Mc Dia Feliz
03/07/2009Ainda tento descobrir porque o cearense caminha somente na diagonal. Deve ter algo escondido naquela direção, um pote de ouro, whatever.
Falando em whatever,
- Ôti, que graça.
Mas o assunto do post de hoje não tem “nada haver” [adoro aprender palavras novas no twitter] com shakira, cavalos ou crianças nipônicas [também conhecidas como Toshios].
Falaremos hoje da Mc Alegria que senti ao tentar comprar um Mc Sorvetinho no Mc Donald’s essa semana.
Então a máquina dos sorvetes tava quebrada e eu tenho que ir pra fila normal. De início, há uma fila imeeeensa ao lado de uma fila com apenas uma família. O que a pessoa esperta faz? Vai pra menor, LÓGICO. Minutos depois é que finalmente entendi porque estavam fugindo da pequena família. A pessoa esperta, definitivamente, não fui eu. /darwin
Chamarei a mãe de PRESENTINHO.
PRESENTINHO – Moça, a senhora tem pratos grelhados?
A atendente aperta os olhos pintados com – adivinhem – sombra azul e não entende nada. Enquanto isso, os filhos se manifestavam.
PÔNEIS – Mãe, quero peixe. Mãe, quero frango.
Eu tava quase tomando as dores da vendedora-coitada (a quem chamarei de Vítima). Abrem-se diversas chaves de leitura e perguntas para esse case, a começar por “Quem destrancou essa família?”. Não adianta dizer que nem todo mundo conhece Mc Donald’s, que é mentira, aquela família era classe média o bastante e eu não tava pedindo pra eles conhecerem o preparo do Caramel Macchiato do Starbucks, então não dou desconto nesse caso, “faz favor, faz favor”. /tonyramos
VÍTIMA – Senhora, só temos sanduíches e há uma salada, a Mc Maçã, a Mc Água de Coco, o MC OVO etc etc. [diz, enquanto aponta o cardápio logo atrás e faz uma tentativa vã de mencionar os produtos 'naturais' do lugar]
PRESENTINHO – Pode vir no pão integral?
E alcachofra, vai querer, minha linda? Chagas abertas. A atendente tem que explicar tudo. O que é picles, a pólvora, a roda, o playstation, o golpe em Honduras, já que a Presentinho nunca antes nesse país havia travado contato com o Quarteirão com Queijo, a noção e produtos similares. Minha estagiária inclusive compartilhou um precioso testemunho, de alguém que pediu MISTO-QUENTE no Mc Donald’s, tempos atrás.
Tá, então a Presentinho decide que quer um Mc Croissant – que é vendido só até as 11h, no Mc café da manhã. A atendente aponta o cartaz, que diz ATÉ ONZE DA MANHÃ MINHA SENHORA E AGORA SÃO TRÊS DA TARDE MÃE DO CAZUZA TÔ CONTIGO – e a mulher: “Ah, nao tem problema, quero assim mesmo”.
Como assim, NÃO TEM PROBLEMA?
Pirei nisso, vou usar sempre.
“Oi, vendedora, quero uma empada”. “Acabou”. “Ah, nao tem problema, quero assim mesmo”.
“Oi, frentista, quero gasolina aditivada”. “Acabou”. “Ah, nao tem problema, quero assim mesmo”.
“Oi, manicure, quero Renda e Paris no pé”. “Acabou”. “Ah, nao tem problema, quero assim mesmo”.
Queria que vocês lembrassem que, durante todo o tempo, eu estava atrás da família, sem conseguir fazer meu pedido e sem coragem de ficar na fila gigantesca ao lado, que só aumentava e aumentava. Além disso, claro, eu sou uma pessoa DE FIBRA, y’know. E sei que essas coisas que acontecem comigo estão desenhadas nas estrelas, no mapa astral, no Personare, na borra de café, na fatia de pão em que apareceu jesus. Não há como escapar.
Onde parei? Ah, eu, Mc furiosa, ali, PASTANDO uma Mc grama mentalmente.
E a criaturinha DE MEL finalmente se decide pelo Big Mac, ok.
VÍTIMA – A senhora vai querer a promoção?
Pergunta OUSADA, eu diria. Sejamos razoáveis. Há no mundo três tipos de pessoas. A primeira é capaz de apontar em uma lista de opções a sua preferida, de forma autônoma e com certo grau de decisão. A segunda é vulnerável, vai na onda das vendedoras de loja, que JURAM que o shortinho de cotton branco ficou lindo nela. A terceira tem índole subversiva, que jamais poderia ser submetida a escolhas na estradinha da vida. Definitivamente, Presentinho era uma dessas, não se contentava com POUCO e não sabia lidar com várias possibilidades. Entendam o porquê.
PRESENTINHO – Como é a promoção?
VÍTIMA – Vem o sanduíche, a batata e o refrigerante. E, com mais um real, tudo grande.
PRESENTINHO – Ah, sim. Mas… E se eu quiser trocar a fanta laranja por uma sopa de lentilhas com torradas, pode?
Exagerei, mas era desse nível. A mulher estava prestes a sapatear e dançar passo-doble sobre a ordem estabelecida e tão duramente conquistada. Queria trocar batata por sorvete, trocar a carne do Big Mac por frango em uma releitura, lutou pela maionese enquanto eles só trabalham com mostarda, mil intervenções culturais, queria Bis Avelã (sim, eles chegaram, o fim está próximo) no lugar de nuggets. NÃO DÁ. Agora multipliquem a vontade dela de trocar tudo nos pedidos por TRÊS, já que a Presentinho estava com seus dois Pôneis – que queriam McChicken, desde que viesse com o brinquedo do Mc Lanche Feliz e com pão sem gergelim. Hell, a felicidade estava completa.
Mas meu pai sempre me disse: Marvin, tente não perder a paciência, você é capaz. E foi o que fiz. Bom, e a história originou um post, ri da situação, não tive gastrite por causa da raiva e todos estamos hoje felizes rolando na grama com nossos labradores-creme. Essa é a lição. (FREEMAN, Morgan)
E lembrei que a mesma lógica de forçar a barra pra trocar os elementos de um pedido se aplica a um episódio que presenciei, anos atrás, em um ônibus. A pessoa, com a força da mente, desejava mudar o itinerário do coletivo.
- Esse ônibus passa no shopping tal?
- Não senhora.
- Mas não passa bem ALI, na rua tal [que é à esquerda do shopping]?
- Não senhora.
- Mas… Hmmm… não passa NAQUELA praça [que é à direita do shopping]?
Aí o motorista arranca e vai embora, resmungando. “Pega um taxi, VÉIA”, entre outras palavras afáveis.
É isso aí, um vendedor de flores. É por essas pequenas coisas que eu acho que o planeta é simplesmente um coletivo de pessoas FOFAS.
E o polígrafo disse que eu… menti.
beatles, why don’t we do it in the road?




# catiguria







- “Vou te pagar cada centavo. Quero que você ME BOTE NA VIDA, quero ser garota de programa”. Joana, para seu PAI BIOLÓGICO, que é cafetão no Rio de Janeiro.






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