Pois é

15/09/2009

Eu poderia fazer como o Kiss e ameaçar acabar o blog, gerar uma comoção mundial e a queda das ações em Dow Jones, vender todos os produtos licenciados com minha marca, dar entrevistas reveladoras, ganhar RÚPIAS, muitas RÚPIAS, sumir no Uruguai e depois dizer: “Ah, gente, que chato isso de acabar, então diga ao povo que fico e minha próxima turnê será em um mês”.

Mas não. Ao invés de acabar o blog – como cogitei, juro pra vocês que sim -, preferi pensar em mudar um tantinho as coisas por aqui. Decidi isso hoje, tipo agora, NOW. Portanto, nada é definitivo e pode ser que amanhã eu diga que tudo vai permanecer como está – ou como ‘estar’, de acordo com o novo português EM VOGA no twitter.

Falando em twitter, enquanto as coisas não acontecem aqui, mando notícias do mundo de lá, usando meu heterônimo @flows.

Antes que apareçam eventuais especulações, eu não estou grávida, não aprendi a cozinhar, não aprendi a costurar, não formei uma banda, não tenho um novo poodle, não fiz uma nova tatuagem, não pintei o cabelo, não farei propaganda de faqueiro ou da câmera TekPix, não vou sair do blogueisso [a menos que a galera faça pressão, hahaha], não vou concorrer ao BBB10, não virei o oitavo CQC, o Liam não quebrou minha guitarra, não vou fazer hora extra como jornalista aqui nem serei a nova Helena do Manoel Carlos.

Tudo permanece, mas vai mudar um pouco. Sacaram? Hope so.
Enquanto isso, queria deixar aqui um aprecimenso ao pessoal que insiste em comentar aqui. CARA, LEIO TUDO, MÃE DO CAZUZA, TÔ CONTIGO.

Então até daqui a pouco.
Lucy

Noites traiçoeiras

24/05/2009

Fui o tipo da criança que deixou de comer bife e peixe por anos, porque eles eram seres vivos e tinham olhos. Por isso, mamãe não me contou a verdade sobre o peito de frango, para garantir alguma fonte de vitaminas e aminoácidos na minha alimentação. Desde então eu sou muito ecochata, pronto, cabou minha biografia.

Porque não bastava eu trabalhar a semana inteira até dez da noite fechando revista. E não bastava papai ter recebido um trote de algum presídio [aquela coisa bem lógica do 'um familiar sofreu acidente, mas compre três cartões Claro e nos passe a numeração, tudo ficará bem, acredite'] e ter me telefonado em seguida, descontando a raiva em mim.

Eu precisava de mais emoção.
E quis o destino que um bêbado tentasse invadir meu prédio na mesma noite.

YEAH.

1

Na verdade, o sujeito era um CACHO de uma menina que mora no comdomínio, com a mãe. Três e meia da madrugada era o horário perfeito para ele dar uma passada lá, tomar um café, oisogratudobomvimtever. Lógico que o porteiro não permitiu que o cara entrasse, naquele estado alterado de consciência e àquela hora da madrugada. A mãe da menina atendeu o interfone aos bocejos e disse que nem conhecia a figura, o que foi lindo e bem espírito-de-porco, convenhamos. Tipo “nunca vi esse sujeito, tirem-no daqui”. Delícia.

Fez-se o cenário de horror. O bêbado ficou furioso do lado de fora, chutava o portão, fazia um barulho horrível. Smells like baixaria spirit.

[tirem as crianças da sala para que eu possa dizer o estribilho da canção]

- Ah, porteiro, você não vai abrir não? Seu filho de uma RAPARIGA RUIM! Corno, viado! Venha aqui, venha apanhar de um MACHO!

Os apartamentos iam acendendo as luzes, as típicas cabecinhas nas janelas surgiram and so on.

E que entrem os *valentões de short*. Todo prédio tem pelo menos dois, pra dar cobertura e proporcionar mais intensidade em momentos como esses. Daqui, desceram uns seis. Logo alguém arruma um pedaço de pau [tava guardado na mesa de cabeceira? ou na cristaleira, quem sabe], num instante supremo de civilização. Minha irmã informa que um deles lutava muay thai, jiu jitsu, boxe tailandês, sumô, war, palitinho, banco imobiliário e toda sorte de esportes que você conhece. “Ele deve beber leite e ser temido em todo o faroeste”, pensei, quando vi o sujeito.

O estribilho da canção o tempo todo no ar, repetindo na rave, mentalizem, mentalizem.

Um dos valentões de short encara as críticas do bêbado como pessoais e retruca:

- Seu merda!

E chuta o portão, pedindo pro porteiro abrir e deixá-lo RESOLVER a situação como HOMEM. Aposto que ele tem uma torre de caixas de som e um filete de neon no carro tunado. Típico. Cada um enfim, dando sua contribuição para a resolução harmônica e pacífica do conflito. Não sei porque ainda existem guerras no mundo, se há tanta diplomacia em nosso redor. E, nessa hora, desce a esposa do muay thai, para segurar o homem. Outra fofa também chega, de CAMISOLA PRETA, portando um poodle toy e UMA CÂMERA DIGITAL. Acho a presença da imprensa fundamental, para registrar. Não sei como não fizeram um streaming da situação, no JustinTV. Devia ter o twitter também, do @bêbadobosta. Eu, FUMAÇANDO de ódio. Meus pais nem tomaram conhecimento. Minha irmã veio fofocar no meu quarto, ainda bem.

O bêbado cada vez mais furioso, e resolvo ligar para a polícia. Eu não tô com a vida ganha, tinha que trabalhar dali a algumas horas e tenho uma pele a zelar. Julgava que o momento precisava de uns cops.

2

Não, não são copos. Eu disse COPS, tiras da pesada, tal.

O atendimento do 190 é lindo e atencioso….. NA ISLÂNDIA. Dei boa noite, descrevi a cena, disse meu nome, o endereço, o número, o bairro, um ponto de referência, pedi por favor para mandarem alguém. Basta? NOT. “Qual a via de acesso”? [tac tac tac, digita-digita] Porra, eu moro numa avenida. Que raios de “via de acesso” ela sugere, além da avenida em si? O endereço é pra eles chegarem de carro, não de esquadrilha da fumaça, pô. Saco. Daí, a vaquinha pergunta: “Ahnn, tá. Mas qual é o endereço mesmo?” [tac tac tac, digita-digita] AH, SÉRIO. Ela trabalha mesmo na polícia ou aquilo é o Habbib’s? “Se um policial não chegar em 28 minutos, a senhora não paga a pizza”.

A fofa disse que a viatura da Ronda [sempre lembro da música da Rosana, do 'animal que ronda'] já estava se deslocando.

[tic-tac-tic-tac | 15 minutos]

A confusão prossegue na portaria do prédio, as ameaças ao porteiro-sangue-de-barata, os valentões de short, “vem pra cima, seu corno manso!”, o poodle latia, a moça de camisola falava “calma, rapazes” e nem sinal dos cops. Quatro da manhã e meu dia de trabalho prometia ser ma-ra-vi-lho-so. Ligo novamente para a simpática moça do 190. Era o carisma em pessoa: “A senhora tenha calma, AFF, que a viatura já está chegando! AFF! Já recebemos QUINHENTOS telefonemas, viu, tá chagando”. E ela pede pra eu REPETIR o endereço. [tac tac tac, digita-digita] Era uma calma, parecia que eu tava ligando pra um jardineiro vir podar a grama do meu campo de golfe.

