O nababesco universo dos downloads

24 04 2008

Tô toda me tremendo aqui. Sete da manhã e a viciada em música aqui tá DOIDA, ALUCINADA, INCONSEQÜENTE [todas as músicas do Zezé Di Camargo têm essa palavra, né, 'inconseqüente'] pra baixar o cd do The Last Shadow Puppets, projeto paralelo do vocalista do Arctic Monkeys [escuto gritos de Indie! Indie! From UK!]. Tá, o The Last Shadow Puppets nem é a banda da minha vida, não são os messias do rock da última semana e tem um nome ridículo [que só não supera o Say Hi To Your Mom, de Seattle]. Mas enfim, eu cismei e agora eu quero ouvir pra ver coé, ahnnn, eu queeeeero *bico | bate o pezinho*.

Pois bem, olá, amiga dona-de-casa. No programa de hoje, vou ensinar a você como arruinar os poucos nervos restantes de uma pessoa através do simples pedido de digitação de letras. Esqueçam os ingênuos testes da miopia e observem a verdadeira gincana que eu tenho que fazer pra iniciar este abençoado download a partir do rapidshare, na imagem abaixo. Bons tempos eram aqueles em que tínhamos que teclar três letrinhas ou apenas confundíamos o zero com a letra “o”. Isso é tããããão arquétipo, tããããão last season, né. A modinha agora é ter um AVC de tanta agonia, adivinhando, dentre sete, quais as quatro estúpidas letras agregadas a gatinhos mal-desenhados, desfocados e idiotas, verdadeiros exús-trancam-downloads.

- Oi, eu nem preciso dizer que tô suando, já na minha SÉTIMA TENTATIVA.
Delícia, eu nem gosto de me sentir inteligente mesmo.

[...]

P.S . Sei que é maldade minha, mas assim… err, como direi… Vocês não acharam um completo VEXAME a história do padre que foi dar um rolé NA CHUVA, voando em mil balões, chegou lá em cima com o celular meio que descarregando e sem saber usar o GPS? Os brasileiros, hein, sempre deixam tudo pra última hora… [frase jornalística padrão, nosso pretinho básico]
Hum, pois é. Só comentando.

P.S . Se eu pudesse escolher um emprego, escolheria algo tipo esse, de fazer listas ácidas e engraçadinhas, tipo o top de ‘25 homens que parecem velhas lésbicas’ [em inglês].

E agora preciso ir, não posso perder a Ana Maria Braga hoje. O Luigi Baricelli vai apresentar o Caminhão do Faustão e… não, aliás, na verdade ele vai exemplificar como se faz um teste ergométrico corretamente. Então é assim, Luigi [te conheço?] Baricelli vai fazer correr na esteira com adesivos grudados pelo corpo, em um relevante teste ergométrico na Ana Maria Braga.

- Nossa, tem dias que a gente acorda, respira e sente que tudo, mas tudo vai mudar, né.

E eu tenho medo de ficar na geladeira da Globo, dez anos sem fazer uma novela das seis, apresentando sorteios, participando de brincadeiras no quintal do Projac pro Video Show e tendo que fazer bico correndo na esteira em um programa matutino.

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todd rundgren, hello it’s me
the last shadow puppets, my mistakes were made for you



Onde os fracos não têm vez

21 04 2008

notícias fascinantes do jet-set

Aí eu entro no cinema [cinemas são escuros, guardem essa informação, ela será relevante em breve], me instalo num lugar supostamente seguro e chegam quatro gralhas burras e falantes pra estragar o momento. O cinema tem uns 400 lugares, mas é sempre a MEU LADO que as gralhas burras e falantes costumam se empoleirar. Porque eu nasci com esse zum de besouro, esse imã. Elas já eram trintonas, mas não paravam de se auto-fotografar miguxamente, huahuahua. [silêncio]
Daí, eis que uma das gralhas tece o comentário mais idiota / imbecil / cretino / ridículo / dãã / néscio / jumento EVER.

- Gente, mas eles tão apagando tudo! Gente, que escuro. Acredito não, ó. Tô agoniada, gente.

Aiai.

O que eu fiz: com essa minha altura ridícula e a minha cara de besta, não fiz nada e fiquei alone in the dark, ruminando a raiva, adubando minha gastrite e pensando na injustiça que os chineses tão fazendo com os tibetanos.

