.just think about
29 06 2007.just think about
Honestamente, não agüento mais o cinismo do Renan Calheiros, o relaxa-e-goza da ministra do turismo, a cara de pastel do Presidente falando que os suecos não falam mal da Suécia e os brasileiros é que falam mal do País. Jô Soares, admito, falou algo inteligente ante-ontem. “Como é que um dinamarquês vai falar mal da Dinamarca? Oh, veja, Hans. Os tiroteios logo ali naquela favela adiante, na colina verdejante. Ainda bem que todos têm seguro-saúde aqui…”
Decidi não acompanhar mais o noticiário político, por enquanto.
- Isso é politicamente incorreto?
Estapeiem-se, passem noites insones, consultem a Bíblia, whatever… e respondam a mais esta instigante e silogística questão.
Rá.
.soccer
Escrevi o comecinho desse post no domingo. Troquei a parada gay local pelo jogão do São Paulo na tv, ó. Mulher moderna? Também. Mas é que se for pra escolher entre ficar suada e imprensada no meio de 500 mil pessoas e ver homens suados na tv jogando pelo meu time… Aiai, esse tricolor só me dá alegrias. Ah, e Richarlyson, te apóio. Tem que ser muito macho pra se assumir gay nesse meio.
Sem trocadilhos para “esse meio”, por favor.
Opa, ainda não assumiu oficialmente? Então abafa, bicha. Mal aê. Soube que, aliás, assumiram antes que ele assumisse, lá no programa do Milton Neves. Que mico, hein. Ninguém tava nem lembrando do Richarlyson e o cara do Palmeiras fala com a maior naturalidade do mundo: “Não, é porque o Richarlyson…”.
Milton deve ter ganho um bocado de dinheiro com o, err, digamos, furo jornalístico. Haha, eu tinha que usar uma expressão pouco apropriada, han. “A gafe homérica tem o oferecimento de Goodyear”. Well, well, well. Constrangimento geral.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=lwogQ3G4Hhs]
- E “o senhor chutou O BALDE” foi a melhor piada pronta ever, ever.
Só lembrando que, se algum invejoso unir sãopaulinos e bambis na mesma frase nos comentários ou fizer insinuações engraçadinhas, vai se ver comigo. Aqui a gente não trabalha com democracia, valeu?
O Vampeta é quem se pendura nú e em riste na trave, e a gente é que leva a fama…
Come on.
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E antes do post-post, deixa só eu comentar. Cês viram que cabelo HEDIONDO o do Ronaldinho? Cliquem na foto do Kaká e confiram.
Claro, foto do Kaká. Bem doida, que eu ir colocar foto do Ronaldo aqui.
No meu blog entra só gato de cinema, benhê.
Ah, se eu tivesse uma borracharia…
.sadomasoquismo musical
Sabem aquelas músicas dramáticas que a gente escuta de propósito, sabendo que iremos sofrer, sofrer e sofrer? Depois, fragilizados, fazemos besteira, telefonamos bêbados pra alguém ou escrevemos emails impensados e passionais? Aham, vi mó galera se identificando agora.
Há muitas canções como essas, que existem para nos recordar de momentos intensos – bons ou ruins – ou simplesmente para nos fazer chorar horrores, remetendo às nossas fraquezas mais secretas, a erros do passado, a sentimentos não-correspondidos, a sonhos não concretizados. Nossos segredos e lamentações mais recônditos, inconseqüentes e darks, sacam. Eu mesma tenho uma série de músicas que dão conta das minhas histórias e pisam nos meus maiores calos psicológicos e sentimentais, uma playlist super corta-pulsos e escondam-as-giletes-e-barbitúricos, que escuto vez por outra pra dar uma choradinha básica e me sentir, you know, alive. E não é uma lista previsível, tem muitas coisas que o povo não suspeita. Claro, não há forrós nem axés [sou cool até no meu sofrer] e, obviamente, é mais um item protegido por alto nível de sigilo – nota mental: mais uma coisa a apagar do meu HD, Elvis.
Ah, Elvis, se ainda há alguém no mundo que não saiba, é meu everlasting love. Um poodle de parar o trânsito, olhos verdes e tal.
Então. Assumam, reconheçam que possuem uma playlist deprê, tipo sorrow & pain. Todo mundo tem a sua e ninguém escuta Maria Bethânia assim, impunemente, pra ficar tipo super feliz e sair dando bom dia pras plantinhas do jardim.