Finalmente, fico impaciente – o que é um milagre. “Senhora, por favor, a situação está grave, o rapaz quer invadir o prédio, vai que ele está armado? Daqui a pouco, nem vamos precisar dos policiais, a gente liga pro IML direto, pronto, olha que bom”, essas coisas. “AFF, a senhora sabia que a viatura precisa de tempo pra se deslocar? AFF”. Lembro que a Ronda era DO QUARTEIRÃO. Ela dá um “bom dia” despeitadíssimo e DESLIGA NA MINHA CARA.

Deixa eu ver se entendi. Gente, me ajuda. Eu queria saber em que espécie de ringue aquela vaca foi treinada. Ela tava ali do lado, lustrando uns coturnos, e acabou atendendo o telefone. Prefiro acreditar nisso, a saber que essa moça passou por um treinamento. Eu só queria um policial, tava todo mundo em perigo, tinha um louco aqui fora… e a atendente brigou comigo e me tratou com abuso, além de desligar na minha cara. Vaca.

Eu nunca tinha precisado ligar pra polícia, sabe, e minha decepção não teve tamanho. Eu esperava que a experiência seria algo como o Emergência 911, aquele programa legal americano. Policiais afáveis que atendem em uma sala onde só tocam telefones. Tiras tão bacanas que ajudam um pivetinho de quatro anos a resolver a lição de matemática [Foi lindo, vejam]. Tiras dinâmicos e racionais, tipo “senhora, estamos na West End com 74th, sentido oeste, estamos a caminho, existe alguém perto que possa fazer uma massagem cardíaca?, destranque sua porta”.

Queria ver se essa atendente vaca daqui fosse ajudar a moça que foi vítima de uma picada de viúva negra, escondida em sua pantufa, em um episódio que até hoje influencia meus hábitos. A coitadinha teria experimentado uma morte lenta e dolorosa, com sudorese e CHOQUES, sacam.

3
Não, não é a dos Vingadores, falo da viúva negra, a aranha. Nunca mais calcei meus all stars ou sapatilhas sem olhar antes o sapato todinho por dentro, pra ver se não tem uma viúva negra, uma tarântula ou uma barata, uma iguana, sabe-se lá, qualquer um desses animais asquerosos que Deus colocou na terra só pra brincar com nossos sentimentos.

4
E, contra viúvas negras, use PEEP TOES. São lindos.

Minutos depois, chega a polícia. Não vi bem o que aconteceu, mas tudo parecia resolvido. Os cops levaram o rapaz bêbado, e os valentões de short, a moça de camisola, o poodle e todos voltaram a dormir.

Todos, MENOS EU, lógico.

No quarto, tenho que me contentar com a lástima da TV aberta. Os sujeitos que montaram a programação fizeram algum pacto com a ["versão brasileira"] Álamo – o Herbert Richers perdeu a licitação? – e o David Lynch. Só isso pra explicar a sucessão de cenas insólitas, enquanto zapeio os canais. Fiquei pensando que tudo aquilo deve ter algum sentido oculto, uma mensagem, um spoiler do Lost, anything.

Em um filme do Corujão, duas moças, que aparentavam ser assassinas lésbicas, tavam numa roda gigante ameaçando um rapaz de rosto desfigurado. [corta] Chego em um debate sobre a regulamentação das terras ocupadas na Amazônia. [corta] Passo por um programa local onde bailarinas dançam forró com PASSINHOS DE FUNK, enquanto um sanfoneiro de BOTAS BRANCAS toca uma canção frenética. [corta] Brincos de rubis leiloados. As unhas da mulher que mostrava as joias eram perfeitas, aí lembrei que no dia seguinte eu tinha marcado hora na manicure, depois de duas semanas sem tempo livre. Eu poderia alimentar as crianças da África com minhas cutículas. [corta] A propaganda da Polishop mostrava uma escada que pode ser montada de sete maneiras. Praticamente um kama sutra. [corta] Listras coloridas em um canal sem programação. [corta] Em outra emissora local, a VJ tentava pronunciar o nome da menina que queria votar no clip da Rihanna. A garota não queria dar seu nome verdadeiro, então se identificou com um nome improvável que ela usa na internet, que devia ser Lady Sakura qualquer coisa. [corta]

Depois de ganhar 564 pontos de Q.I. com essa programação, quis o destino que eu dormisse.
E ainda quis o destino, esse garoto-maroto-travesso, que eu acordasse UMA HORA DEPOIS com novos gritos e chutes no portão do rapaz bêbado, às seis da manhã, querendo novamente entrar. Ah, tenham dó. Acho que os policiais fizeram aquele servicinho excelente de sempre, de levar o cara na cadeia, dar umas surras, atualizar a ficha criminal, deixar o sujeito bem revoltado e dar uma carona pra ele se vingar de quem chamou os guardas, fechando o ciclo. A tag #freemarginais reina.

Os vizinhos ouviram a situação, voltaram a acordar e conversavam – de um bloco a outro, gritando pelas janelas -, ultrapassando todas as barreiras remanescentes da noção. Eu já tava esperando que alguém montasse uma mesa de café da manhã com uvas e queijos, lá embaixo, para todos ficarem mais à vontade na repercussão do fato, que nem sei como terminou, porque fiquei com tanta raiva que fechei as janelas para dormir mais 20 minutos.

Vou formar a ONG Educa, Brasil e fazer uma apostila de boas maneiras, com as regras dos talheres, dicas de como falar baixo e 450 horas/aula sobre noção.

E hoje foi um emocionante post, sei lá, de cunho social.

I’m back.

Olá, mundo!

30/03/2009

Welcome to Blogueisso.com Blogs. This is your first post. Edit or delete it, then start blogging!

06/03/2007

Sussurra, Fabio.

Eis que você, mulher, está navegando na sua própria lancha em uma relempejante noite de tempestade, quando ohhh, ohhh, você encontra o FÁBIO ASSUNÇÃO – mais Brad Pitt do que nunca – boiando a esmo. Então, você salva o peixão e ambos trocam olhares. E trocar olhares com o olho azul do Fábio… enfim. Daí, você se descobre na ilha do Lost, Lost with Fábio, e apenas uma cabana de pescador devidamente abandonada se apresenta como um abrigo safe & warm na tormenta. Aí, ele diz, com aquela voz sensual do comercial da Marisa, que mora no Rio, mas ama Parati e tudo o que falta para Parati ser mais linda é VOCÊ. Na cabaninha rústica, tem uma roupinha limpinha e passadinha de pescador pro Fábio não pegar um resfriado, claro, além de uma despensa com macarrões e sopinhas. Então, Fábio adormece febril e frágil, com um curativo, nada mais que um curativo, naquele tórax LINDO, DEFINIDO E MUSCULOSO. Você, fazendo aquela milenar cena de novela, a das compressas molhadas.

- Não queria acordar você… só queria ver se tava com febre.
- “É maravilhoso ser acordado por você”, sussurra Fábio.

