Mentalizando a chama da vela

15 05 2008

Auuuuummmmm…

Quando a gente se identifica com dois dos personagens* do comercial do Maracujina, significa que talvez seja hora de repensar os rumos da vida.

*Mas vejam se eu não tenho razão. Um é o cara irritado com uma mulher que fala alto e ri alto ao telefone, no meio do escritório silencioso. Vocês sabem, falar alto perto de mim é… ah, um pedacinho do paraíso. Berrar no celular é a nova calça capri, né. Pois uma vaca histérica daquela, berrando com voz fina do meu lado em pleno expediente, não teria a menor chance de sobreviver ao meu lança-chamas. O outro com quem me identifiquei foi o sujeito que chuta a máquina do refrigerante. Não que eu tenha muitas vezes me dado mal com máquinas de refrigerante no passado, mas é que me lembrei de um episódio pitoresco [eufemismo para 'loser'] que protagonizei nos Estados Unidos [cof]. Era um dia de gincana no shopping - ‘um dia’ também é conhecido como ‘de 8h da manhã às 18h da noite’ -, carregando sacolas, caminhando os 1000m rasos, observando gente esquisita e chorando pitangas por não poder comprar todos os eletrônicos / livros / maquiagens / roupas / dvds / objetos fofos e inúteis dos meus sonhos. Em um momento, fico com uma sede imoral e apelo para a máquina. Daí…

[Esperem, eu iria escrever tudo num mesmo parágrafo? Credo. Abstraiam o asterisco, tá. Isso virou um post autônomo. Não reclamem do meu apogeu, do meu apogeeeeu - ô samba legal, haha]

Pois então, daí os códigos das bebidas eram hiper-complexos. A coca é A1, o sprite é H125, o arsênico é K224 e por aí vai. Bem dizer uma batalha naval, uma tabela periódica, um… tá, vocês entenderam. Pois então, a míope aqui teria que distinguir e digitar essa senha do Rapidshare na máquina - com as mãos cheias de sacolinhas e um povo apressado atrás de mim -, pra poder fazer o download da água mineral. Ok, respirei fundo, fui, tal, depositei as moedas direitinho. Então, quando pressiono o botão, o que é que veio?

- A DROGA DE UMA ÁGUA AZUL, QUE DEVIA SER DA COCA-COLA.

¬¬

Eu me senti uma palerma, uma completa estaferma, “não sabia se chorava ou se sorrisse”, tirando na frente das outras pessoas uma GARRAFA DE ÁGUA AZUL. Que patético, né. Qual o perfil do consumidor idiota de uma água AZUL? E era AZUL mesmo, gente, tipo, AZUL da cor do INFERNO, sacam? O mais puro corante, parecia aqueles produtos de limpeza acondicionados numa garrafa pet, vendidos por um cara de bicicleta no meio da rua. Cara, que droga, que droga, quem foi a besta que lançou a ÁGUA AZUL? É o mesmo que teve a infeliz idéia do protetor solar infantil ROXO? Ou o ser iluminado que inventou o Polenguinho MORANGO?

Como de praxe, espumei de raiva. Evidentemente, Se eles lançarem essa tal água no Brasil, estou ciente de que serei motivo de chacota para todo o sempre, nesse blog. Os leitores e o clamor popular são implacáveis.

Mas é lógico que, nem por um segundo, me permiti ficar por baixo, agindo com subserviência diante dos yankees capitalistas obesos, eleitores do Bush e bastardos apoiadores da maldita guerra. Ou vocês acham que eu dei o gostinho de mazelar e tentar comprar outra coisa na hora? Nevah. Abri e dei um gole enorme, tsssss, guti-guti, na frente de todos. E saí, com a maior atitude. Pra mostrar pros outros que eu queria desde sempre a DROGA DA ÁGUA AZUL, que não tinha sido um acidente ou um fracasso de minha parte, a latinazinha ignorante do terceiro mundo, torcedora do Curíntia [só pra ficar mais dramático, haha]. Eu representei o meu país lá fora nesse momento, ok. Só faltava o Galvão Bueno narrando e me chamando de ‘habilidosa’.

Tá, mas pra vocês eu assumo: foi só eu virar a esquina e joguei aquela mazela na primeira lata de lixo. Ô vergonha. Não que fosse ruim, na verdade mal tinha um gosto, mas só em ser UMA ÁGUA AZUL já me deixou irritada. No meu íntimo, minha vontade era de me espancar a mim mesma myself, pela derrota de ter digitado o número ACIMA da DROGA DA ÁGUA AZUL, e não ABAIXO. Shit happens, né. Mané Maracujina, eu sou uma pessoa muito calma e equilibrada, tá, que sempre reage.
- Entrei num supermercado e comprei uma latinha de qualquer coisa, resignada.

