Eu quero morar no 41.

15 04 2008

Quando eu disser ‘jáá’, faça cara de paisagem para ler

Preciso desabafar que foi lindo e SUAVE quando meu computador EXPLODIU. Porque tava mesmo faltando emoção na minha vidinha e os céus resolveram me mandar dois micro-estrondos durante a madrugada, com um cheirinho delicioso de queimado como um plus a mais. Meu quarto até agora cheira a queimado. Rezem para que não seja meu HD, que, por acaso, contém uma dissertação de mestrado em andamento.

E o meu querido Elvis escolheu O SOFÁ DA SALA PARA VOMITAR EM CIMA. É fantástico o impacto que as palavras ’sofá da sala’ e ‘vomitou’ possuem, em uma mesma frase. E cá estou eu, limpando, lerê.
Those were the days.
Deus, só não me leve a câmera digital, o dinheiro e o meu blush novo. Que eu não iria suportaaaar a doooooor.

Mas ainda bem que minha TV a cabo é legal e concentra tudo o que eu preciso para sobreviver com elegância e alegria. Dos seriados tensos da HBO às receitinhas bacanas do Jamie Oliver, além das loucas trips do History Channel [ei, alguém viu as ruínas subterrâneas da Capadócia no sábado? PIREI com aquilo, é suntuoso demais, fora a tecnologia que os cristãos usavam pra se proteger dos ataques dos romanos na época, planejando sistemas de comunicação, orifícios para lancar óleo quente nos inimigos, coisas legais assim].

Mas eu quero mesmo é morar no 41.

Porque lá no canal 41, o GNT, é outra realidade. É tão mais legal. Lá, eu me sinto como se morasse numa cidade que fizesse 15 graus ao meio-dia. Todas as pessoas lá ganham dinheiro para, actually, conversar e serem legais, tipo num bar. Conversar e serem legais, sofisticadas, descontraídas. Ser descontraído e usar um leve cachecol sobre uma regatinha Herchcovitch e um máxi-óculos Roberto Cavalli é a máxima aspiração de todo jornalista antenado e moderno do século XXI.

- jáá! cara de paisagem!

I.
Dia desses, no Happy Hour, com Lorena Calábria, a pautinha era manjadíssima: mulheres que têm de conciliar a vida de mães, profissionais, esposas e donas de casa e blábláblá. Tinha até a Carolina Dieckman pra opinar, com aquela sua constante cara de entojo, sabem como é, uma espécie de bico? Enfim. Aí, o carinha que fica na internet falando porcentagens e curiosidades wikipédicas - ô empregão, você mora no 41 e tudo o que precisa fazer é pesquisar no google coisas tipo ‘você sabia que 99% das mulheres lascam o esmalte na hora de lavar a louça?’ - interveio na conversa para ‘esquentar’ a discussão. ‘Mas vamos esquentar a discussão? Administrar a casa é tão difícil, né. E quando se tem duas casas? Complicado, né, meninas?’

AHAM.
E quando se tem duas casas? Ohhh, claro. DUAS CASAS.
E QUANDO SE TEM DUAS CASAS?
Juro que ele perguntou isso.
E a Carolina Dieckman, com aquela sua constante cara de entojo, responde que, ahh [masca chiclete, masca chiclete] é hiper-difícil viver na ponte aérea, entre Rio e São Paulo, tals, tals.
E QUANDO SE TEM DUAS CASAS? [casas.. casas.. casas.. = escutaram o eco?]
Meirmão, fiquei puta, ó. Em que país eles vivem? Hiper-difícil é viver DEBAIXO DA PONTE, ô criança.
Vamos fazer um movimento separatista do GNT, porque aquilo, definitivamente, não é Brasil. Pô. Come on. GNT, una-se à Suíça.