No afã de cuidar de Fabio, só agora você percebeu que sua blusa branca ainda está molhada, mas enfim, você propõe fazer aquele macarrão mais simples que existe, com molho de salsicha. Fábio te olha, morde o lábio e fala, com a felicidade de um comercial de margarina: “Uau, nunca comi nada tão delicioso”. E diz… diz… que sempre sonhou em conhecer uma mulher linda e franca e simples e meiga como você. Apesar de fofo, Fábio é ávido e tarado e tenta tudo, TUDO. Ele quer arrancar sua blusinha na calada da noite, mas você nega, beija, mas nega, diz que não é assim, beija, mas se conheceram agora e está confusa.

- “Eu te entendo. Vou respeitar o seu tempo”, sussurra Fábio.

Não é lindo? Aí, você desconversa e diz:

- Ohh, acho que a tempestade vai demorar. Teremos que passar a noite aqui na cabana.
- “Não será nenhum sacrifício passar a noite aqui, com você”, sussurra Fábio.

Em síntese, uma avalanche de frases feitas lindas, que combinam perfeitamente com o fofo do Fábio, antes de subir o áudio da música do Chico Buarque.

Olha você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei pra mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim
Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
E eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é prá valer
Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

E Fábio pega um colchonete e vai pro relento, dormir, pensando em você sob as estrelas.
Ai, ai.

[...]

Tão diferente do potranco Zé Mayer, nosso Jece Valadão da atualidade, que esbofeteou Helena Ranaldi no último capitulo da novela passada, arrematando a cena com a frase antológica: “É uma pena que você não tenha arrumado um homem pra te dar o que você precisa: SEXO E PORRADA”. Ui.

[...]

Cês não tão entendendo, mas desde Labirinto – em que Fábio Assunção vivia André Meireles, um fugitivo lindo e suado que se veste de preto e luta para provar sua inocência no assassinato de um milionário –, Fábio Assunção povoa meus sonhos. E lá se vão noooove anos.
Nem com Hugh Grant a coisa foi assim, tão intensa.

Gilberto Braga reina. E reina forte.

Cotidiano

Eu sou realmente um desastre no ambiente doméstico, com ênfase na hora de fazer compras. Quando eu for morar só, terei diversas dificuldades logísticas, já que na minha casa jamais terá desinfetante ou sabão em pó, por exemplo. Por dois motivos simples. Porque 1. eu tenho uma rinite alérgica matadora e passo a quilômetros de distância da parte dos produtos de limpeza e 2. eu jamais me lembrarei de olhar as partes chatas do supermercado, tipo as carnes cruas e fedidas ou os legumes maçantes.

Diante de tantas novidades tecnológicas em shampoos legais e hidratantes divertidos, como me lembrarei dos alhos e dos fósforos? Curto mesmo é olhar os queijinhos, os biscoitos, os sorvetes, chás e sucos, os danoninhos com coisinhas, as geléias, os patês, os frios, os cereais saudáveis pra misturar com os danoninhos, as massas prontas, o Miss Daisy da Sadia e, tá, algumas frutas, além da indispensável panificação.

Logo, as delicatessens são os melhores e mais glamourosos lugares do mundo para as compras.
Abaixo os supermercados e as vassouras feias expostas.

ibrahim ferrer, la chica del granizado

02/03/2007

Nobody said it was easy
.entre 3 mil eleitos, nós ficamos a dois metros do Coldplay

Eles são tachados de emos, auto-ajuda, moços bem comportados. Afinal, é de rótulos que vive a imprensa. Ora, eu sou imprensa e isso pra mim é tão óbvio… Mas vejamos. Pensemos em rótulos, em “tags” [isso é tão contemporâneo, tags!], em palavras que parecem desde sempre estar entre nós e que reproduzimos direto – muitas vezes, sem saber o que significam exatamente ou sem refletir sobre seu real sentido –, como “mensalão”, “terroristas”, “gordura trans”. Clichês, enfim.

Falo de clichês porque o Coldplay é o tipo da banda que carrega nas costas o fardo de uma série de adjetivos-lugares-comuns, que as pessoas saem por aí reproduzindo a esmo, mesmo sem conhecerem seriamente o trabalho da banda. Outro expediente comum na imprensa é associar a existência de uma banda a outra e fazer diversas comparações entre elas – embora elas não se importem bulhufas com isso. Tipo, nada de vidas independentes: o Oasis só existia com o Blur, os Stones na cola dos Beatles e por aí vai. No caso do Coldplay, a banda não parece ter existência independente do Radiohead [talvez por conta das melodias tranqüilinhas em alguns momentos, do jeitinho Creep de ser ou dos uivos do vocalista nas canções] ou do U2 [cujo frontman bondoso também cura doentes na África com o toque sagrado de suas mãos], por exemplo. Embora as três bandas sigam percursos musicais e estéticos completamente opostos, com propostas distintas.

Basta ver a resenha do Estadão sobre o show. A comparação é exatamente entre Coldplay, Radiohead e U2, vejam só.

Há tempos o Radiohead e o Coldplay não se parecem, a meu ver – afinal, como encontrar um elo entre obras como Amnesiac ou X&Y? Particularmente, não vejo muita razão de comparar. O que disse é exatamente isso: a preguiça mental de se utilizar novos adjetivos e de ouvir novamente os cds, para construir um juízo de valor independente de outras bandas. Lisonjeiro pacas, uma banda em seu terceiro disco ser comparada ao U2 – mas até que ponto isso não é mais um lugar-comum?

Ah, pois é. Esse preâmbulo todo [e “preâmbulo” é uma palavra super legal] é meio que uma defesa do Coldplay, sabe. Eu mesma via a banda como um sub-Radiohead, poucos anos atrás. E achava que cada lugar-comum aplicado a eles era justificado, até ouvir mais atentamente os discos e perceber que, puxa, parafraseando os discos do Bon Jovi e do Elvis, os 28 milhões de fãs que compraram os três álbuns da banda can´t be wrong. De fato, a trajetória de Chris Martin e seus amigos é certinha, sem erros, ousadias ou percalços. Mas disso a imprensa reclama também. Li em muitos sites que “a banda, sem sair de seu repertório, brindou os fãs que esperavam os grandes hits, como Clocks, Trouble e Yellow” ou “sem surpresas, agrada a todos com roteiro infalível”. Ué, se segue um script e toca hits, a banda é monótona e mainstream; se experimenta sair da fórmula, é hermética e instável… Quero ver você, fã do Radiohead, se passar num show com todas as musiquinhas super “assobiáveis” do, sei lá, Kid A… Ninguém quer ir prum show desses pra ouvir b-sides, me poupem.