O que eu queria ter feito: ser um cara bruto de 1,90m, de regata e muitos pêlos saindo dos lados das axilas, ter me virado e dito ‘agora você vai saber o que é a verdadeira agonia, neném. [rooooooar!!]‘

[Hohoho, chamar a galera de 'neném' é o último grito de horror, eu devo ter sido um pedreiro tarado na encarnação passada, pra ter esse repertório de apelidinhos.]

Mas vamos recapitular. Então você tem frescura / medo / fobia / preconceito / gases / whatever por causa do escuro e resolve reunir suas amigas pra ir ao CINEMA. Ah, tá, acho que agora entendi. Você quer um cinema ILUMINADO.
- Oi, aproveita que você tá sonhando e pede um pônei. Beijos.

Tomara que os céus não levem em consideração os meus pensamentos gore, subversivos e maus, quando soarem os saxofones do Kenny G no momento do apocalipse.

Aquela do Bob Dylan

Tem algumas coisas que eu gostaria muito de ter dito, feito ou escrito. Tipo, quem gosta de livros ou de música já deve ter esbarrado em textos ou composições tão bons, mas tão bons, que dão uma tristeza. Tipo ‘droga, não fui eu que fiz, tsc’, sei lá. Né? [bora, alguém concorde. não vou me expor para exemplificar DE NOVO, né.]
Bem, essa introdução só pra dizer que cada átomo ruivo do meu ser sorriu, soltou confetes e cantou Twist and Shout quando aquela meninazinha do violão, a Mallu Magalhães, foi no Jô Soares, e ele pediu pra ela cantar ‘Folsom Prison’ - ‘aquela do Bob Dylan’.
E ela: ‘Jô… essa é do Johnny Cash’.

Ter 15 anos e corrigir o Jô Soares não-tem-pre-ço.

From UK

Vão lá no link, eu espero TRINTA SEGUNDOS:

Ex-emos migram para a tribo adolescente ‘from UK’
Cansados do preconceito, jovens criam nova moda inspirada no Reino Unido.
Cabelão armado e popularidade na internet são preocupações desta turma.

Então.
Eu tenho medo se os adolescentes indies* do Ceará resolverem ser From UK também. Tadinhos.
Mais de 20 graus celsius nos separam e, convenhamos, o legal de ser From UK é MORAR EM UK, claro.

*pra quem não conhece, a turminha se reúne pitorescamente às sextas e sábados numa praça localizada na rotatória mais movimentada da cidade para chorar, fazer malabares, desfilar o shortinho xadrez, beber cachaça, apalpar each other, reinterpretar citações do Nietzsche e desabafar as muitas angústias e questionamentos existenciais que não couberam no fotolog, tipo ‘pintar o cabelo de roxo ou verde no fim do mês?’ Às 22h, o pai escolhe um carro e vem buscar a criatura. Não que eu seja uma pessoa violenta, mas tenho várias idéias boas pra esse pessoal deixar de frescura. Porra de From UK. Mas vamos deixar pra lá, né, e curtir o meu wallpaper perfeito - ele, Elvis.

Esse sim, um legítimo poodle From UK. Além de acento britânico no latidinho, ele é fleumático, cool e blasé. Além de ter olhos verdes.

P.S.: Ei. Acabei de ver na Veja desta semana - não percam o ensaio do Roberto Pompeu de Toledo sobre o governador Cid Gomes, intitulado “O genro do ano”, hehehe - uma notinha que me deixou muy apreensiva.

Decidi que não vou dar pro Elvis o celular pré-pago que ele havia me pedido. Magina, olhem o comentário “sem entender de onde ela [a voz] vem, ele vive momentos de estresse à sua procura pela casa”. Ôôô judiação, já pensaram no bichinho atormentado, esquizofrênico, ouvindo vozes, “quem sou eeeu, quem sou eeeeu”, “nada mais me lembro”, tudo girando e girando???

Son, contente-se com o playstation e deixe de ser mimado.

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black, pearl jam
many shades of black, raconteurs



Eu quero morar no 41.

15 04 2008

Quando eu disser ‘jáá’, faça cara de paisagem para ler

Preciso desabafar que foi lindo e SUAVE quando meu computador EXPLODIU. Porque tava mesmo faltando emoção na minha vidinha e os céus resolveram me mandar dois micro-estrondos durante a madrugada, com um cheirinho delicioso de queimado como um plus a mais. Meu quarto até agora cheira a queimado. Rezem para que não seja meu HD, que, por acaso, contém uma dissertação de mestrado em andamento.

