Vende-se dignidade, baratinho

22 06 2008

Desde o lançamento do infame Halls Melancia não se via tamanha polêmica

Em uma rara manhã de ócio, ligo no programa da Ana Hickmann e me interesso pelas revelações de Simony, naquele quadro “Os Donos do Jogo”, com entrevistas bombásticas, tal. Daí, Simony acaba soltando, em certo momento, que teve um aborto espontâneo a long time ago e o filho era de um cara famoso. Os apresentadores implorando pra ela contar, mas a cantora resistia bravamente:

- Não, gente, olha, não posso contar mesmo. A pessoa hoje em dia está em outro relacionamento, não quero prejudicá-la, acho que isso é uma coisa muito íntima, muito minha, é um assunto que me deixa abalada e eu não acho que seja adequado falar aqui de fatos do passado e…

E o diretor utiliza seus anos de experiência em psicologia comportamental:
- Mil reais, Simony.

E ela:
- Ok, então. No próximo bloco eu revelo.

Ahh, tá.
Porque existe um mundo melhor – que é caríssimo e a Simony tá pagando à vista.

Sim, e o filho era só de ALEXANDRE PIRES.
Gente, a cotação do Alexandre “chinelada na barata dela” Pires anda tão baixa após sua temporada em Miami, mas tããããão baixa, que os apresentadores não escondiam o semblante de decepção diante da mediocridade da revelação. Acho que até a pergunta daquele concurso estúpido “O que tem na panela de Edu Guedes?” mexeu mais com o Brasil. Puxa. Todo mundo queria um nome que abalasse a estrutura, que inaugurasse um novo paradigma pós-moderno, tipo Faustão, Guido Mantega, Robert Downey Jr, sei lá. Mas Alexandre Pires?!?!?!?! Se eu estivesse lá, teria feito só uma pergunta:

- E?

Outra que tava afim de lucrar com o aborto prescrito era a Mara Maravilha [que julgo ser um dos nomes artísticos mais sem-graça da história, só não ganha de "Elizângela" e "Carlito Marron" - o nome de Carlinhos Brown no mercado latino-americano]. Na minha infância, ela não estava no topo do meu organograma de influências – o que me atraiu semana passada foi sua imagem bizarra, com uma roupa preta completamente coberta de lantejoulas pretas e um batom vermelho sangue-de-cristo-tem-poder. Que eu saiba, não se realizam bailes à fantasia com coquetel às nove e meia da manhã. Ai, abafa.

Estava ela em outra edição do quadro “Os Donos do Jogo”, quando confessou, entre outros mil segredos lights, softs e diets, que fez um aborto na época em que apresentava o programa infantil no SBT, lances de suicídio, escândalos, barbitúricos e até um casamento com um Menudo. Não se fazem mais apresentadoras infantis e com um passado escabroso como antigamente. Bom, enfim, e como se não bastasse, Mara resolveu fazer uma oferta básica por suas outras novidades palpitantes – por 50 mil reais, ela liberaria mais coisas, tão íntimas e secretas quanto fogos de artifício. Que coisas são essas, nem Deus desconfia. Porque, pra valer FIFTY THOUSAND REAIS, tem que ser um babado forte, hein, dos bons. Tipo, sei lá, “Doze paquitas e um segredo”. Eu mesma não tenho nada na minha vida que valha isso, hahaha. Nem se eu inventasse, ó.

E dizem que a Fátima tá vendendo um quinto segredo sagrado por alguns dobrões de ouro, se liguem.

E eu vou aproveitar a audiência pra explorar um segredo meu também, tá? Que soem os clarins: gente é muito íntimo, eu morro de rir daquele comercial de carro em que o cara se vê rodeado por animais selvagens, que começam a cantar “Don’t worry, about a thing.. cause every little thing is gonna be alright”…
Hum. Se ninguém ri, foi mal. Vocês então acabam de saber do item 7 da lista de “10 coisas que vocês nunca perguntaram sobre mim e viviam muito bem, obrigado, sem saber”.

Mas sério. Cara-de-pau anda super prêt-à-porter e pra Simony e Mara vai o nosso Ausência de Noção Awards. Colocar preço na vida pessoal não dá, hein.
É isso que nos fascina e causa um efeito mentos + coca-cola na nossa alma, sabe.
A essência.
O caráter.
A riqueza de espírito, já diria algum poeta / filósofo / ou até mesmo Paulo Coelho.
Quando a gente acha que já viu tudo, aparece a Simony.
E quando a gente já se achava suficientemente traumatizado, vem a Mara.
E quando você pensa que já desceu todos os degraus da escadinha da dignidade, você percebe que os gatinhos do Rapidshare podem ser superados, sim.