O fato é que não pude me furtar ao deleite de encontrar e escutar a musa, a deusa, a subterrânea – Núbia Lafayette. Sim, she´s dead, mas venho há dias obcecada por suas contribuições, que são de vital importância para compreendermos o universo peculiar que abrange o mundo decadente da mulher submissa aos desígnios dos machos mais cachorros. No meu planetinha, atitudes de mulher Amélia fazem bem pouco sentido, certo. Mas tomem nota dessas letras. E, antes de tudo, esclareço: vocês bem sabem que eu sou uma feminista, mas hoje acordei assim, com vontade de quebrar paradigmas.
Núbia trata daquela filosofia do “ele bate em mim e me despreza, mas eu sei que no fundo isso é amor”. É o tipo de música inacreditável que, se não nos faz sofrer, ao menos nos deixa indignados. Tem como passar despercebido não. E se o nome disso não for catarse, não sei de mais nada.
Comecemos por “Coisa à toa”, onde ela canta:
Por qualquer coisa à-toa,
Ele me maltrata,
Me bate e me deixa
Por qualquer coisa à-toa,
Ele volta zangado,
E eu não tenho queixa.
Mas a melhor parte é:
E faz cara de asco,
Que me lembra o carrasco,
De um filme de horror
De repente faminto,
Me olha e eu me sinto
Perdida de amor.
Não, não, a parte mais legal meeesmo é essa, que contém todo o escopo do cafajeste-blasé. Ô espécie medonha. E “saciado” depois do amor é tudo – para acrescentar na galeria ao lado de “faminto” e “sedento”. Mas atenção quando ela faz a metáfora do “cãozinho a seus pés”. Ela só poderia estar brincando. Vai, digam que ela estava. Toma uma bifa do marido e fica toda gamadona, a chama da paixão super acesa, não é possível. Onde já se viu, alôou.
Com um gesto, me chama,
Me acarinha e me ama,
E eu me sinto mulher
E depois saciado,
Ele vira de lado,
Como quem não me quer
E eu igual a um cãozinho,
Vou dormir quietinho,
Enrolado a seus pés
Esquecida que há pouco,
Sem motivo este louco,
Só me deu pontapés.
Essa parte a seguir eu, inclusive, dramatizei em uma mesa de bar, diante até de desconhecidos. “Esse cara é meu mundo”. Uau. Acho que eu nunca havia me desprendido tanto de minhas convicções assim, em público.
Ele faz tudo isso,
Toma chá de sumiço,
Mas no fim me perdoa
Este cara é meu mundo,
Pois no fundo no fundo,
Sei que sou coisa à-toa.
Diante de tudo isso, ela ainda se proclama uma “coisa-à-toa” e diz que ele, aff, A PERDOA! Geeeente. Essa música, “Coisa à toa”, da mulher toda apaixonada e doente de amor, deve ser para o mesmo safado e tratante que mentia descaradamente pra ela. Sim, sim, eu sei de toda a verdade. MENTIA! Imaginem que ele dizia ficar preso no trabalho até tarde. Absurdo, não? Em “Casa e Comida”, Núbia fala do notório cinismo masculino.
É triste confessar, mas é preciso
Você não teve juízo em dizer que não me quis
Perdoa, meu amor, não sou fingida,
Não é só casa e comida que fazem a mulher feliz
Noites, quantas noites, eu passava
Por você abandonada, a chorar na solidão
E quando eu reclamava, você ria,
Me dizendo que ficava no escritório, no serão.
Puxa vida, viram? Só precisamos de um pouco de carinho e atenção, pois. E sabem como ela esperava o sujeito em casa? Toda arrumadinha, janta na mesa, tv já no canal do futebol. Puts. Na letra de “À maneira antiga” ela conta todos os preparativos, o licor feito por ela, a camisolinha rosa para parecer mais moça. Chega dá raiva, quando imaginamos o “meu marido, amante e rei” chegando sorridente e cansado depois de meia-noite em casa, o colarinho aberto, perfume barato de alguma ninfetinha vadia de beira de estrada, bafinho de bebida ordinária. Direto da esbórnia, aposto. Aí vira pro lado e dorme. Hunf! Ora, francamente. Vi isso na novela dia desses, é a mais pura realidade, Gilberto Braga não mente jamais. O palhaço do marido deu até uma GELADEIRA de presente pra esposa, daquelas que sai a água na porta, pra apagar a suspeita da infidelidade que rondava. Grr. Anotem, homens do meu Brasil: jamais, jamais dêem presentes domésticos para a esposa. Ítens domésticos são para a casa, a sanduicheira é de uso comum, o capuccino maker é de uso comum e por aí vai. Ora, bolas. Onde já se viu. Um fogão de aniversário. Que acinte.