E o meu querido Elvis escolheu O SOFÁ DA SALA PARA VOMITAR EM CIMA. É fantástico o impacto que as palavras ’sofá da sala’ e ‘vomitou’ possuem, em uma mesma frase. E cá estou eu, limpando, lerê.
Those were the days.
Deus, só não me leve a câmera digital, o dinheiro e o meu blush novo. Que eu não iria suportaaaar a doooooor.

Mas ainda bem que minha TV a cabo é legal e concentra tudo o que eu preciso para sobreviver com elegância e alegria. Dos seriados tensos da HBO às receitinhas bacanas do Jamie Oliver, além das loucas trips do History Channel [ei, alguém viu as ruínas subterrâneas da Capadócia no sábado? PIREI com aquilo, é suntuoso demais, fora a tecnologia que os cristãos usavam pra se proteger dos ataques dos romanos na época, planejando sistemas de comunicação, orifícios para lancar óleo quente nos inimigos, coisas legais assim].

Mas eu quero mesmo é morar no 41.

Porque lá no canal 41, o GNT, é outra realidade. É tão mais legal. Lá, eu me sinto como se morasse numa cidade que fizesse 15 graus ao meio-dia. Todas as pessoas lá ganham dinheiro para, actually, conversar e serem legais, tipo num bar. Conversar e serem legais, sofisticadas, descontraídas. Ser descontraído e usar um leve cachecol sobre uma regatinha Herchcovitch e um máxi-óculos Roberto Cavalli é a máxima aspiração de todo jornalista antenado e moderno do século XXI.

- jáá! cara de paisagem!

I.
Dia desses, no Happy Hour, com Lorena Calábria, a pautinha era manjadíssima: mulheres que têm de conciliar a vida de mães, profissionais, esposas e donas de casa e blábláblá. Tinha até a Carolina Dieckman pra opinar, com aquela sua constante cara de entojo, sabem como é, uma espécie de bico? Enfim. Aí, o carinha que fica na internet falando porcentagens e curiosidades wikipédicas - ô empregão, você mora no 41 e tudo o que precisa fazer é pesquisar no google coisas tipo ‘você sabia que 99% das mulheres lascam o esmalte na hora de lavar a louça?’ - interveio na conversa para ‘esquentar’ a discussão. ‘Mas vamos esquentar a discussão? Administrar a casa é tão difícil, né. E quando se tem duas casas? Complicado, né, meninas?’

AHAM.
E quando se tem duas casas? Ohhh, claro. DUAS CASAS.
E QUANDO SE TEM DUAS CASAS?
Juro que ele perguntou isso.
E a Carolina Dieckman, com aquela sua constante cara de entojo, responde que, ahh [masca chiclete, masca chiclete] é hiper-difícil viver na ponte aérea, entre Rio e São Paulo, tals, tals.
E QUANDO SE TEM DUAS CASAS? [casas.. casas.. casas.. = escutaram o eco?]
Meirmão, fiquei puta, ó. Em que país eles vivem? Hiper-difícil é viver DEBAIXO DA PONTE, ô criança.
Vamos fazer um movimento separatista do GNT, porque aquilo, definitivamente, não é Brasil. Pô. Come on. GNT, una-se à Suíça.

II.
Pior foi num programa sobre supermilionários. Tá, era no People&Arts, mas podia perfeitamente ser no GNT. Voce sai iludidozinho depois da experiência de ver aquelas vidas. Tinha um cara que vendeu a antiga casa de 7,5 milhões de dolares para comprar outra casa de 7,5 milhões de dólares em um balneário exclusivo de milionários de Nova Iorque. Amey uma das falas do locutor, que dizia - sempre com uma grande naturalidade: ‘A nova casa de John deveria ter um pé-direito alto, de cinco metros. Afinal, o casal passará pelo menos DUAS SEMANAS POR ANO nesta nova casa, no verão’. Hohoho.
O mais legal é que as entrevistas com os milionários sempre terminam com alguma mensagem sobre simplicidade, a importância da meditação, os pequenos prazeres da vida que o dinheiro não pode comprar, como um… pôr-do-sol.
Se eu tivesse 200 mil na conta, já estaria rindo à toa, apreciando qualquer lua réa no mundo, ó.