Ai, o Rapidshare não te merece, amiga. Antes, catar gatinhos mal-desenhados nas letras era considerado um passeio no parque. Agora, com caracteres tridimensionais listrados, a coisa complica muito pra quem tem astigmatismo – tipo eu, só para citar um exemplo aleatório. Neste mundo tridimensional, apenas os fortes sobreviverão. Fazer - ou melhor, tentar - um download assim na madrugada é tão gostoso quanto acertar uma martelada no dedo. O que mais falta na minha vida? Um cajá?

[...]

Mas vamos cortar para outra personalidade de RELEVO descoberta recentemente na Ana Hickmann. Ele, o maquiador Celso Kamura. Quis o destino que eu estivesse em casa, para ver as dicas impagáveis daquele SER. Uma coisa Clodovil jovem e com um ar andino e fashion, lindo.
E eu vibrava a cada diálogo dele com Ana.

- Celso, e para disfarçar a papada com blush? Como fazemos? Essa região aqui que nós temos, mais cheinha…
- Meu AMÓR, você não-tem-pa-pa-da. Tá LÓCA?

- Celso, e para definir o maxilar com blush? Esse ossinho que temos do lado…
- Olha, basta marcar com o pincel, assim. Bom, e as GORDAS IMAGINAM onde estaria o ossinho do maxilar e o definem com o blush. O seu já é lindo, Ana, TÁ LÓCA?

- Celso, e se eu não tiver esse pincel especial para esfumaçar o lápis dos olhos e fazer esse côncavo maravilhoso?
- Meu AMÓR, fazer esfumaçado com o DEDO não dá, né? TÁ LÓCA?

Sei que sua vida não ganhará sentido após Celso Kamura. Mas eu tava só comentando. E, bem, falando em make up, preciso desabafar que, quando não houver mais lugar no inferno, os mortos andarão sobre o centro da cidade de Fortaleza usando delineador azul klein de dia. Eu vi. EU VI. E eu sei que tá super na moda, mas ô, se enxerguem. SOMENTE A DZÉL BÜNDCHEN PODE.

E agora nosso minutinho dedicado aos esportes

:: Mestrado:
Olhaê, textinho meu hoje no jornal, sobre a minha famigerada pesquisa, tal. É bom que o pessoal acredita, quando eu digo que escrevo coisas legais para além do blog, hehe.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=548510

Ah, falando em jornalismo, receber há quinze minutos um email - da lista do curso de jornalismo - endereçado a “quem faz acessoria de imprensa” não tem preço.

:: Futebol:
Que os curintianos me perdoem, mas campeonatos mundiais são fundamentais.

- Homenagem ao centenário da imigração japonesa.
Obrigada, Tóquio, por nos receber tão bem todos esses anos!

::Fórmula 1:
O prazer de assistir a uma corrida de Fórmula 1 é ainda mais sublime quando Galvão Bueno usa expressões como “Fulano COLOCA A FACA ENTRE OS DENTES e realiza a ultrapassagem”.

Mas em qual boate de Copacabana ele aprendeu isso?

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art brut, my little brother
the black keys, psycothic girl
zz top, got me under pressure



Crônica da cara tacada no poste anunciada

17 06 2008

vocês sabiam que os vendedores enchem o saquinho de algodão-doce com um sopro úmido humano e BIOLÓGICO?

É sempre assim. Parece a piada do portuga, que vislumbra a casca de banana adiante e pensa: ‘Lá vou eu escorregar e cair de novo, ó pá’. [piada assim, modo de dizer, né. porque isso é muito ruim] Porque toda vida que vou fazer exame de vista é o mesmíssimo processo: errar o ônibus, dar de cara em algum poste, ser quase atropelada por uma bicicleta vermelha de barra circular e cestinha numa mini-rua, cair no colo de algum desconhecido feio, pisar num buraco com lama, enfim, tantas coisas meigas e indolores.