II.
Pior foi num programa sobre supermilionários. Tá, era no People&Arts, mas podia perfeitamente ser no GNT. Voce sai iludidozinho depois da experiência de ver aquelas vidas. Tinha um cara que vendeu a antiga casa de 7,5 milhões de dolares para comprar outra casa de 7,5 milhões de dólares em um balneário exclusivo de milionários de Nova Iorque. Amey uma das falas do locutor, que dizia - sempre com uma grande naturalidade: ‘A nova casa de John deveria ter um pé-direito alto, de cinco metros. Afinal, o casal passará pelo menos DUAS SEMANAS POR ANO nesta nova casa, no verão’. Hohoho.
O mais legal é que as entrevistas com os milionários sempre terminam com alguma mensagem sobre simplicidade, a importância da meditação, os pequenos prazeres da vida que o dinheiro não pode comprar, como um… pôr-do-sol.
Se eu tivesse 200 mil na conta, já estaria rindo à toa, apreciando qualquer lua réa no mundo, ó.

III.
Falando em casa, passou uma super casa aqui no Brasil, dia desses. A Residência Cavanellas foi projetada pelo Niemeyer e tem paisagismo de graminhas quadriculadas em diversos tons, do Burle Marx, entre montanhas verdes. Tsá? E laguinhos particulares e beija-flores que vêm sorver o néctar das tulipas plantadas lá. E mobiliário dos 50’s, tipo, com peças assinadas por Le Corbuisier. Se você não está chorando de emoção diante dessas informações, se isso não quer dizer nada pra você, bom, joga no google, ohh, fariseu. Porque é-mui-to-lu-xo. Aliás, uma casa com nome, tipo ‘Residência Cavanellas’ é… incrível. E o dono dando a entrevista com cara de paisagem de Burle Marx?
‘Quando vi essa casa, me apaixonei’.
Não diga, darling.
- Eu também. :)

IV.
Como se já não bastasse Renato Machado. Na Globo, ele edita o jornal mais legal de todos, sempre com matérias de óperas e culinárias chiques no final,com os jornalistas sendo descontraídos em poltronas soltas, tipo sala de estar. Delícia. No GNT, seu cotidiano é de degustação de vinhos bááááárbaros, que ele define com adjetivos complexos, tipo ‘generoso’. Morram. E aprendam, é coisa de pobre, coisa de emergente, dizer que vinho é encorpado, doce ou seco. Que reles, gente. Digam sempre algo que vocês acham bonito, palavras que teoricamente não estariam associadas a um vinho, mas que podem dar a ilusão de conhecimento profundo. E, por fim, tenham a certeza de que ninguem entenderá - mas todos reagirão como se entendessem e passarão a te respeitar por isso. Tipo uma coisa que eu já escutei, que era ‘hmmm… anguloso’.
Falando em degustação, desde o final de semana passado meu sonho é dizer ‘Vamos para o Caravaggio’e sair batendo meu saltinho esnobe. Foi a cena que eu vi, ao entrar num restaurante local, dita por um cara que não tinha reserva, não entrou e resolveu ir ao Caravaggio, eleito na Veja Fortaleza como o melhor restaurante da cidade.
Mas eu não tinha reserva e… entrei.
Rá.
Miacho.

V.
Um post sobre luxo é uma oportunidade singular de revelar aos três leitores remanescentes do Flows que eu passei uma semana num spaaaaaa. Spaaaaaaa. SPAAAA. Tão bom falar SPA, né, gente. Foi em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, o Hotel Villa Europa & Spa do Vinho Caudalie Vinothérapie. Ufa. E com todas as despesas pagas pela organização do evento que fui cobrir. ‘Despesas pagas’ significam motorista à disposição, café da manhã com iogurte de ovelha, mirtilos e pelo menos cinco tipos de queijos pra escolher, além de jantares, passeios e iates. Eu fiz cara de paisagem vinícola all the time, pagando de chique, de crachá. Até hoje não acredito que passei uma semana dormindo numa cama daquele tamanho, em frente às parreiras da Miolo. Uma cama que deve ser medida em hectares, assim como todas as propriedades dos ricos.