III.
Falando em casa, passou uma super casa aqui no Brasil, dia desses. A Residência Cavanellas foi projetada pelo Niemeyer e tem paisagismo de graminhas quadriculadas em diversos tons, do Burle Marx, entre montanhas verdes. Tsá? E laguinhos particulares e beija-flores que vêm sorver o néctar das tulipas plantadas lá. E mobiliário dos 50’s, tipo, com peças assinadas por Le Corbuisier. Se você não está chorando de emoção diante dessas informações, se isso não quer dizer nada pra você, bom, joga no google, ohh, fariseu. Porque é-mui-to-lu-xo. Aliás, uma casa com nome, tipo ‘Residência Cavanellas’ é… incrível. E o dono dando a entrevista com cara de paisagem de Burle Marx?
‘Quando vi essa casa, me apaixonei’.
Não diga, darling.
- Eu também. :)

IV.
Como se já não bastasse Renato Machado. Na Globo, ele edita o jornal mais legal de todos, sempre com matérias de óperas e culinárias chiques no final,com os jornalistas sendo descontraídos em poltronas soltas, tipo sala de estar. Delícia. No GNT, seu cotidiano é de degustação de vinhos bááááárbaros, que ele define com adjetivos complexos, tipo ‘generoso’. Morram. E aprendam, é coisa de pobre, coisa de emergente, dizer que vinho é encorpado, doce ou seco. Que reles, gente. Digam sempre algo que vocês acham bonito, palavras que teoricamente não estariam associadas a um vinho, mas que podem dar a ilusão de conhecimento profundo. E, por fim, tenham a certeza de que ninguem entenderá - mas todos reagirão como se entendessem e passarão a te respeitar por isso. Tipo uma coisa que eu já escutei, que era ‘hmmm… anguloso’.
Falando em degustação, desde o final de semana passado meu sonho é dizer ‘Vamos para o Caravaggio’e sair batendo meu saltinho esnobe. Foi a cena que eu vi, ao entrar num restaurante local, dita por um cara que não tinha reserva, não entrou e resolveu ir ao Caravaggio, eleito na Veja Fortaleza como o melhor restaurante da cidade.
Mas eu não tinha reserva e… entrei.
Rá.
Miacho.

V.
Um post sobre luxo é uma oportunidade singular de revelar aos três leitores remanescentes do Flows que eu passei uma semana num spaaaaaa. Spaaaaaaa. SPAAAA. Tão bom falar SPA, né, gente. Foi em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, o Hotel Villa Europa & Spa do Vinho Caudalie Vinothérapie. Ufa. E com todas as despesas pagas pela organização do evento que fui cobrir. ‘Despesas pagas’ significam motorista à disposição, café da manhã com iogurte de ovelha, mirtilos e pelo menos cinco tipos de queijos pra escolher, além de jantares, passeios e iates. Eu fiz cara de paisagem vinícola all the time, pagando de chique, de crachá. Até hoje não acredito que passei uma semana dormindo numa cama daquele tamanho, em frente às parreiras da Miolo. Uma cama que deve ser medida em hectares, assim como todas as propriedades dos ricos.

- Essa é a minha Bento Goncalves*.

VI.
*Ah, digam que vocês também assistem ao programa do Álvaro Garnero, na Record. É o 50 por 1, onde ele fala das viagens looosho que ele já fez na vida. O mais legal é que ele narra tipo ‘Esse hotel tem apenas sete bangalôs, muito exclusivos, para seus hóspedes. Só o teto do hall de entrada, em cristal de murano, custou 10 milhões de dólares. Mas essa ainda não é a minha Dubai’. Aí, depois ele vai em algum mercado de especiarias chiques e únicas, tal. Pega umas ervas na palma da mão, se diz fascinado com os aromas da região e diz: ‘Essa… é a minha Dubai’. Eu me passo demais, demais.

VII.
Falando em Record. O que é o RODRIGO FARO apresentando dois programas? Quem inventou que o Rodrigo Faro tem carisma? Desde quando o Rodrigo FUCKIN’ Faro é alguém???

VIII.
Enquanto isso…

Oportunismo ou humorzinho negro?
Cartas para a redação.
Para a redação do ego.globo.com, por terem esquecido o ‘onde’ da frase, em plena manchete.

Desfaz-se nesse momento nossa cadeia de blog e televisão.
E pode desmanchar a cara de paisagem, beijos.

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slayer, hell awaits