Um dos maiores atos de masoquismo que você pode praticar é sair da sua cama, da sua casa, de perto do seu cachorro perfeitinho e ir até a oculista. Não adianta, eu nunca vou curtir isso. Chegando lá, o funcionário truculento desconta em você a frustração de ser um reles aplicador de colírio barato, abre seu olho como se fosse uma manga e taca o colírio com gostinho de soda cáustica e ardor nível 11, na escala Merthiolate que vai de zero a dez. A gente implora com um ‘Cuidaaaado, mooooooço’, e ele repete aquele jargão popular entre depiladoras e ginecologistas: ‘Minha querida, eu vejo isso todo santo dia, relaxe’. Hunf, se tem uma coisa que odeio é relaxar e minha voltade é perguntar: QUEM É VOCÊ? AH, TÁ. SÓ PRA SABER. E como é comigo, nunca dá certo de primeira, escorre tudo e lá vamos nós à segunda aplicação, ainda mais ÁRDUA.

[pausa dramática | fita o infinito | recita um poema de Augusto dos Anjos]

Cega e humilhada - lacrimejando feito uma condenada, como se trabalhasse num restaurante especializado em cebolas bem selvagens [uau, “cebolas selvagens” daria um filme de terror trash bacanéééérrimo, podia ser a seqüencia daquele punk, dos tomates] –, você entra na sala da médica e percebe que, já na terceira fileira de letras, fonte Arial Black 19315, sua visão já não tem o mesmo VIÇO da tenra idade, sente os anos passando, os cabelos brancos, as costas se curvam involuntariamente. Eu, que nem sou moça dramática, magina, fico que nem o Seu Madruga naquele episódio em que ele pensa que vai morrer. Na derrota, se tacando nas paredes. Isso sem falar num dos piores e mais rápidos exames do velho oeste, que é num negócio que parece um microscópio, onde você apóia o rosto – ó senhor, quantos queixos desconhecidos já não terão encostado lá, eca –, mentaliza uma luz azul, uma paz no fim do túnel e, quando menos espera, a médica aperta um botão que lança um soprão no seu olho. Sacanagem, isso. Quando é no primeiro olho, ok, a gente leva na esportiva. Mas quando é o segundo, quando já conhecemos a new-sen-sa-tion? Cadêêê que eu consigo “relaxar”? Será o caso de levar flores, Heleninha? Seráááá?

Não, esse vídeo não tem nenhuma conexão com o post, mas eu AMO essa passagem da Heleninha e eu precisava disso no blog. Bom, voltando. A parte divertida dessa coisa toda é escolher os oclinhos novos e fashion, que devem finalmente me deixar com cara de jornalista de moda, aham, aham. Quer dizer, isso é divertido hoje em dia, que tô jeitosinha. Porque quando eu tinha sete anos, isso era um martírio. Primeiro porque eu era feia [um dia me chamaram de “exótica”, mas é lógico que exótica = monstro do pântano]; segundo porque eu usava farda no colégio e farda deixa até a Ana Hickmann uma mocréia; terceiro porque as armações à disposição dos pivetes na década de 90 eram cafonéééééérrimas*; quarto, eu tinha franja cacheada [shh, segredo.]; e, quinto, porque bom gosto pra óculos nunca foi exatamente o ponto forte da mamãe.

Então, minha primeira armação foi uma rosinha-clara com uma tentativa de esboço de Mônica pregada do lado, miudinha e über-medonha. De uma breguice comovente, dava pena. Eram óculos estilo Megulho em Abrolhos, muito feios e grandes – e, vamos combinar, maxi-óculos só de sol, NUNCA de grau, beijos. Depois tive uma DOURADA [mamãe, essa foi de propósito, confessa], só pra consolidar minha feiúra e a humilhação diante dos coleguinhas não-miopes e não-ruivos - ou seja, normais, sem destoar da paisagem. Eu devia, aos nove anos, parecer que tinha 34, com aquela coisa dourada e neo-barroca em mim. Ah, lógico, ela tinha aquela correntinha abominável pra pendurar no pescoço, como um plus a mais. Não foi a toa que fiquei gravemente traumatizada e, só agora, no ano do centenário da imigração japonesa, voltarei a usá-los em público. All we are singing, give óculos a chaaaaance… come on, everybody, palminhas! [mulheeeeer, como tu se passa.]