O que as pessoas precisam refletir é acerca uma coisinha super básica: cada tipo de música se adequa a um momento. E Coldplay é para horas de introspecção. Um exemplo: eu tenho um grande amigo de sala que adora colocar Chico Buarque, Toquinho e Belchior em festinhas. Ok, eu curto o Chico, mas na festinha da faculdade a gente quer escutar The Killers e Raconteurs, coisas up e animadas, dá licença. Então. Há as músicas certas para:

- escutar quando tá chovendo: Mornington Cresent, do Belle & Sebastian | Married with Children, do Oasis;
- ouvir em viagens: Magical Mistery Tour, dos Beatles | Paranoid Android, do Radiohead [deve parecer um clip, ouvir isso no carro. Ainda faço um road movie];
- se empolgar com o comecinho: Hey Bulldog, dos Beatles | Superstition, do Stevie Wonder | What I’d Say, do Ray Charles | Seven Nation Army, dos White Stripes;
- curtir aquela fossa: Lonesome Town, com o Paul | Original of the Species, U2;
- cantar bem alto: Girl, do Beck | Michael, do Franz Ferdinand | Gimme Shelter, dos Stones;
- fazer sexo: ênfase no Serge Gainsbourg e Jane Birkin | Lucille, com BB King | a interminável I want you/She’s so heavy, dos Beatles;
- situações altamente românticas: Wonderful Tonight, do Eric Clapton | God Only Knows, dos Beach Boys | My Love, do Paul | Let’s Get it On, Marvin Gaye;
- amores tortos: The Scientist, Coldplay | Não vou deixar você tão só, Roberto Carlos;
- se passar: qualquer uma do Suede ou do Bowie | Technicolor, dos Mutantes | Misirlou, do Dick Dale – ahhh, o começo de Pulp Fiction! | Bebete Vãobora, do Ben Jor;
- dublar quando tá bêbada: Rock’n Roll Suicide, do Bowie | Chiquitita, do ABBA | Siga seu rumo, Pimpinela.

Mas enfim, err…abafem o caso quanto ao ABBA e Pimpinela. Pois é, a mesma coisa ocorre com bandas como o Coldplay. Oh, eles não são o que podemos chamar de “animados”, ué. Que problema há nisso? Ninguém espere que Shiver agrade naquela baladinha com os amigos… Ah, cês entenderam. Acho que eles não procuram ser uma unanimidade e Coldplay definitivamente não é banda de animar festinha, ué. E isso não é demérito nenhum. Música pra balançar o esqueleto e mexer as cadeiras, até o extinto Vinny fazia. Mas vá atrás de fazer uma canção verdadeiramente tocante e que seja a música da vida de umas 10 milhões de pessoas. É que nem o Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, que é o filme da vida de praticamente todo mundo que o assistiu…

Enfim, eu fui ao show dos caras. E digo que realmente me emocionei e me derramei e me passei com aquela apresentação inesquecível. Fora que os alto falantes tocavam Tomorrow Never Knows, dos Beatles, minutos antes de a banda entrar no palco. Apoteose. Fora o burburinho da chegada de Rodrigo Santoro [belo! belo!] ao show.

E agradecemos todos os dias aos céus que os boatos lançados [ohh, a internet, a internet] sobre um provável show com canções inéditas, e nada além de canções inéditas, eram completamente infundados. Ouvimos, sim, Talk, Speed of Sound, Fix You, Square One, Trouble, The Scientist [lagriminhas!], God Put a Smile Upon Your Face [mais lagriminhas!] e tudo aquilo que esperávamos e sonhávamos ouvir mesmo. Iguaizinhas às versões de estúdio, tudo lindo – ao contrário de um DVD do Lou Reed, em que ele consegue deturpar magistral e horrorosamente as próprias músicas, sendo algumas uns hits seculares. Pois é, saí do compacto Via Funchal, em SP, completamente rendida ao Coldplay e ao carisma e ao borogodó de Chris Martin – ele é um capítulo a parte, porque é todo tortinho tocando piano e violão e consegue ser al-ta-men-te sexy, extasiante e suadinho mesmo assim, oh my god, como ele consegue.

- Gwyneth Paltrow, sua danada.

Como num pub, a atmosfera intimista conquistou a todos e deixou banda e fãs altamente à vontade; como num estádio, empolgou e foi grandiosa pela energia e os sentimentos que despertou. Só quem foi poderá entender a química e tudo o que se passou naquela noite. Evidentemente, seria preferível um show desses bem grandes, de arena mesmo, com bem mais de 3 mil pessoas e preços mais módicos. Mas mesmo assim, foi inacreditável.

Brilho nos olhos.
Esse foi um texto completamente parcial e é por isso que eu adoro ter um blog, ó.

E as perguntas que restaram:
- O que foi “Clocks”?
- O que foi a gente saindo da fila K para a frente do palco?
- O que foram os souvenirs que pegamos? [garrafinha de água do palco, set list, os balões estourados por Chris]
- O que foi o retorno da banda, quebrando o protocolo, após gritos ensandecidos dos fãs pedindo “Shiver”?
- O que foi a banana split nababesca que dividimos com quatro pessoas no Fifties, após o show? E o que é o catchup Heinz?!

Sim, nem contei pra vocês. Mas compramos ingressos de preços intermediários na fila K, lá no limbo, e, na terceira música, já tínhamos passado para a fila D. Virou Brasil e todo mundo esqueceu as manés cadeiras numeradas e ficou em pé, pulando mesmo. Balões, jogo de lasers, blusa rasgada do Chris, vimos de tudo. Só sei que, lá pelas tantas, a gente já estava era na beira do palco e foi tudo ohhh, fantástico. Ora, porque se eu viajo 3000 km é pra encostar os peitos na grade mesmo, ora. E lá nem tinha grade e foi melhor ainda.

Ah, e hoje o Chris tá de níver!

- Apareço mais tarde na tua casa, gato.
Me espera, vai, com aquela serpentina que eu a-do-ro.

.“você tava dormindo?”

Não, não tava dormindo. É que o maior constrangimento de se estar com voz de cantor de blues ou de imitadora da Rogéria, devido a uma laringite AGUDA, é quando as pessoas ligam pra você as 10 da manhã e perguntam se ainda tava dormindo.

Falando em laringite AGUDA, tô meio que proibida de falar, de novo. É uma das maiores torturas para alguém como eu – acho que o único medo que ganha é o de virar diabética e não poder comer doces nunca mais.
Pois é, e ontem fiz, pela primeira vez, o exame do engúio, né. Aquele em que colocam um aparelho IMENSO e desagradável na nossa garganta. O melhor foram as respostas super delicadas da médica para minhas inquietações, tipo: “Sim, doutora… mas esse aparelho, hein… é enorrrme! Por que é tão grandão?!?”. E ela: “É claro que é grande. Afinal, eu preciso ter uma parte pro lado de fora, né, pra poder segurar”.

Orra, ai, minha testa. Fiquei beeeem caladinha, o exame todo, depois dessa. Fora que ela me deu mó bronca, dizendo: “Olha, tá vendo porque você está rouca? Fala demais, você. Eu te faço uma pergunta e você me responde três coisas…”.
Eu queria sumir, ó. Perdi a moral, olha isso.

- Mas podia ser bem pior.

Podia ser meu médico da rinite gatinho, fazendo o exame do engúio. Porque a pior coisa que há é alguém te ver nessa situação vexatória, ainda mais o otorrino lindo por quem você nutre uma paixão platônica, alimentada a cada crise de rinite que me faz parar na emergência. É belo. Mas já basta ele conhecer a beleza interior do meu nariz e ouvidos. Mas engúio nunca! Nunca! É degradante, o processo. Quase tão horrível quanto o ultra-som que descrevi dia desses aqui no blog. A médica coloca uma anestesia amarga como… como… ah, super amarga, amarga pacas, com um spray. Depois começa a tortura de falar vogais por intermináveis 10 minutos com aquele troço na garganta. O horror, ainda mais em se tratando de uma laringite AGUDA. E o tamanho das drágeas de remédios que tô tomando? O maldito fabricante também não sabe o que significa uma laringite AGUDA.

