11 11 2006

.direto ao assunto

O primeiro post, abaixo, foi apenas um preâmbulo.
E a palavra “preâmbulo”, vocês sabem, é mui-to-le-gal.

.vou te contar

Nada contra o everlasting love entre o casalzinho pré-adolescente de Páginas da Vida. Mas TUDO contra aquele Chopin - acho que é Chopin - que se intromete toda vida bem na hora H das crianças. Depois de 6037830568 sonatas e 80760572604 concertos de piano [esse personagem deve ser lobby do Renato "Queijos&Vinhos" Machado, do Bom Dia Brasil], eis que o sósia do Felipe Dylon pega de verdade, pesaaaado, a comedorazinha de cocada. Legal, se a cena não tivesse durado TRÊS capítulos. Entediante. Era tudo muito tântrico pro meu gosto.

Beija o nariz - Chopin. Agora o queixo - Chopin. Toca a alcinha da blusa - Chopin. A brisa saracoteia as janelas da casa da serra de Petrópolis - Chopin. O sol inunda o quarto no dia seguinte - …Chopin! Tudo bem que as cenas tórridas de Emmanuelle eram intercaladas com as paisagens do país em que ela estivesse, mas não há comparações. Inclusive pelos instigantes títulos, como Emanuelle and the Last Cannibals (1977), Emmanuelle Goes to Cannes (1985) ou Emmanuelle Private Collection: Emmanuelle vs. Dracula (2004).

Ah, meus 13 anos.

Sim, voltando. Forçação maior ainda foi o inimaginável diálogo pseudo-descolado-contemporâneo entre mãe e filha, com ares de cumplicidade, no day after. Isso depois de 15 flashbacks de surreais conversas da mãe com outras mães da alta sociedade, durante um chá das cinco, sobre a necessidade de sempre comprar camisinhas pros filhos e filhas e deixar na carteira deles.

- Filha! Que lindo. [abraço emocionado] Sei bem como você está se sentindo. É tão mágico!
- Mãe, queria te contar tudo, como aconteceu…
- Não, filha. Meu amor, guarda isso só pra você, no seu coraçãozinho…

Como assim?!? A menina queria contar TUDO pra mãe? Come on, que país é esse? Observem a atitude EMO dessa geração de adolescentes. Mané contar pra mãe, porra. Isso é falta de peia. Se fosse na vida real, no meu tempo, era exatamente o contrário. A gente era true nos eighties. A filha querendo esconder o chupão no pescoço, jogando o cabelo em cima e tampando com base de maquiagem - no tempo em que ainda havia chupão, claro. A mãe fingia que não sabia de nada e fuçava as coisas da gente, até encontrar as camisinhas e pílulas que tanto procurava.

.túnel do tempo

Ainda no assunto “gerações”, não posso deixar de abordar as tendências culinárias que dominam os cardápios contemporâneos. Não falo apenas do catupiry e do queijo cheddar, que invadem coxinhas, empadas, tortas, ruffles, pringles, cafés com leite e qualquer coisa que a gente consuma no dia-a-dia. Mas vocês hão de convir que há coisas, como os tomates secos, que aparentemente não existiam há, sei lá, 15 anos. No meu tempo, a pizza era mista/mussarela/portuguesa. E olhe lá. Não havia a pizza de tomate seco com mussarela de búfala no cardápio, por exemplo. Embora tomates e búfalas estejam por aí, nas ruas, nas praças, nos clubes, há séculos.

.children

Mamãe vive me rogando pragas, dizendo que ainda terei filhos histéricos e que me darão muito trabalho. Tudo porque não gosto de crianças. Mas não odeio pivetes de modo geral. Só repudio os burros e os incovenientes, é tudo tão simples. Eu não sou uma pessoa difícil, enfim.

Essa semana, me chamaram de “galega” de novo. Não sei porque, me lembrei que, por conta de meu biotipo, ahn, exótico para os padrões locais, tive que agüentar por toda minha vida escolar os coleguinhas malas que chamavam minhas sardas de sarnas. Imbecis. Se a pessoa é imbecil aos cinco aninhos, imaginem aos trinta. Fora que eu era exemplinho nas aulas de genética, sobre os recessivos e os albinos. O professor falava do assunto e era imediato, a galera virava pra trás e mirava. Crianças estúpidas. Odeio crianças estúpidas.

.hereditariamente

Eis que a fatura do cartão de crédito do papai chega super depois do vencimento. Ele liga pra reclamar, com aquela delicadeza típica de nossa família gentil. Detalhe que ele já estava puto com a euforia do locutor do futebol de areia, que torcia para Portugal em cada gol.