Uau. Eu devia ser um prato cheio mesmo, pra minha turma infame da escola: ruiva = albina [ainda bem que não se falava em transgênicos naquele tempo]; míope = quatro-olhos; pernas grossas = elefantíase e, ainda por cima, paulista, o que comumente estimula a antipatia que muitos guardam com carinho do lado esquerdo do peito. Aqueles idiotinhas, que iam pro colégio com aqueles óculos ridículos do Chaves, feitos de canudo, riam de mim. Todos os dias eu desejo um dentinho podre na boca de cada um deles. Bastards.

*Aproveito esse espaço de audiência para registrar minha solidariedade junto aos pivetes que não gostam de ter 100% de roupas fúcsia [homens que não sacam matizes de cores, joguem no google], mochilas verde-limão e lancheiras com temas de personagens de quadrinhos e desenhos animados. Puxa, comics são legais, mas tem horas que o pivete necessita de sobriedade, autenticidade e dzáááááin. Porque se a criança curtir influências expressionistas ou a optical art alemã dos anos 50, ela tá perdida, né, desamparada pela indústria capitalista e ianque que massifica os gostos e subtrai a identidade dos consumidores, limitando seu poder de escolha a um pequeno leque de mercadorias fabricadas por multinacionais e mão-de-obra escrava, que interessam exclusivamente aos interesses excusos e imperialistas do Bush e da guerra no Oriente. É essa máquina que o aparentemente inocente Bob Esponja Calça Quadrada do seu filho alimenta, não se iluda, companheiro. Pois é, a questão é que nunca entendi a falta de inclusão do street wear infantil clean. Mais basiquinho, mais preto e branco, mais terninhos acinturados.

E aproveito ainda para perguntar se sou só eu que acho que a maioria das pessoas que faz comercial de óculos de grau não tem NENHUMA CARA de que usa óculos de grau. Fica sempre com aquele ar de ator da Globo fora do ar, dando entrevista no Projac sem maquiagem.

- Quer dizer, exceto o Johnny Depp, que é o pirata sujo mais lindo dos sete mares.

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buddy holly, learning the game
carla bruni, before the world was made
brigitte bardot, un jour comme un autre



Toc, toc

10 06 2008

ou só eu acho o Cauby Peixoto a cara do Austin Powers?

Acho que todo mundo que me viu algum dia na vida ou dividiu a fila da salada do self-service comigo por dois minutos deve ter sacado que eu tenho Transtorno Obsessivo-Compulsivo – ou TOC, para os íntimos e banalizadores.

E eu digo de antemão que é uma droga ser íntimo de TOC, tá. O meu é devidamente diagnosticado e referente à organização, perfeccionismo, limpeza e a alguns aspectos da fala. É uma tristeza, um verdadeiro carma, uma cruz que carrego e… [gosto de um drama]. Sinto necessidade seguida de satisfação ao alinhar todos os objetos com simetria, coloco livros e cds em ordem alfabética irracionalmente, conto respirações nas horas vagas, corrijo erros de português de uma forma doentia [ainda bem que revisão de textos me dá um extra money, hahaha]. Enfim, tenho uma coerência muito particular no meu cérebro, que me obriga, digamos assim, a obedecer a determinados paradigmas bizarros que eu mesma criei e…

Tá, é deveras complexo, eu sei.
E, se você não entendeu o TOC ou não sabe o que é “deveras”, pergunta pra mamãe. Beijos.

Não, mas não pensem que estou abrindo meu coração pra vocês neste apontamento, leitores. This is not a desabafo. Tolinhos.
Eu, aliás, acho péssimo quem abre o coração em blog. Pense, num lugar pouco apropriado pra abrir o coração. Eu quero mesmo é esculhambar o pessoal que acha cool ter doenças e neurinhas e QUER ter doenças e neurinhas. Não me pergunte por quê, porque essa coerência doida pertence àqueles que têm uma mente doida. Não é meu caso, antes que algum engraçadinho se antecipe.

Explico.

Quando eu digo que meu problema é d-i-a-g-n-o-s-t-i-c-a-d-o, é porque as pessoas curtem dizer “ah, tenho UM TOC”, sem saber nem o que é direito. Acham charmoso, bem capaz. Um dia eu tava com uma conhecida, comentei assim, por cima, do meu TOC e da minha organização excessiva [porque quem tem esses problemas, na maior parte dos casos, prefere esconder, né]. E ela:

- “Ah, nossa, eu também tenho um TOC, não consigo usar blusas estampadas”.