.da série de buscas esdrúxulas no blog

- receita arroz tricolor culinaria mexicana
Caro amigo Tricolor! Bem vindo ao Flows! E aquele 4 X 0 ante-ontem, hein?!

- frases criativas de arrumação e limpeza
… você também tem esse transtorno obsessivo compulsivo?

- duda nagle vídeo
Eu também quero.

- bijuteria em arame hippie
Demodé, fofa. Use acrílico, que está na crista da onda. E, pelo que vi em SP esse verão, as borboletas dominarão a estação.

- Emanuelle and the Last Cannibals
Eu também quero.

- creative nail leblon rio de janeiro
Creative Nail Leblon é mais um produto Polishop? Dos mesmos criadores do Grill George Foreman, do Invisible Bra, do ABTronic System e do meu sonho de consumo, que é a máquina de fazer waffles?

- receita imitação do refrigerante fanta
Essa é velha, é a história do suco de laranja com cenoura misturado com água com gás, acho. Mas o último grito da moda é o Mentos com Coca Cola. Experimente! É uma explosão de sabores! [haha]

- música terra do nunca de angélica da novela Era uma vez
É aquele dueto com o Rodrigo Faro?!?!?!!?

- cachorro para recortar e montar super grande para adolescentes
No meu tempo, os adolescentes não eram chegados a essas coisas.

- mick jagger ex
sou Luciana, mas não a Gimenez.

- maracuja com fungos pictures
fungos pictures? Eeeca.

- quero aprender a fazer guirlanda
Too late, bêibe.

- she-ra a princesa do poder
“Desculpe se eu sou ousadinha”.

- comidas tipicas da califórnia
nachos?

- receita din-din de coco com nescau
Deve até fazer mal pra saúde, isso. Em receitas, o Nescau deve ser substituído, com dignidade, pelos chocolates ao leite genuínos em pó, da Nestlé. No caso do dindin, Nutella até que deve dar um bom efeito. Você gasta 2 reais pra fazer e pode vender por $15, amiga telespectadora*.

- como criar um scrap no adobe photoshop
Medo. O photoshop na mão de criminosos e fofuxuxxx do orkut é um perigo.

*Falando em Ana Maria Braga, a frase ápice da semana passada foi: “Louro José, canela é uma delicia, né. Um sabor tão brasileiro… uma coisa assim, Marília Gabriela cravo e canela”.
E o que são os apliques que ela pôs no cabelo? Parecem aleatórios, uma coisa estranha… é como se o Marco Antônio de Biaggi a tivesse sentado na cadeira e, rodando, tivesse grudado a esmo os fios. Ficou exótico, eu diria.

.agora, a parte carioca das férias

- Toda pessoa de bem deve provar, ao menos uma vez na vida, o crepe gigante de Nutella coberto de morangos generosamente picados em Copacabana. É como encontrar a luz e a elevação espiritual através das coisas simples da vida. Dizem que o terceiro segredo de Fátima trata desse assunto;

- Falando em elevação espiritual, os bolinhos de bacalhau e as empadinhas cariocas acalentam a alma;

- O auge do despojamento foi o que vimos as ONZE DA NOITE em um ônibus carioca: um cinqüentão grisalho de sunga – e NADA além de uma sunga. Tipo, sem pochete, bolsinha, chinelos, toalha ou chaves de casa. Nada. Só uma sunga azul. O enigma seria: Onde diabos ele tava guardando o dinheiro do metrô, Batman?!?!?!

- Sim, desfilei na Sapucaí, pela Grande Rio. Essa informação está misturada aqui no post e vem sem nenhum destaque. Apenas alguns lerão. Porque enfim, eu sou rocker e não quero me expor, tal. Mas foi bacana, vimos Beth “preterida” Carvalho, Grazi, Fernanda Lima, W-a-g-n-e-r Montes, lá-lará-lará-lá-rá!!, e Jorge “barraco desabou” Aragão. Inclusive, eu achava que o samba do Barraco Desabou tinha um cunho social, “a social conscience”, hahaha, imaginem.

- Mas meu sambão preferido continua sendo aquele do ArtPopular, o do “você reclama do meu apogeeeeu… do meu apogeu… até parece que o céu vai desabaaaar… desabo-oou”.

- Tá, e desfilei de camiseta molhada num bloco de carnaval em Santa Teresa. Mas é que tava super calor, e tal.

- Parêntese para a frase pinçada do BBB da semana passada, com o negão indignado, subindo na escadinha da piscina e abrindo o coração, gritando: “Mas o Alemão fica andando por aqui de cueca branca! E MO-LHA-DA!”.

- E voltei viciada em drogas, tipo o Doritos Nachos.

[...]

O crème de la crème do dia é essa cena marcante, emocionante e antológica de Regina Duarte trocando os bebês, em Por Amor. Psicose pura. Possessão, obsessão, catarse. Vejam os olhos saltados e os trovões. O imberbe Marcelo Serrado nem deve ter dormido a noite.
Nada a ver com o post de hoje, mas é que me lembrei desse vídeo agora e tenho um amigo que, a propósito, tá me devendo a performance definitiva da troca de bebês desde o ano passado…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=bY2vNYe4qmM]

Rafael: algo com obsessão e luxúria, sensual sem ser vulgar.
me: claro, algo artístico.
Rafael: (risinhos meigos e abafados, by regina)
me: nada por dinheiro, é porque a gente gosta.
Rafael: sim. é por amor. e porque queremos a renovação na política. estamos cansados de campanhas demagógicas.
me: voa, passarinho!

the scientist, coldplay

22/11/2006

A ESTRELLA: Francisca Clotilde e literatura feminina em revista no Ceará (1906-1921)
Luciana Andrade de Almeida

Lançamento
Data: 27 de novembro de 2006
Horário: 18h30
Local: Museu do Ceará
Rua São Paulo, 51 – Centro
Fortaleza – CE
Volume 45 da coleção Outras Histórias

Livro que inicia com uma receita de goiabada e termina contando a história de uma revista que durou 15 anos. Assim é A ESTRELLA: Francisca Clotilde e literatura feminina em revista no Ceará (1906-1921), da autoria da jornalista e historiadora Luciana Andrade de Almeida. O volume 45 da coleção Outras Histórias, do Museu do Ceará, apresenta a revista literária A Estrella, que completa seu centenário de fundação em 2006. Foi a menina dos olhos da escritora cearense Francisca Clotilde (1862-1935), cearense nascida em Tauá, região dos Inhamuns. Ao lado de sua filha, Antonieta Clotilde, e de quase uma centena de colaboradores e colaboradoras de todo o País, as “Clotildes” mantiveram a publicação, que apareceu em Baturité-CE a 28 de outubro de 1906 e cujo último número circulou no final de 1921, em Aracati. Suas 193 edições, produzidas durante 15 anos, foram sustentadas pela persistência de mulheres que nutriam grande apreço à escrita e tinham por compromisso constituir espaço de produção e divulgação literária.

