Toc, toc
10 06 2008ou só eu acho o Cauby Peixoto a cara do Austin Powers?
Acho que todo mundo que me viu algum dia na vida ou dividiu a fila da salada do self-service comigo por dois minutos deve ter sacado que eu tenho Transtorno Obsessivo-Compulsivo – ou TOC, para os íntimos e banalizadores.
E eu digo de antemão que é uma droga ser íntimo de TOC, tá. O meu é devidamente diagnosticado e referente à organização, perfeccionismo, limpeza e a alguns aspectos da fala. É uma tristeza, um verdadeiro carma, uma cruz que carrego e… [gosto de um drama]. Sinto necessidade seguida de satisfação ao alinhar todos os objetos com simetria, coloco livros e cds em ordem alfabética irracionalmente, conto respirações nas horas vagas, corrijo erros de português de uma forma doentia [ainda bem que revisão de textos me dá um extra money, hahaha]. Enfim, tenho uma coerência muito particular no meu cérebro, que me obriga, digamos assim, a obedecer a determinados paradigmas bizarros que eu mesma criei e…
Tá, é deveras complexo, eu sei.
E, se você não entendeu o TOC ou não sabe o que é “deveras”, pergunta pra mamãe. Beijos.
Não, mas não pensem que estou abrindo meu coração pra vocês neste apontamento, leitores. This is not a desabafo. Tolinhos.
Eu, aliás, acho péssimo quem abre o coração em blog. Pense, num lugar pouco apropriado pra abrir o coração. Eu quero mesmo é esculhambar o pessoal que acha cool ter doenças e neurinhas e QUER ter doenças e neurinhas. Não me pergunte por quê, porque essa coerência doida pertence àqueles que têm uma mente doida. Não é meu caso, antes que algum engraçadinho se antecipe.
Explico.
Quando eu digo que meu problema é d-i-a-g-n-o-s-t-i-c-a-d-o, é porque as pessoas curtem dizer “ah, tenho UM TOC”, sem saber nem o que é direito. Acham charmoso, bem capaz. Um dia eu tava com uma conhecida, comentei assim, por cima, do meu TOC e da minha organização excessiva [porque quem tem esses problemas, na maior parte dos casos, prefere esconder, né]. E ela:
- “Ah, nossa, eu também tenho um TOC, não consigo usar blusas estampadas”.
[pausa dramática]
Olha, eu achei tão idiota, MAS TÃO IDIOTA… que eu delicadamente disse: “É. MEU PSIQUIATRA inclusive passou remédio tal, um barbitúrico PESADÍSSIMO. Alterou minha personalidade. E você toma algum?” e ela logo se calou, porque sacou que ela não tinha nada, o que ela tinha era ausência de qualquer noção mesmo – infelizmente sem tratamento descoberto pelos cientistas britânicos. Pô. PÔ! Mania do povo, inventar que tem “stress”, “depressão”, “TOC”. Gente, essas doenças são sérias – e são DOENÇAS, de verdade. A tontinha falando que, puxa, é um TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO não usar uma blusinha? Grrrrrrrrrrrrrrr.
Foi que nem um dia, era tipo oitava série, eu tava com uma crise alérgica hercúlea [gostaram, “hercúlea”? li um dia desses, quis usar]. Sim, eu tava com crise de espirros [caramba, como eu sou seqüelada, haha. Daqui a pouco eu revelo aqui que passei a infância numa bolha, tinha premonições ou algo parecido]. Sim, parei de me interromper – o fato é que eu não conseguia andar nem dois passos sem espirrar violentamente, derrubando até a casa de aço inox blindada e com vidro fumê e cerca elétrica do terceiro porquinho da historinha. Daí, uma amiga [uma ENTÃO AMIGA, tsá, só pra reforçar que Beth Davis a despreza e eu também] me diz:
- Menina, isso que você tem é PSICOLÓGICO.
Sabe, sinto que o destino daquela vaca mudou e foi retraçado naquela cálida manhã de verão, após uma frase infeliz dessa, dirigida a MIM. Minha vontade suprema era riscar a faca no chão e perguntar: “Como éééé, minha filhaaaa?”.
Como vocês podem notar, há dois ódios inéditos que acabo de revelar. Maiores até que meu ódio por cheiro-verde e cajá: a raiva de quem quer ter probleminhas pra chamar a atenção e a raiva de quem minimiza os probleminhas que REALMENTE existem. Hunf. Nada pior que os seqüelados-wannabe que se orgulham e colocam até no perfil do orkut que têm um braço maior que o outro, seis dedos no pé, três buracos no nariz, um bisturi na barriga, espasmos quando come brócolis, torce pro time da Portuguesa e é fã do Katinguelê. Acho tipo assim: se você acha que tem algo diferente ou curte ostentar seu problema tosco, senta aqui, fala comigo e TENTA OUTRO ASSUNTO, esconda tudo, que eu definitivamente não quero saber das mazelinhas e anormalidades, ok. Dispenso.
E lembrei de outro episodio de escola, que tem a ver com pessoas que curtem criar probleminhas pra chamar a atenção. Era tipo quinta-série, quando surgiu uma modinha cretina de quebrar o braço. Todo dia aparecia alguém de gesso novo, que fase era aquela… Acho que era na quinta, não lembro. Mas enfim, no meu colégio uma menina da outra turma mandou engessar o braço, sem tê-lo fraturado. Essa idéia é de uma imbecilidade tão atroz, que eu nem sei se é verdade, até hoje. Mas acho que é, sabe por quê? Porque ela era daquelas lil’ bitches que adorava ser o centro das atenções e parecia que estava realizando um sonho, vendo o povo formar uma roda em torno dela pra escrever no gesso de canetinha, os meninos se oferecendo pra carregar os cadernos, os professores super preocupadinhos.
- Oi, auto-estima?
- Tchau.
True story
A verdade sobre alguns alimentos é difícil de ser encarada. Hoje a Jaq me revelou uma coisa horrível. O tomate seco. O tomate não é seco coisa nenhuma e aquilo é encharcado de ÓLEO - e eu crente que era pelo menos um azeite e do bão, do ligítimo. Uuugh. A estarrecedora revelação sobre dry tomatoes se soma à minha descoberta de que a maionese não passa de um ovão batido com uma lata de óleo em alta velocidade.
Vi no comercial de um mixer da Polishop, fonte confiável.
Bom, mas eu não gosto de tomate seco nem de maionese. Isso não mudou muito minha vida, portanto. Até porque uma coisa feia como um tomate seco não podia mesmo ter uma boa origem. E, contanto que não descubram nenhum podre no Toblerone - tipo mão de obra escrava ou minhocas -, pra mim tá de bom tamanho.
E vou fazendo meu frete, cortando o estradão.
.playlist
supergrass, ghost of a friend
rolling stones, shake your hips
the black keys, 240 years before your time
Categorias : Stories












.a sign