- Essa é a minha Bento Goncalves*.

VI.
*Ah, digam que vocês também assistem ao programa do Álvaro Garnero, na Record. É o 50 por 1, onde ele fala das viagens looosho que ele já fez na vida. O mais legal é que ele narra tipo ‘Esse hotel tem apenas sete bangalôs, muito exclusivos, para seus hóspedes. Só o teto do hall de entrada, em cristal de murano, custou 10 milhões de dólares. Mas essa ainda não é a minha Dubai’. Aí, depois ele vai em algum mercado de especiarias chiques e únicas, tal. Pega umas ervas na palma da mão, se diz fascinado com os aromas da região e diz: ‘Essa… é a minha Dubai’. Eu me passo demais, demais.

VII.
Falando em Record. O que é o RODRIGO FARO apresentando dois programas? Quem inventou que o Rodrigo Faro tem carisma? Desde quando o Rodrigo FUCKIN’ Faro é alguém???

VIII.
Enquanto isso…

Oportunismo ou humorzinho negro?
Cartas para a redação.
Para a redação do ego.globo.com, por terem esquecido o ‘onde’ da frase, em plena manchete.

Desfaz-se nesse momento nossa cadeia de blog e televisão.
E pode desmanchar a cara de paisagem, beijos.

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slayer, hell awaits



O ápice da decadência*

7 02 2008

Tem muita gente que escolhe ser jornalista porque ACHA que, dentre outras coisas:

1. no terceiro semestre de faculdade seu talento incontestável o fará ser disputado ferrenhamente por três grandes conglomerados de mídia e entretenimento;

2. vai trabalhar maquiado com base lancôme e ganhar fama, notoriedade, fortuna, iates, uma vida no alphaville e mulheres em algum conglomerado de mídia e entretenimento;

3. vai receber livros, cds, dvds e ingressos grátis pros melhores shows e eventos, sendo sempre recebido como um VIP;

4. a adrenalina e a emoção atrás de um furo de reportagem livrarão eternamente sua vida do marasmo e do tédio;

5. seu cotidiano profissional será uma seqüência de matérias relevantes que serão lidas por toda a humanidade e que, além disso, irão alterar significativamente os rumos da política, a rota do próximo foguete da Nasa ou o que quer que seja.

Mas concentremo-nos nos pontos ‘4′ e ‘5′.

Primeiro, eu posso sentir a emoção de um colega ao receber a notícia de que ele foi escalado para cobrir o Big Brother. Segundo, eu imagino o bom humor que lhe toma quando os colegas que cobrem pautas ’sérias’ lhe dispensam piadinhas acerca do seu trabalho diário de sete horas cobrindo o cotidiano daquele povo, os banhos de piscina de roupa, os UHUUUS ininterruptos, as cambalhotas na grama. Bom, pelo menos alguns trabalham pro UOL, pior seria se fosse na GAZETA DE CASCATINHA. E, terceiro, posso supor o AVC de felicidade que ele terá ao saber que seu turno será durante a madrugada e que sua missão consistirá em inventar umas três maneiras diferentes pra informar que a casa toda dorme e ronca, além de ter que elaborar manchetes que farão toda a diferença, como ‘Participantes conversam no sofá’ ou ‘Marcos acorda empolgado e dançando’ ou ‘Café dos brothers é preparado por Luiz Felipe’.

Mas quem é Luiz Felipe na noite carioca? Promoter? ‘Artista’? ‘Modelo e ator, que fez escola de teatro no Tablado’? Coadjuvante da Portelinha? Ou Luiz Felipe é o nome do bolo que eles comeram? Ou Luiz Felipe é uma nova celebridade emergente e eu não acompanhei? Luiz Felipe é um participante do programa? E cadê a Ana Maria Braga, que não tava lá fazendo o café pra tentar recuperar a audiência perdida pra Ana Hickmann?