E uma nada resignante caixa de cookies com gotas de chocolate. Do bão, do ligítimo.
Rá.

Ah, lembram do Tiozão Trintão da Cantada dos Dentes, em algum post anterior? Pois é, vou destrancá-lo nesse post, só porque dia desses mentalizei uma resposta genial, à moda da casa, que eu poderia ter dado naquela ocasião. Tá, com quinze dias de atraso, mas eu não me importo. Eu perco o timing, mas não perco a piada. Seria algo tipo:

- Oi, você já usou aparelho?
- Sim, já. Mas atualmente uso Corega Tabs.

[solo progressivo de guitarra]

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nada surf, from now on
rufus wainwright, going to a town
the black keys, 240 years before your time



Hoje eu vejo que…

11 05 2008

…além de rabugenta, eu também tenho cara de doida.
Since 1987.

Normalmente, no dia das mães e/ou dos pais, costumo me lembrar da infância. Acho que com todos acontece assim, né. Mas enfim, nunca as minhas lembranças são propriamente convencionais. Claro.

Sempre recordo as festinhas de escola ou as coisinhas para essas datas que produzíamos na aula de artes. Ohh, meus cinco anos e a coordenação motora que nunca tive. Ohh, a nostalgia. Eu só fazia coisa feia, gente. No colégio, tiveram a idéia de costurar uns saquinhos de pano pra gente colocar lá a marquinha da nossa mão melecada de tinha laranja, com os dizeres “Feliz Dia das Mães, 1988”. Não servia pra nada, a porra do saquinho. Nem sei o que a mamãe fez dele, deve ter guardado. Antes de curtir jogar meus papéis fora, a mamãe tinha hábito de guardar tudo, inclusive coisas que me soam mórbidas, como cachinho de cabelo e dentes-de-leite. Coleção de dentes-de-leite ROCKS. Acho atitude. Já ouvi relatos de mães que fizeram um colar com isso. Wow.

Ah, teve também a flor de celofane que vinha com uma lanterna, essa era bonita. Hmm, nada mal, era psicodélico, cellophane flowers, que nem na minha música. Outro ano – tá, esse presente era útil – foi a latinha de leite condensado coberta de metades de pregadores de roupa envernizados, que no final servia como porta-canetas. O efeito era clássico e super durável, but… só me expliquem DE ONDE o professor de artes tirava essas trips doidas. Ele só pode ter sonhado com isso.

Hoje em dia, manifesto um certo receio de ver o que anda rolando nas aulinhas de arte Brasil afora. Porque, no meu tempo, não lembro de ter a tal arte pós-moderna, que vê valor estético / ideológico em um chumaço de cabelo pregado numa parede e outras ‘obras’ desse tipo. Pois então, quais as influências artísticas que os pivetes estariam tendo hoje em dia? Não tenho idéia, mas faço uma aposta - os professores podem querer, no momento, despertar a consciência ecológica neles, a coisa do aquecimento global, estimulando os artesanatos das garrafas pet - que moram do lado direito do meu peito, you know – e outras reciclagens. Talvez alguma ‘ecobag’, que vem sendo o último grito, o novo balonê em matéria de tendência. Então, e se o meu filho chegasse em casa com uma pet ridícula, escrito “Feliz Dia das Mães, 2015”? Tão deprimente quanto a pet, é aquela praga do e.v.a, vocês conhecem? Eu odeio qualquer coisa de e.v.a. E biscuit. E sementes naturais. E e.v.a. de novo. Pois é, e se o meu pivete me der alguma coisa horrorosinha, que ele ficou dias e dias produzindo com empolgação, o que eu vou fazer? Como agir? O que falar? Rio? Choro? Finjo? Faço a Kátia e não enxergo?

Vou levar essa questão ao meu psiquiatra.
Ainda bem que o Elvis é suuuuuuper talentoso, além de lindo.

Eu sei, você sabe, a torcida do Curíntia SABEM [hohoho] que eu tenho um medo, uma tensão, um pavor descomunal de ser mãe, por essas e outras. Até gostaria, mas o medo de não ter a competência de saber abrir um pacote de figurinhas ou de não conseguir ajudá-lo a cobrir uma figura pontilhada é muito maior. Não sei qual é o maior medo, se é disso ou de o meu filho nascer feio. Sabem como é, essas coisas sempre são possíveis e shit happens. Não venham com hipocrisia, não basta ter saúde - também não pode ter verruga, nem aqueles sinais cheios de cabelo, nem testa grande, dedos curtos, essas coisas. Qualquer coisa, mando tacar laser em tudo. Laser resolve até prisão de ventre, né.