Telemarketing 1: Bom dia, senhor.
Papai: Seguinte. Eu queria comunicar que a minha fatura só chegou hoje, depois do vencimento. Espero que isso não me traga nenhum problema.
Telemarketing 1: Um momento, senhor… Olha, o cartão do senhor venceu no dia 07 e hoje é dia 11, senhor.
Papai: Certamente. Se eu não ligasse pra você, aposto que jamais teria observado essa questão das datas. Olha, mas quero reclamar sobre o serviço de vocês. Como a empresa deixa a fatura chegar na minha casa quase UMA SEMANA depois do vencimento?
Telemarketing 1: Reclamação sobre serviços é em outro setor, senhor. Vamos estar transferindo sua ligação.

[30 minutos - Chopin]

Telemarketing 2: Boa tarde, senhor.
Papai: Opa, boa tarde, já estou esperando há meia hora. É, as coisas são sempre assim. Quando não interessam à operadora de cartões, vocês deixam o cliente exausto, de molho, pra ver se desiste da reclamação, não é. Enfim, depois falamos sobre o processo que posso mover. Estou ligando para reclamar sobre o envio da fatura de vocês. Aliás, o “não-envio” da fatura. Não é a primeira vez que isso acontece.
Telemarketing 2: Por favor, o senhor pode me confirmar alguns dados, por questões de segurança do nosso sistema? Nome do pai?
Papai: Manoel…
Telemarketing 2: Nome da mãe?
Papai: Maria… É, por favor, meu querido, qualé seu nome?
Telemarketing 2: André.
Papai: E o nome do seu pai?
Telemarketing 2: ?
Papai: É por questões de segurança aqui do meu sistema. E o nome da sua mãe?

.empreendedorismo

Não, eu não sou frustrada por não ter sido rainha do milho na minha quarta série. Ohh, eu era tão feinha, que só vendo. Não tinha nenhuma perspectiva, diante daquele meu corte horroroso de cabelo horroroso. Mas enfim, tínhamos as semanas culturais da escola e a feira anual de ciências como oportunidades únicas de mostrar o corpo para os meninos, durante o ano letivo. Lembro-me de que sempre pensei grande, nesses eventos. Na oitava série, ficamos no pódio, com nosso projeto que envolvia operações genéticas com ratinhos. Não, nenhum foi maltratado em nossos experimentos.

Mas todo o auge foi na terceira série, quando morava em Recife. Sim, eu trouxe a AMBIÇÃO para minha equipe. Porque o projeto era super sem graça, não lembro nem o que era, devia ser aqueles vasos comunicantes super previsíveis. Mas havia a guerra dos brindes: as equipes com os melhores brindes sempre recebiam mais visitantes e isso era sinal de muito status. Como esse sempre foi um valor espiritual que prezei, tive a idéia de juntar minhas outras amigas de 10 anos e pedir patrocínio na fábrica da COCA COLA, em Jaboatão dos Guararapes. Rapaz. As pivetas fardadas, tudo pegando um ônibus intermunicipal, escondidas, BR adentro, pra ir a fábrica da Coca Cola. Nem preciso dizer que minha mãe quase teve uma síncope - e quase levo uma surra, quando ela soube. É, surra. Porque minha educação foi super true, ó. Na minha época, tinha mané terapia não.

A informação relevante foi que eles, depois de nos doparem com litros de coca, deram réguas, marcadores de livro, um monte de caneta, umas miniaturas, ISQUEIROS [para nós, pivetas de 10 anos, isqueiros, detalhe] e uns bonés super bacanas, que foram disputados a tapa por toda a escola. Até os professores queriam.

Fica a lição de vida de hoje, que deve ser algo do tipo: tudo vale a pena, quando bonés estão em jogo. [filmes americanos quase sempre terminam com esse tipo de frase "estúpida" - que é minha palavra do dia, como vocês já observaram. It´s such a beautiful word]

[...]

- Pois é. Até que trombei com Gianecchini solteiro e minha vida mudou.

suede, the drowners


Bookmark and Share

.direto ao assunto O primeiro post, abaixo, foi a…

11 11 2006

.direto ao assunto

O primeiro post, abaixo, foi apenas um preâmbulo.
E a palavra “preâmbulo”, vocês sabem, é mui-to-le-gal.

.vou te contar

Nada contra o everlasting love entre o casalzinho pré-adolescente de Páginas da Vida. Mas TUDO contra aquele Chopin - acho que é Chopin - que se intromete toda vida bem na hora H das crianças. Depois de 6037830568 sonatas e 80760572604 concertos de piano [esse personagem deve ser lobby do Renato "Queijos&Vinhos" Machado, do Bom Dia Brasil], eis que o sósia do Felipe Dylon pega de verdade, pesaaaado, a comedorazinha de cocada. Legal, se a cena não tivesse durado TRÊS capítulos. Entediante. Era tudo muito tântrico pro meu gosto.