Evocando a gentileza,
À maneira antiga,
E em seguida, vou abrir a cristaleira,
E servir um bom licor,
Do fruto da amoreira,
Que com carinho, eu mesma preparei
Pra agradar ao senhor homem,
Meu marido, amante e rei.Eu vou vestir a minha roupa rosa,
A que me faz mais nova e me faz mais menina
Vou esperar quem amo no portão,
E lhe provar porque razão,
Sou a melhor amiga
E jamais vou exigir prova de amor
No entanto vou lhe dar
Quantas coisas precisar
Ele é mais homem e eu muito mais mulher
Cada vez que ele imagina
Que eu só faço o que ele quer.
Eu não sei de quem eu tenho mais raiva. Se dele ou dela. Se esse post tinha planos de ser uma análise isenta, fracassou total. Não consigo ser blasé diante dessas evidências. É muita sacanagem, pessoal. Já neste trecho de “Afinal”, nossa dama do bas-fond ensaia uma reação - super noir, claro - aos desmandos e abusos masculinos. Expulsa aquele cretino que tanto mal fazia, mas conforma-se que, ao colocar outro homem-cachorro em sua vida, ela estará entrando em nova enrascada, a inocente. Que sina. É como na piada do português, que vê a casca de banana adiante e diz: “Ora pois, lá vou eu tropeçar de novo, pá”.
Mas enfim, adoro um drama. Eu nem tomo cachaça, sabe. Mas confesso que não há absolutamente nada mais apropriado. Tô passé composé.
Tu zombaste eu me julguei infeliz me vendo sem teu calor
Sou feliz, bem longe de ti
E nem sequer lamento o que sofri
aquele meu tormento já teve fim
surgiu nova ilusão sim, para o meu coração.
Melancolia, escândalo, barraco, carmim, hematomas, roupas rasgadas, amores selvagens, homens canastrões, baforada de cigarro, conhaque em copo de geléia. Núbia é tudo isso e muito mais, trazendo à tona todo o mundo dark, veeeeery dark das paixões mais descabidas e opressoras que vocês já viram.
Em síntese, LAMA é um dos melhores e mais sintéticos títulos de música que vocês já devem ter visto. Hino, hino! A lifestyle, um conceito, um paradigma. Novamente, uma coisa cabeça-erguida, volta-por-cima, tal. Imagino ela puxando o cabelo do cara, dando-lhe uma surra, jogando o cinzeiro na parede e gritando “Salafrário!”. A vizinha do lado comentando: “Sempre soube, ele nunca me enganou com aquela cara de bom-moço”. E depois rasga as cartas, as fotos e pica todas as roupas dele com tesoura antes de jogar tudo pela sacada do sexto andar, junto com o ipod e o celular da criatura, como é de praxe. [Perversa, eu? Magiiiiina. Sou só uma paladina a favor da justiça, tá.]
Hoje quem me difama
Viveu na lama também
Comendo da minha comida
Bebendo a mesma bebida
Respirando o mesmo ar
E hoje, por ciúme
Ou por despeito
Acha-se com o direito
De querer me humilhar
Quem és tu?
Quem foste tu?
Não és nada
Se na vida fui errada
Tu foste errado também
Se aos teus olhos estou morta
Pra mim morreste também
É, meu querido leitor emo. Se você pensava que “Why does it always rain on me?” era hino loser, tolinho, é porque não conhecia Núbia. Essa aí comeu o Thom Yorke e Johnny Cash com farofa e vinagrete, no quesito “depressão”. Vejam como ela aparece mais underground do que nunca em “Conformada”.
És tu que as brigas provocas,
E sempre a razão é tua
És tu que ainda me trocas,
Pelas mulheres da rua
E eu vivo assim conformada,
Sem nunca ter te traído
Vivendo como casada,
Casada sem ter marido.
Moooooora, bicha. E se passe.

.playlist
citadel, rolling stones
spellbinder, gabor szabo
fool that i am, kula shaker
all or nothing, the small faces
can’t nobody love you, the zombies
angels and whores, happy mondays
i know there’s an answer, beach boys
if the sun stopped shining, chubby checker
it takes a lot to laugh, it takes a train to cry, bob dylan
you don’t know what love is (you just do as you’re told), white stripes
Categorias : Stories










Não vejo o amor sem a admiração. Admirar é desejar ser igual estando junto. Admirar-se.








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