O texto de Luciana Andrade, desenvolvido a partir de sua monografia de conclusão do curso de Jornalismo na UFC, dá a conhecer ao leitor a trajetória de escrita de Francisca Clotilde, que dedicou meio século de sua vida à literatura e ao ensino. Foi a primeira professora do sexo feminino a lecionar na Escola Normal do Estado, aos 22 anos de idade (1884). Era um período de intensa atividade intelectual no Ceará, com o aparecimento de agremiações literárias, bibliotecas, circulação de mais de uma centena de jornais, na última década do século XIX.

A escrita foi um meio que possibilitou inserção mais representativa das mulheres nessa esfera intelectual, predominantemente masculina até então, alargando suas possibilidades de atuação social. Clotilde habitava esse mundo de leituras, leitores, escritas, circulação de idéias. Foi republicana e abolicionista, tendo pertencido ao Clube Literário (1886). Ali colaborou com artigos, contos e versos, ao lado de Antônio Sales, José Olimpio, Juvenal Galeno, Justiniano de Serpa. Foi desenvolvendo a escrita em várias formas, como sonetos, publicidades, peças de teatro. Para conquistar espaços, contudo, a escritora não masculinizou sua escrita ou utilizou pseudônimos de homens: sua outra identidade literária era Jane Davy e, em sua trajetória escrita, posicionou a mulher e suas idéias no espaço da imprensa. Tematizou o universo feminino – em 1902, publicou romance de título controverso, A Divorciada, revelando sua experiência pessoal.

Em 53 anos dedicados às letras e ao ensino, Francisca Clotilde colaborou em grande número de periódicos, como O Domingo, A Quinzena, Folha do Commercio, Almanaque do Ceará, A Cidade, Ceará Ilustrado, A Fortaleza, A Evolução, Revista Contemporânea, A República, na folha operária O Combate e no abolicionista O Libertador. Publicou, ainda, Coleção de Contos (1897), Noções de Aritmética (1889), A Divorciada (1902), Fabíola, drama sacro em 3 atos (s/d), o drama Santa Clotilde (s/d) e Pelo Ceará (1911), série de artigos políticos editados na Folha do Commercio, em apoio à queda da oligarquia aciolina e a favor da candidatura de Franco Rabelo.

Contrariando o senso comum, encontra-se, através da história de Francisca Clotilde, várias mulheres que insistiram e conseguiram manter um jornalzinho, uma revista, publicar livros e exercitar o fazer literário. A escritora pode ser situada em um contexto sócio-histórico que permitia sua atuação. Partindo da trajetória de Clotilde, apreende-se uma visão diferente das tradicionais abordagens da história sobre mulheres, freqüentemente representadas como oprimidas, vítimas ou coadjuvantes. Suas experiências e lugares sociais são elementos para a compreensão de sua expressão pública, espaços femininos de sociabilidade e o diálogo com intelectuais.

Era uma mulher do seu tempo, que se afirmou pela palavra.

A autora
Luciana Andrade de Almeida nasceu em São Paulo, em 1983. É jornalista, formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), em 2004. Concluiu a graduação com a monografia “Das Lutas ao Cotidiano Agri-Doce: pioneirismo e ousadia na escrita feminina de Francisca Clotilde em A Estrella (1906-1921)”, orientada pela jornalista e historiadora Ana Rita Fonteles Duarte. Atualmente, é mestranda em História Social na UFC, contando com o apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) na realização da atual pesquisa, que amplia o estudo sobre o percurso de escrita de Francisca Clotilde, com orientação da professora Adelaide Gonçalves.

Apoio
Associação Amigos do Museu do Ceará

Realização
Núcleo de Documentação Cultural do Departamento de História da UFC (Nudoc) e Secretaria da Cultura do Ceará

david bowie, the prettiest star

11/11/2006

.direto ao assunto

O primeiro post, abaixo, foi apenas um preâmbulo.
E a palavra “preâmbulo”, vocês sabem, é mui-to-le-gal.

.vou te contar

Nada contra o everlasting love entre o casalzinho pré-adolescente de Páginas da Vida. Mas TUDO contra aquele Chopin – acho que é Chopin – que se intromete toda vida bem na hora H das crianças. Depois de 6037830568 sonatas e 80760572604 concertos de piano [esse personagem deve ser lobby do Renato "Queijos&Vinhos" Machado, do Bom Dia Brasil], eis que o sósia do Felipe Dylon pega de verdade, pesaaaado, a comedorazinha de cocada. Legal, se a cena não tivesse durado TRÊS capítulos. Entediante. Era tudo muito tântrico pro meu gosto.

Beija o nariz – Chopin. Agora o queixo – Chopin. Toca a alcinha da blusa – Chopin. A brisa saracoteia as janelas da casa da serra de Petrópolis – Chopin. O sol inunda o quarto no dia seguinte – …Chopin! Tudo bem que as cenas tórridas de Emmanuelle eram intercaladas com as paisagens do país em que ela estivesse, mas não há comparações. Inclusive pelos instigantes títulos, como Emanuelle and the Last Cannibals (1977), Emmanuelle Goes to Cannes (1985) ou Emmanuelle Private Collection: Emmanuelle vs. Dracula (2004).

Ah, meus 13 anos.

Sim, voltando. Forçação maior ainda foi o inimaginável diálogo pseudo-descolado-contemporâneo entre mãe e filha, com ares de cumplicidade, no day after. Isso depois de 15 flashbacks de surreais conversas da mãe com outras mães da alta sociedade, durante um chá das cinco, sobre a necessidade de sempre comprar camisinhas pros filhos e filhas e deixar na carteira deles.

- Filha! Que lindo. [abraço emocionado] Sei bem como você está se sentindo. É tão mágico!
- Mãe, queria te contar tudo, como aconteceu…
- Não, filha. Meu amor, guarda isso só pra você, no seu coraçãozinho…

Como assim?!? A menina queria contar TUDO pra mãe? Come on, que país é esse? Observem a atitude EMO dessa geração de adolescentes. Mané contar pra mãe, porra. Isso é falta de peia. Se fosse na vida real, no meu tempo, era exatamente o contrário. A gente era true nos eighties. A filha querendo esconder o chupão no pescoço, jogando o cabelo em cima e tampando com base de maquiagem – no tempo em que ainda havia chupão, claro. A mãe fingia que não sabia de nada e fuçava as coisas da gente, até encontrar as camisinhas e pílulas que tanto procurava.

.túnel do tempo

Ainda no assunto “gerações”, não posso deixar de abordar as tendências culinárias que dominam os cardápios contemporâneos. Não falo apenas do catupiry e do queijo cheddar, que invadem coxinhas, empadas, tortas, ruffles, pringles, cafés com leite e qualquer coisa que a gente consuma no dia-a-dia. Mas vocês hão de convir que há coisas, como os tomates secos, que aparentemente não existiam há, sei lá, 15 anos. No meu tempo, a pizza era mista/mussarela/portuguesa. E olhe lá. Não havia a pizza de tomate seco com mussarela de búfala no cardápio, por exemplo. Embora tomates e búfalas estejam por aí, nas ruas, nas praças, nos clubes, há séculos.