Beija o nariz - Chopin. Agora o queixo - Chopin. Toca a alcinha da blusa - Chopin. A brisa saracoteia as janelas da casa da serra de Petrópolis - Chopin. O sol inunda o quarto no dia seguinte - …Chopin! Tudo bem que as cenas tórridas de Emmanuelle eram intercaladas com as paisagens do país em que ela estivesse, mas não há comparações. Inclusive pelos instigantes títulos, como Emanuelle and the Last Cannibals (1977), Emmanuelle Goes to Cannes (1985) ou Emmanuelle Private Collection: Emmanuelle vs. Dracula (2004).

Ah, meus 13 anos.

Sim, voltando. Forçação maior ainda foi o inimaginável diálogo pseudo-descolado-contemporâneo entre mãe e filha, com ares de cumplicidade, no day after. Isso depois de 15 flashbacks de surreais conversas da mãe com outras mães da alta sociedade, durante um chá das cinco, sobre a necessidade de sempre comprar camisinhas pros filhos e filhas e deixar na carteira deles.

- Filha! Que lindo. [abraço emocionado] Sei bem como você está se sentindo. É tão mágico!
- Mãe, queria te contar tudo, como aconteceu…
- Não, filha. Meu amor, guarda isso só pra você, no seu coraçãozinho…

Como assim?!? A menina queria contar TUDO pra mãe? Come on, que país é esse? Observem a atitude EMO dessa geração de adolescentes. Mané contar pra mãe, porra. Isso é falta de peia. Se fosse na vida real, no meu tempo, era exatamente o contrário. A gente era true nos eighties. A filha querendo esconder o chupão no pescoço, jogando o cabelo em cima e tampando com base de maquiagem - no tempo em que ainda havia chupão, claro. A mãe fingia que não sabia de nada e fuçava as coisas da gente, até encontrar as camisinhas e pílulas que tanto procurava.

.túnel do tempo

Ainda no assunto “gerações”, não posso deixar de abordar as tendências culinárias que dominam os cardápios contemporâneos. Não falo apenas do catupiry e do queijo cheddar, que invadem coxinhas, empadas, tortas, ruffles, pringles, cafés com leite e qualquer coisa que a gente consuma no dia-a-dia. Mas vocês hão de convir que há coisas, como os tomates secos, que aparentemente não existiam há, sei lá, 15 anos. No meu tempo, a pizza era mista/mussarela/portuguesa. E olhe lá. Não havia a pizza de tomate seco com mussarela de búfala no cardápio, por exemplo. Embora tomates e búfalas estejam por aí, nas ruas, nas praças, nos clubes, há séculos.

.children

Mamãe vive me rogando pragas, dizendo que ainda terei filhos histéricos e que me darão muito trabalho. Tudo porque não gosto de crianças. Mas não odeio pivetes de modo geral. Só repudio os burros e os incovenientes, é tudo tão simples. Eu não sou uma pessoa difícil, enfim.

Essa semana, me chamaram de “galega” de novo. Não sei porque, me lembrei que, por conta de meu biotipo, ahn, exótico para os padrões locais, tive que agüentar por toda minha vida escolar os coleguinhas malas que chamavam minhas sardas de sarnas. Imbecis. Se a pessoa é imbecil aos cinco aninhos, imaginem aos trinta. Fora que eu era exemplinho nas aulas de genética, sobre os recessivos e os albinos. O professor falava do assunto e era imediato, a galera virava pra trás e mirava. Crianças estúpidas. Odeio crianças estúpidas.

.hereditariamente

Eis que a fatura do cartão de crédito do papai chega super depois do vencimento. Ele liga pra reclamar, com aquela delicadeza típica de nossa família gentil. Detalhe que ele já estava puto com a euforia do locutor do futebol de areia, que torcia para Portugal em cada gol.

Telemarketing 1: Bom dia, senhor.
Papai: Seguinte. Eu queria comunicar que a minha fatura só chegou hoje, depois do vencimento. Espero que isso não me traga nenhum problema.
Telemarketing 1: Um momento, senhor… Olha, o cartão do senhor venceu no dia 07 e hoje é dia 11, senhor.
Papai: Certamente. Se eu não ligasse pra você, aposto que jamais teria observado essa questão das datas. Olha, mas quero reclamar sobre o serviço de vocês. Como a empresa deixa a fatura chegar na minha casa quase UMA SEMANA depois do vencimento?
Telemarketing 1: Reclamação sobre serviços é em outro setor, senhor. Vamos estar transferindo sua ligação.