Os meus pais foram legais comigo, na infância. Não fiquei com nenhum trauma por não saber pintar, cantar, dançar, interpretar ou fazer poemas [hehehe, disso nunca fiz a menor questão]. Eles sempre me elogiavam e me davam presentes legais, tipo livros bacanas, caixas registradoras, War, tal. Ahh, sempre gostei. E eles acharam bonito – ou fingiram que acharam bonito – até quando eu pisei num palco vestida de ÁRVORE - com cipós enrolados na minha roupa COLANTE e maquiagem de GLITER -, dançando uma música odiosa da droga da Enya [Nota mental: mandar matar a Enya], no festival de jazz. [Nota mental: mandar matar aquelas 400 testemunhas] Mas, apesar de não ter nenhum tipo de talento e ter sido confundida até a oitava série com uma ALBINA [Nota mental: mandar matar aqueles coleguinhas infelizes], nunca fui loser ou tive a auto-estima baixa e isso é super importante pro nosso desenvolvimento, né.
Assim como os danoninhos, danoninhos foram decisivos.

Eu sabia escrever e falar bem, com os plurais – pra mim é importante e bonitinho, articular plurais bem direitinho, na infância. Eu tinha idéias sagazes. Eu criava histórias legais e imaginativas. Eu sabia os nomes dos bichos do zoológico. Eu era crítica. Eu e mamãe costurávamos roupas pra minha Barbie. Eu jogava vídeo-game e apostava corrida com o papai e ganhava de verdade [eu acredito nisso, ok, não destruam meus paradigmas, ele não facilitava nada pra mim, EU SEI]. Eu ouvia Beatles e Abba. Eu era cúmplice deles na hora de roubar jabuticaba das árvores do restaurante, ajudando a distrair os garçons. Pra mim, coisas inteligentes sempre foram mais importantes do que saber fazer sachê de sabonete Alma de Flores na aula de artes, em datas comemorativas. Essa é a moral da história, acho.

[taí, acho que vou ao programa da Oprah só pra falar esse texto sensível e ganhar uma geladeira de três mil dólares, os livros do Oprah’s Book Club e aplausos de uma platéia de mulheres com cara de doida, que nem a minha na foto desse post]

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tom waits, all the time
tom waits, the return of jackie and judy



Nove hipóteses

7 05 2008

mas afinal, o que acontece no apartamento acima do meu?

1. Os vizinhos descobriram vestígios de uma civilização antiga. E cavam dia e noite em uma busca incessante por elementos históricos, como vasos de argila, crânios de dinossauros, sarcófagos, objetos petrificados pelas lavas de algum vulcão.

2. Compraram um poodle - como sempre, o vendedor JUROU que era um toy, miudinho - e o bicho cresceu, cresceu e virou um urso gigante, que cava para esconder seus ossos… sobre meu quarto.

3. Com a perspectiva de valorização da cana-de-açúcar e da soja, os vizinhos resolveram transformar o apê em um latifúndio e estão cavando, cultivando a terra.

4. Ou eles simplesmente plantam palmeiras imperiais para valorizar o terreno.

5. Quem sabe, trata-se de um poço de petróleo.

6. O Jardel Gregório tá treinando os saltos triplos aqui.

7. Papai vai nos fazer uma surpresa e meu apartamento vai virar um loft.

8. O vizinho tá participando do Extreme Makeover: Home Edition, Lar Doce Lar ou de qualquer outro programa de reformas radicais de casas, que incluem a demolição das estruturas originais do imóvel.

9. Mataram alguém e tão cavando pra enterrar o corpo.

Eu só sei que o meu inferno diário começa às 7h da manhã, com barulhos de picaretas e enxadas, com uma pequena trégua na hora do almoço. Meu deus, pra quê um escândalo desse pra trocar um piso?

Reformas anuais são o meu carma.

Dia das mães

Engraçado que, toda semana, tenho escutado na rua frases engraçadas pela metade, com mães envolvidas.
A primeira foi saindo do trabalho. Passo em frente à entrada de uma faculdade, onde a mãe foi deixar a princesinha.