.children

Mamãe vive me rogando pragas, dizendo que ainda terei filhos histéricos e que me darão muito trabalho. Tudo porque não gosto de crianças. Mas não odeio pivetes de modo geral. Só repudio os burros e os incovenientes, é tudo tão simples. Eu não sou uma pessoa difícil, enfim.

Essa semana, me chamaram de “galega” de novo. Não sei porque, me lembrei que, por conta de meu biotipo, ahn, exótico para os padrões locais, tive que agüentar por toda minha vida escolar os coleguinhas malas que chamavam minhas sardas de sarnas. Imbecis. Se a pessoa é imbecil aos cinco aninhos, imaginem aos trinta. Fora que eu era exemplinho nas aulas de genética, sobre os recessivos e os albinos. O professor falava do assunto e era imediato, a galera virava pra trás e mirava. Crianças estúpidas. Odeio crianças estúpidas.

.hereditariamente

Eis que a fatura do cartão de crédito do papai chega super depois do vencimento. Ele liga pra reclamar, com aquela delicadeza típica de nossa família gentil. Detalhe que ele já estava puto com a euforia do locutor do futebol de areia, que torcia para Portugal em cada gol.

Telemarketing 1: Bom dia, senhor.
Papai: Seguinte. Eu queria comunicar que a minha fatura só chegou hoje, depois do vencimento. Espero que isso não me traga nenhum problema.
Telemarketing 1: Um momento, senhor… Olha, o cartão do senhor venceu no dia 07 e hoje é dia 11, senhor.
Papai: Certamente. Se eu não ligasse pra você, aposto que jamais teria observado essa questão das datas. Olha, mas quero reclamar sobre o serviço de vocês. Como a empresa deixa a fatura chegar na minha casa quase UMA SEMANA depois do vencimento?
Telemarketing 1: Reclamação sobre serviços é em outro setor, senhor. Vamos estar transferindo sua ligação.

[30 minutos - Chopin]

Telemarketing 2: Boa tarde, senhor.
Papai: Opa, boa tarde, já estou esperando há meia hora. É, as coisas são sempre assim. Quando não interessam à operadora de cartões, vocês deixam o cliente exausto, de molho, pra ver se desiste da reclamação, não é. Enfim, depois falamos sobre o processo que posso mover. Estou ligando para reclamar sobre o envio da fatura de vocês. Aliás, o “não-envio” da fatura. Não é a primeira vez que isso acontece.
Telemarketing 2: Por favor, o senhor pode me confirmar alguns dados, por questões de segurança do nosso sistema? Nome do pai?
Papai: Manoel…
Telemarketing 2: Nome da mãe?
Papai: Maria… É, por favor, meu querido, qualé seu nome?
Telemarketing 2: André.
Papai: E o nome do seu pai?
Telemarketing 2: ?
Papai: É por questões de segurança aqui do meu sistema. E o nome da sua mãe?

.empreendedorismo

Não, eu não sou frustrada por não ter sido rainha do milho na minha quarta série. Ohh, eu era tão feinha, que só vendo. Não tinha nenhuma perspectiva, diante daquele meu corte horroroso de cabelo horroroso. Mas enfim, tínhamos as semanas culturais da escola e a feira anual de ciências como oportunidades únicas de mostrar o corpo para os meninos, durante o ano letivo. Lembro-me de que sempre pensei grande, nesses eventos. Na oitava série, ficamos no pódio, com nosso projeto que envolvia operações genéticas com ratinhos. Não, nenhum foi maltratado em nossos experimentos.

Mas todo o auge foi na terceira série, quando morava em Recife. Sim, eu trouxe a AMBIÇÃO para minha equipe. Porque o projeto era super sem graça, não lembro nem o que era, devia ser aqueles vasos comunicantes super previsíveis. Mas havia a guerra dos brindes: as equipes com os melhores brindes sempre recebiam mais visitantes e isso era sinal de muito status. Como esse sempre foi um valor espiritual que prezei, tive a idéia de juntar minhas outras amigas de 10 anos e pedir patrocínio na fábrica da COCA COLA, em Jaboatão dos Guararapes. Rapaz. As pivetas fardadas, tudo pegando um ônibus intermunicipal, escondidas, BR adentro, pra ir a fábrica da Coca Cola. Nem preciso dizer que minha mãe quase teve uma síncope – e quase levo uma surra, quando ela soube. É, surra. Porque minha educação foi super true, ó. Na minha época, tinha mané terapia não.

A informação relevante foi que eles, depois de nos doparem com litros de coca, deram réguas, marcadores de livro, um monte de caneta, umas miniaturas, ISQUEIROS [para nós, pivetas de 10 anos, isqueiros, detalhe] e uns bonés super bacanas, que foram disputados a tapa por toda a escola. Até os professores queriam.

Fica a lição de vida de hoje, que deve ser algo do tipo: tudo vale a pena, quando bonés estão em
jogo. [filmes americanos quase sempre terminam com esse tipo de frase "estúpida" - que é minha palavra do dia, como vocês já observaram. It´s such a beautiful word]

[...]

- Pois é. Até que trombei com Gianecchini solteiro e minha vida mudou.

suede, the drowners

03/10/2006

A partir de pequenos diálogos,
emerge uma certa preocupação com minha dicção.

- Fulana salão de beleza, bom dia.
- Oi, aqui é Luciana, da Revista Tal. Fulana está?
- Olha, ela está em um corte… É sobre o quê?
- Uma entrevista pra edição de moda.
- Deixa teu número de contato, pra gente retornar.
- Ok, anota o da minha casa. É 32-17…
- 42?
- Não. 17.

oasis, fade in out

01/10/2006

Paulista ama pizza mesmo.

“- Meu, vou é mudar meu RG e me naturalizar cearense, pra não passar vergonha”.

Papai, ao ver agorinha na tv que os paulistas estão elegendo, err… Maluf, Clodovil, Palocci e João Paulo Cunha.

[solo de bateria]

smiths, ask

04/07/2006

“Eu queria ser o Luigi Barrichelli”

Dos mesmos autores de Pulp Fiction.

Quando eu era criança em Upper East Side, Nova York, praticamente estudava no ateliê da Ana Maria Braga. Na escola, rolavam altas aulas de artes até a, sei lá, quarta série. O nome do Tio era Jussieux, olha que sofisticado. Pra mim, a expectativa das aulas de arte já começava quando a gente recebia a lista de materiais no começo do ano. E eu ia com a mamãe no Centro, sabadão, pra comprar tintas, pincéis, crepom, celofane, um outro papel macio que nem veludo e os inevitáveis palitos de churrasco. Palitos de churrasco são daquelas coisas tipicamente pedidas apenas em listas escolares. Alguém aqui já precisou comprar palito de churrasco no dia-a-dia pra fazer… churrasco? Duvi-dê-o-dó. Só para os artesanatos, ó.

Pois é. Eu fazia de um tudo na escola: decorei uma lata de leite condensado pintada de marrom com pregadores de roupa envernizados grudados [rapaz, olha que precoce, desde pequena eu demonstrava essa inclinação para o design!], pintei a mão com tinha laranja e carimbei um saquinho de tecido com a minha palminha, fiz origamis de flores, sachês de sabonetes ordinários com tule. Aos quatro anos de idade, minha trajetória brilhante foi laureada com meu primeiro prêmio na Bienal e… Mas vocês entenderam. Qualquer leque véi, de papel dobrado, eu tava curtindo, tal.

