhas vistosas olheiras –, que achei muito legal, mesmo. Falo do combo ‘suicídio & desilusão plus’ da emissora: um programa que homenageava o Renato Russo, no lugar do soturno ‘vou fazendo o frete cortando o estradããão…’. É a famosa troca do ‘seis por meia dúzia’. Depois, a 56456740704ª entrevista bombástica e exclusiva de Caetano Veloso, para o Jornal da Globo. Ah, era aquilo de sempre, falava sobre sua fase rocker, a cena corrupta de Brasília, que superou o divórcio, os 100 anos de dona Canô, opiniões relevantes sobre o mercado financeiro nervoso, o Lula de novo, minha nova colcha de cama, os novos rumos da moda do vestidinho trapézio, a verdade sobre Luana Piovani, sei mais lá o quê. Pra doer mais, a melancia do bolo [porque cereja não estraga o suficiente, né]: vi que no Jô Soares o entrevistado de destaque seria o meu, o seu, o NOSSO ídolo ERI JOHNSON. Grátis, Lexotan. Gente, que booooooooooring.

.nova espécie pós-moderna é catalogada




# catiguria












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