Mãe: …300 reais não, filha! Quantas vezes vou ter que te dizer que não?!
Filha: Mas mãe… mãe! Puxa, eu não vou gastar! É SÓ PRA TER.

Anotem isso.
“Mas chefe, então, eu preciso de um aumento de mil reais… assim, mas é SÓ PRA TER”.
Ou:
“Pai, eu quero cinco potes de Häagen-Dazs Midnight Cookies & Cream. SÓ PRA TER”.

Ok. Bem, e a outra frase foi ontem a noite. Mãe e filho pequenininho de mãos dadas, tipo voltando da escola. O pivetinho tão cute, com uma máscara do Homem-Aranha numa das mãos [eu acho isso um detalhe fofo e relevante, tá].

Mãe: …não, meu bem. A mamãe não pode ser sua namorada, tá certo?

Ôw.

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oasis, the girl in the dirty shirt



Tiozões do meu Brasil, sumi-vos.

4 05 2008

Por quê afinal as modelos e os pilotos de Fórmula 1 têm o mesmo sotaque?
Só perguntando.

Mas enfim, isso realmente não vem ao caso. O post de hoje é sobre…
…Tiozões Trintões.

Antes que eu seja crucificada e acusada levianamente pelos meus opositores, explico que não tenho nada contra os trintões. Nadinha. Até porque tenho muitos amigos e amigas trintões e sei que minha adolescência de 25 anos não vai durar pra sempre, claro. O corpinho will, a adolescência won’t. Mas então, o que eu realmente odeio são aqueles caras com jeito de tios, aquela vibe Paulo César Grande desgraçada, hmm, não sei se vocês captaram.

Em síntese, é tipo assim:
quanto mais o trintão quer pagar de jovem, mais trintão ele será, sacam?

O lance é você assumir sua idade e não se comportar como se tivesse dez anos a menos. Não tem nada a ver esconder quantos anos você tem, experiência, maturidade e evolução são valorizadas no mercado das almas, jedi.

Vamos à motivação do post. Fui a uma festa, da qual não irei revelar a identidade, certo, ela será mantida em absoluto sigilo, com uma tarja preta nos olhos e uma voz distorcida de Pato Donald. Mas é uma festa típica onde, diretamente das trevas de algum escritório, Tiozões Trintões saem e caem matando, cantando, pulando e apontando um dedo pro alto ao som de Bizarre Love Triangle, como se fosse uma música feliz – come on, vocês que se passam por Bizarre Love Triangle na balada já pararam pra ver a letra, antes de fazerem um UHUUUUUU frenético aos primeiros acordes? Eu me rasgaria muito mais pelo Toquinho do que por Bizarre Love Triangle.

Se manquem, beijos.

Sim, naquela noite, passei o tempo todo observando as pessoas. A maioria era uma gente meio ridícula. Tinha uma sósia da Narcisa Tamborindeguy se acabando na pista de dança, parecia um pombo, devia ser “recém-separada, refeita, que tá querendo mostrar como vem até remoçando e se pega cantando sem mais nem por quê”. Eu esperei a noite toda ela pedir “um mambo bem caliente” pra algum DJ. Tinham também uns caras que não me enganaram, eram egressos de algum Forró no Sítio, certeza - mas tavam dando uma de MUDERNOS, com uma Summer na mão, réé. Um deles tava com a REGATA DO CURÍNTIA, não pude esconder o meu semblante number eleven, o de de “medo, tensão e pavor”. Tinham uns três lindos, mas estavam bêbados e/ou acompanhados. Tinham as meninas que tiram fotos em plongé, tipo, miguxas, de cima pra baixo, pra mostrar no fotolog no dia seguinte e convencerem a si mesmas como tudo foi super divertido e incrível, huahuahua. Muitos tipinhos típicos, enfim.

Mas uma coisa que eu geralmente ODEIO em baladinhas é a mania idiota que ALGUNS homems têm de achar que, porque você está sozinha ou com uma amiga or dancin’ like no one’s watching, você está avulsa, desesperadamente à procura e pronta pra escutar quaisquer cantadas estúpidas [redundância] partindo de Tiozões Trintões que são tipo ex-atletas, ex-cabeludos, ex-legais e ex-magros, sabem como é? Usando tipo uma blusa do Atari coladinha, pra parecer cool. Grrrr. Tá, a razão da minha revolta com a espécie foi exatamente, TÁ-DÁ!, um trintão – err, não diga – com quem tive um contato forçado. Um abuso grande, somado às minhas observações do lugar. Imediatamente criei mentalmente o tipo Tiozão Trintão. E fiquei com raiva do primeiro que se aproximou. Seguiu-se o diálogo mais bizarro que tive no século XXI, só perdendo para aquele da temática “Beck” que tive com um amigo no msn. ["Que beck é esse"? / "Que isso menino, me respeite" / "Não, eu queria saber se é Beck Hansen ou Jeff Beck o que você tá escutando" / "Ahn... Hansen"].