Hum. Mas essas memórias afetivas de minha infância alegre são extremamente ofuscadas pelo presente, quando constato que, diferentemente de hoje, no meu tempo eu não tinha como passar cola quente em tudo, com a pistolinha. Passei a infância sem celular e sem IPod, porque não haviam sido inventados. Hum, o auge, pra mim, é a pistolinha. Ohn, sintam uma ponta de frustração e amargura na minha voz, nessas minhas linhas tremidas e mal escritas.

Obviamente, darei ao meu casal de rebentos, Sorine e Claritin, a mais completa assessoria em artesanatos e todo um kit contendo guaches, crayons e pistolinhas de cola quente pras crianças brincarem nos gramados do jardim e desenvolverem o lóbulo esquerdo do cérebro, o da criatividade. Vai ser lindo, uma alegria inenarrável, tal como a que senti quando aprendi a costurar fuxicos, há uns cinco anos. Lembro que eu queria aplicar fuxicos em tudo, quase ponho mamãe louca.

[...]

Pois então. Mas há o outro lado da moeda. O ruim de os pais estimularem a psicomotricidade dos pivetes é que, quase sempre, tudo que eles fazem fica horrível, sujo e borrado, sem harmonia com as cores, mal recortado, sei lá. E os pais sempre têm que ser gente boa e achar lindo, quase um Picasso, pra não desestimular o pobre pivete bem intencionado, bichim. Mas aí, fico pensando: gente, eu me conheço, sabe. Sou daquelas pessoas que até são educadas e fazem um social, mas… e se der o azar de eu ser sincera por acaso? Assim, sem querer? Já era. Será que eu vou conseguir fingir direito pro Sorine?!?

Suponhamos, ele vai e me desenha feia, com giz de cera verde e o cabelo assanhado de palha de milho. E chega pra mim e pras visitas, todo sorridente aos três anos, dizendo “Olha, fiz a mamãe”. Eu vou ser obrigada a engolir o choro e dizer que “Pô, filhão, tá massa, i-gual-zi-nho! Ô orgulho!”. Medo. Terei que providenciar uns desenhos meus pontilhados, pra ele só cobrir com canetinha e diminuir a possibilidade de sair um retrato meu horroroso.

Aliás, acho que eu vou acabar traumatizando o pivete, mandar ele desistir das artes e fazer um concurso público quando fizer dezoito anos. Vou proibi-lo de gorfar e terei nojo de suas assaduras. Quando aquele pedacinho de cordão umbilical secar e cair, vou ter uma síncope, vou desmaiar de aflição. Fugirei do meu filho quando ele pegar aquela catapora asquerosa que todo mundo adquire aos seis anos. Caracas. Vou ser uma mãe tão fria e cruel.

[...]

Bom, enfim, o importante é que eu, quando era menor, queria ter um programa de televisão. Não pensava em um formato definido, mas tinha que ter diversos artesanatos com pistolinha de cola quente, musicais rockers e uns quatro sorteios.

Ah, tá, vou revelar, mas sempre tive verdadeira fixação por sorteios. Mas é por sorteios-raiz, os originais, aqueles com cartinha, tal. Eu era bem miudinha quando já me via preenchendo aqueles cupons de assinante que vem na Veja, com dados fictícios. Recortava, jogava pro alto e fazia sorteios no meio da sala. Era massa, eu tinha uma sacola cheia de cupom. Meu sonho era ficar que nem o Luigi Barrichelli, no alto da pilha de cartas, pedindo pras partners jogarem tudo em cima de mim. Daí, eu daria a carta pro auditor* e anunciava o vencedor, que sempre era uma dona-de-casa de braços gordos balançando, suados, cheia de sobrinhos e com o marido usando boné de vereador**. Se tivesse vestibular pra apresentador de sorteios, eu teria feito. Mané jornalismo o quê.

Eu era tão influenciada pelos mass media que praticamente obriguei mamãe a cortar uma franja no meu cabelo, que nem a da Angélica. Oh, meus sete anos. Ela resistiu, resistiu, explicou que aquela franja da Angélica era escova, não era natural. Mas acabou cortando. Sempre me disseram pra ouvir os conselhos das mães, sabe. Essa foi uma das maiores vergonhas da minha vida: enquanto minha franjinha estava molhada, era Alexandre Pires; quando secava, virava Luis Caldas. Tsc tsc tsc. Claro que meus coleguinhas do colégio de freiras zoaram comigo, me colocaram na rodinha e me chutaram. E eu passei uns três anos com um saco de papel pardo na cabeça, sem ver a luz do sol. Era como em um videoclipe. Hoje em dia, esses pirralhos bastardos devem estar presos, apartados da sociedade, aprendendo um ofício na prisão, pagando por seus crimes, engolindo as infâmias.

Mas mamãe sempre teve desses terrorismos, conselhos, intuições e superstições. Toda mãe tem dessas maldades cotidianas. Porque cal “corta” as mãos, porque deixar o chinelo virado “atrai” morte, porque um pedaço de carvão no congelador é útil para… para… err, é útil, enfim. Mas a pior de todas foi a justificativa dela pra eu parar de andar descalça em casa: é que a cerâmica teria uma “friagem” que subiria pelas minhas pernas e chegaria ao meu ÚTERO, o que me causará dores insuportáveis quando eu tiver mais idade. Ela diz que eu vou pagar muito caro, mas MUITO CARO, por andar com os pés no chão frio… Tensão, pavor. Alguém desminta isso logo nos coments, pra eu poder dormir tranqüila a noite.

[...]

Mas devo admitir que a era áurea dos sorteios está com os dias contados, eles vêm perdendo todo o seu charme. Agora é tudo eletrônico, tudo lá no telão de plasma, não tem nem cupom ou human touch. Que saco. Mas se o bacana era exatamente o montinho de cartas nos programas.

*Tô pra conhecer profissão mais mole que a de auditor. É só olhar nome e endereço, se a pessoa mandou a tampa melada de danone direitinho, com a resposta óbvia da promoção: “danone”. Sim, porque sempre são perguntas simplééérrimas, tipo “Qual a cor do cavalo branco de Napoleão?” ou “Qual creme dental deixa os dentes mais brancos e o hálito mais puro?” e, atrás, 45 meninas vestidas com a blusa do finado Kolynos e letreiros piscando, eufóricos: “Kolynos, Kolynos”.

** Só registrando que eu ficaria uma fera se eu ganhasse algum concurso e o povo da TV fosse na minha casa DE SURPRESA, pra entregar as barras de ouro e os carros
0km. Já imaginaram? Chega a Globo aqui AO VIVO, do nada, com algum apresentador lindo, e eu atendo a porta toda desgrenhada, com uma blusa comprida de três eleições passadas, descalça, parecendo um mirim EM REDE NACIONAL, em pleno domingo. Deus me livre, eu ia parecer aquelas mulheres detonadas do “antes”, do “antes e depois” dos comerciais americanos. Pois eu pegava a grana e me mudava do país, pra curtir uma vida de anonimato e ostracismo. Se eu participasse daqueles sorteios que tivessem visitas surpresa, eu ia viver arrumada em casa, de calça jeans.

goodnight moon, shivaree