[30 minutos - Chopin]

Telemarketing 2: Boa tarde, senhor.
Papai: Opa, boa tarde, já estou esperando há meia hora. É, as coisas são sempre assim. Quando não interessam à operadora de cartões, vocês deixam o cliente exausto, de molho, pra ver se desiste da reclamação, não é. Enfim, depois falamos sobre o processo que posso mover. Estou ligando para reclamar sobre o envio da fatura de vocês. Aliás, o “não-envio” da fatura. Não é a primeira vez que isso acontece.
Telemarketing 2: Por favor, o senhor pode me confirmar alguns dados, por questões de segurança do nosso sistema? Nome do pai?
Papai: Manoel…
Telemarketing 2: Nome da mãe?
Papai: Maria… É, por favor, meu querido, qualé seu nome?
Telemarketing 2: André.
Papai: E o nome do seu pai?
Telemarketing 2: ?
Papai: É por questões de segurança aqui do meu sistema. E o nome da sua mãe?

.empreendedorismo

Não, eu não sou frustrada por não ter sido rainha do milho na minha quarta série. Ohh, eu era tão feinha, que só vendo. Não tinha nenhuma perspectiva, diante daquele meu corte horroroso de cabelo horroroso. Mas enfim, tínhamos as semanas culturais da escola e a feira anual de ciências como oportunidades únicas de mostrar o corpo para os meninos, durante o ano letivo. Lembro-me de que sempre pensei grande, nesses eventos. Na oitava série, ficamos no pódio, com nosso projeto que envolvia operações genéticas com ratinhos. Não, nenhum foi maltratado em nossos experimentos.

Mas todo o auge foi na terceira série, quando morava em Recife. Sim, eu trouxe a AMBIÇÃO para minha equipe. Porque o projeto era super sem graça, não lembro nem o que era, devia ser aqueles vasos comunicantes super previsíveis. Mas havia a guerra dos brindes: as equipes com os melhores brindes sempre recebiam mais visitantes e isso era sinal de muito status. Como esse sempre foi um valor espiritual que prezei, tive a idéia de juntar minhas outras amigas de 10 anos e pedir patrocínio na fábrica da COCA COLA, em Jaboatão dos Guararapes. Rapaz. As pivetas fardadas, tudo pegando um ônibus intermunicipal, escondidas, BR adentro, pra ir a fábrica da Coca Cola. Nem preciso dizer que minha mãe quase teve uma síncope - e quase levo uma surra, quando ela soube. É, surra. Porque minha educação foi super true, ó. Na minha época, tinha mané terapia não.

A informação relevante foi que eles, depois de nos doparem com litros de coca, deram réguas, marcadores de livro, um monte de caneta, umas miniaturas, ISQUEIROS [para nós, pivetas de 10 anos, isqueiros, detalhe] e uns bonés super bacanas, que foram disputados a tapa por toda a escola. Até os professores queriam.

Fica a lição de vida de hoje, que deve ser algo do tipo: tudo vale a pena, quando bonés estão em jogo. [filmes americanos quase sempre terminam com esse tipo de frase "estúpida" - que é minha palavra do dia, como vocês já observaram. It´s such a beautiful word]

[...]

- Pois é. Até que trombei com Gianecchini solteiro e minha vida mudou.

suede, the drowners


Bookmark and Share

.faltam 12 dias Separem a melhor roupinha de vo…

11 11 2006

.faltam 12 dias

Separem a melhor roupinha de vocês. Teremos um evento importante para ir, no dia 23 de novembro, as 18h.

Sugiro sapatos confortáveis e tecidos leves, por conta do calor INSUPORTÁVEL DESSA CIDADE QUE SÓ VIVE ENSOLARADA NÃO VENTA NÃO CHOVE NÃO NEVA E NÃO TEM GAROA E FICA SEMPRE NESSE CLIMINHA HORRENDO QUE ACABA COM O CABELO E A PELE DA GENTE E AINDA POR CIMA NOS FAZ SUAR EM BICAS PERDENDO TODA A FINESSE E DEIXANDO TODO MUNDO COM CARA DE MONSTRO CANSADO E COM A PELE BRILHANTE ASSIM QUE SAI DE CASA AS OITO DA MANHÃ.

- Ahh, desabafei. Mas conto novos detalhes do evento secreto posteriormente, em breve.
Se matem de especular nos coments - conheço vocês.

elvis costello, she


Bookmark and Share