- Oi! Você já usou aparelho?
- …como?!?!?!
- Queria saber se você já usou aparelho. Os seus dentes são LINDOS, você é muito bonita.
- o.O

Nada mais me lembro.
Mentalizei a chama da vela, ovelhas num pasto verde, uma etérea anêmona-do-mar, pra ter paciência e equilíbrio.

Consideração prática #1.

Acho uma situação muito decadente o ser humano criar frases esperando um feedback ou uma risada.
Parece coisa de comediante iniciante ou decadente.

Consideração prática #2.

É tão ridículo como o povo entra num canto desses, “na balada” e se transforma quando apaga a luz, sabe. Duvido que esse sujeito me parasse no shopping, no supermercado ou na fila do banco – ou seja, situações normais – pra elogiar MEUS DENTES face to face. Duvido muito, até porque eu sempre ando de fones de ouvido - só escuto o que efetivamente interessa. Inclusive, uma das minhas fugas planejadas pra situações em que pessoas puxam conversa é cantar “sha-la-la” e olhar pro outro lado, nem que o outro lado seja uma parede lisa.

Consideração prática #3.

Por algum segundo ele nutriu o sonho, a QUIMERA, de que eu iria dar algum mole pra alguém que elogiasse meus DENTES na noite carioca?!? Nunca, nunca, eu, Lucy in the Sky with Diamonds de Orleans e Bragança, na minha carreira, imaginei algo semelhante.

Consideração prática #4.

Se ele estava matematicamente ATRÁS de mim, como ele viu meus dentes?!?!?
Meu medo é que ele diga isso pra todas. Tipo, será que a cantada dos dentes é tendência e só agora eu fiquei sabendo? Mil coisas.

Se ainda fosse o Jim Sturgess suado…

O quêêê? Você não conhece o Jim Sturgess?

Jim é londrino, 26 aninhos, cabelinho compridinho, THAT ENGLISH ACCENT, carinha de tarado e ele é o Jude apaixonado pela Lucy no filme Across the Universe, cantando Beatles maravilhosamente. Na platéia, gritei “Eu também me chamo Lucy!”, tamanha a empolgação.

Tá, não gritei, foi um grito metafórico.
Ele é a nova meta, já que o outro Jude, o Law, vacilou e tá careca.

Se o Jim elogiasse a minha pupila, eu já tava aceitando.
/frenesi.

Continuando.
E não pensem vocês que o Tiozão Trintão dos Dentes desistiu. Nããããão. O diálogo teve prosseguimento. Ele falou outras diversas frases sem nexus, plexus nem nada, tipo “E aí, voce curte a Vulcani?”, até eu fazer AQUELA CARA, aquele meu semblante number eighteen, de “achando tudo muito idiota”, somado ao semblante number twelve, o de “tenho preguiça das pessoas”. E ele disse:

- Nossa, puxa. Vou fazer que nem no programa do Faustão: quando alguém fala alguma bobagem, ele tira o microfone da boca da pessoa.

E ele FEZ A MÍMICA DE QUE TAVA TIRANDO UM MICROFONE IMAGINÁRIO DA PRÓPRIA BOCA e saiu.
E saiu.
Fez a mímica e saiu.

[solo de sax]

teste

- Se você encontra o rosto do homem em menos de 3 segundos, você tem um cérebro mais desenvolvido que a média.
- Se encontra em menos de 1 minuto, tem um cérebro normal.
- Se demora mais de 1 minuto, então o lado direito do seu cérebro é mais lento e você pode estar necessitando de algumas proteínas.

Nunca coloquei testes aqui no blog, enfim. Mas queria dividir meu espanto.
Oh my god, achei o rosto em DOIS SEGUNDOS.
Eu deveria pedir um aumento de salário depois disso.

i have a dream

Um não, dois dreams. Não, vários dreams. Mas me refiro a essas tentadoras coisinhas de colocar livros, livros e mais livros.

E eu preciso MUITO disso, preciso PARA RESPIRAR, vocês não estão entendendo.
Olha esse pink com preto!!
/drama.

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the who, girl’s eyes
black sabbath, iron man
led zeppellin, good times bad times