[pausa dramática]

Olha, eu achei tão idiota, MAS TÃO IDIOTA… que eu delicadamente disse: “É. MEU PSIQUIATRA inclusive passou remédio tal, um barbitúrico PESADÍSSIMO. Alterou minha personalidade. E você toma algum?” e ela logo se calou, porque sacou que ela não tinha nada, o que ela tinha era ausência de qualquer noção mesmo – infelizmente sem tratamento descoberto pelos cientistas britânicos. Pô. PÔ! Mania do povo, inventar que tem “stress”, “depressão”, “TOC”. Gente, essas doenças são sérias – e são DOENÇAS, de verdade. A tontinha falando que, puxa, é um TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO não usar uma blusinha? Grrrrrrrrrrrrrrr.

Foi que nem um dia, era tipo oitava série, eu tava com uma crise alérgica hercúlea [gostaram, “hercúlea”? li um dia desses, quis usar]. Sim, eu tava com crise de espirros [caramba, como eu sou seqüelada, haha. Daqui a pouco eu revelo aqui que passei a infância numa bolha, tinha premonições ou algo parecido]. Sim, parei de me interromper – o fato é que eu não conseguia andar nem dois passos sem espirrar violentamente, derrubando até a casa de aço inox blindada e com vidro fumê e cerca elétrica do terceiro porquinho da historinha. Daí, uma amiga [uma ENTÃO AMIGA, tsá, só pra reforçar que Beth Davis a despreza e eu também] me diz:

- Menina, isso que você tem é PSICOLÓGICO.

Sabe, sinto que o destino daquela vaca mudou e foi retraçado naquela cálida manhã de verão, após uma frase infeliz dessa, dirigida a MIM. Minha vontade suprema era riscar a faca no chão e perguntar: “Como éééé, minha filhaaaa?”.

Como vocês podem notar, há dois ódios inéditos que acabo de revelar. Maiores até que meu ódio por cheiro-verde e cajá: a raiva de quem quer ter probleminhas pra chamar a atenção e a raiva de quem minimiza os probleminhas que REALMENTE existem. Hunf. Nada pior que os seqüelados-wannabe que se orgulham e colocam até no perfil do orkut que têm um braço maior que o outro, seis dedos no pé, três buracos no nariz, um bisturi na barriga, espasmos quando come brócolis, torce pro time da Portuguesa e é fã do Katinguelê. Acho tipo assim: se você acha que tem algo diferente ou curte ostentar seu problema tosco, senta aqui, fala comigo e TENTA OUTRO ASSUNTO, esconda tudo, que eu definitivamente não quero saber das mazelinhas e anormalidades, ok. Dispenso.

E lembrei de outro episodio de escola, que tem a ver com pessoas que curtem criar probleminhas pra chamar a atenção. Era tipo quinta-série, quando surgiu uma modinha cretina de quebrar o braço. Todo dia aparecia alguém de gesso novo, que fase era aquela… Acho que era na quinta, não lembro. Mas enfim, no meu colégio uma menina da outra turma mandou engessar o braço, sem tê-lo fraturado. Essa idéia é de uma imbecilidade tão atroz, que eu nem sei se é verdade, até hoje. Mas acho que é, sabe por quê? Porque ela era daquelas lil’ bitches que adorava ser o centro das atenções e parecia que estava realizando um sonho, vendo o povo formar uma roda em torno dela pra escrever no gesso de canetinha, os meninos se oferecendo pra carregar os cadernos, os professores super preocupadinhos.

- Oi, auto-estima?
- Tchau.

True story

A verdade sobre alguns alimentos é difícil de ser encarada. Hoje a Jaq me revelou uma coisa horrível. O tomate seco. O tomate não é seco coisa nenhuma e aquilo é encharcado de ÓLEO - e eu crente que era pelo menos um azeite e do bão, do ligítimo. Uuugh. A estarrecedora revelação sobre dry tomatoes se soma à minha descoberta de que a maionese não passa de um ovão batido com uma lata de óleo em alta velocidade.
Vi no comercial de um mixer da Polishop, fonte confiável.

Bom, mas eu não gosto de tomate seco nem de maionese. Isso não mudou muito minha vida, portanto. Até porque uma coisa feia como um tomate seco não podia mesmo ter uma boa origem. E, contanto que não descubram nenhum podre no Toblerone - tipo mão de obra escrava ou minhocas -, pra mim tá de bom tamanho.

E vou fazendo meu frete, cortando o estradão.

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supergrass, ghost of a friend
rolling stones, shake your hips
the black keys, 240 years before your time