[aliás, impagável foi o dia em que AMB preparava uma paella e uma das intrgrantes do BBB pergunta, toda interessada: 'Essa especialidade é JAPONESA, Ana?'. Se ela chutasse que era portuguesa, sei lá, eu até ficaria calada, but... AHAM]

Sabe, é por isso que a Globo nunca me deu uma chance e me chamou pra fazer um programa. Eu não seria nada confiável no ar e daria uma resposta brutíssima pra quem me fizesse pergunta idiota. Eu abriria um alçapão pro sujeito cair, coisa do tipo. Imagine se eu fosse a Oprah, eu riria todo dia da cara daquelas americanas da platéia que fazem cara de espanto pra tudo e aplaudem até o vento que sopra do leste. Eu também não poderia ser, por exemplo, a entrevistadora de uma mulher que passou pelo programa da Record há dez minutos, que afirmou ter usado manteiga, maionese e refrigerante [MANTEIGA, MAIONESE E REFRIGERANTE, ressalto] pra POTENCIALIZAR o bronzeado. Ohh. Imagino uma criatura jogando fanta laranja [cenoura e bronze?] em seu corpo semi-nu ou se untando sexymente de manteiga na frente do namorado, na Praia do Náutico, meio-dia. E depois caindo areia nela. Deve ter ficado um croquete. E ela deve ter pego aquela tonalidade saudável de GALETO, da Adriane Galisteu.

*Papai me ensinou a expressão ‘o ápice da decadência’ quando eu era bem criança ainda, quase ao mesmo tempo que o conselho ‘nunca bata palmas pra louco dançar’.

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pimpinela, siga seu rumo



Fim das especulações

4 02 2008

[Comecei esse post vendo os desfiles das escolas de samba paulistas. Quando ouvi dizer que um dos enredos de ontem seria “Cabelos”, eeeca, imaginei um abre-alas sendo um ralo gigante, cheio de fios, com a Cláudia Ohana de destaque. Pronto, falei.]

UPDATE:

Vendo aqui o desfile da Portela.. gente alguém esclarece a proposta desse carro alegórico dentro do contexto do enredo? Se é pra ser parecidinho com um despacho, conseguiram.

Fim das especulações

E na semana em que recebo um sugestivo spam de PENNY DENNIS [adivinhem sobre o que era? Hohoho], retornamos aos trabalhos neste blog.

Mas antes, um registro. Eu sou muito otária mesmo. Passo uma temporada de um mês fora do Brasil [agora é verdade e eu sempre sonhei com esse momento, hahaha] e simplesmente perco a chance única de escrever pra vocês um post SEM ACENTUAÇÃO OU CEDILHAS, ao som de algum cortador de grama na América!! Cara, cara, jamais vou me perdoar.

Hahahahahahahahaha.
[lembram que rir a toa é muito chique? Pois é, continua sendo, neste verão. Ao contrário da tonalidade ‘azul klein’, que nunca era pra ter sido.]

Então, a estação do mal humor chega, finalmente.
Só pra vocês verem a falta de LOÇÃO que me toma quando eu fico assim, dia desses alguém ligou no interfone aqui de casa. Eu achei a voz da pessoa tão irritante, mas tão irritante, que não perguntei quem era e simplesmente desliguei. DESLIGUEI. Meu deus, a minha irmã quis me interditar.
- Você desligou porque achou a voz da mulher irritante?!?!?!?!!
- Foi…

#0.
.2007, uma breve retrospectiva.

Em 13 de JÚLEO daquele ano, postei.

“Betty Gofmann está com vacina contra febre amarela em dia.
http://ofuxico.uol.com.br/Materias/Noticias/2006/07/28459.htm

- Betty se preocupa com sua higiene íntima”.

VANGUARDA! ATUALIZADA! FASHION! CONTEMPORÂNEA! FASCINANTE! POLICÍSTICA!
Uma mulher à frente de seu tempo e da febre amarela, La Gofmann.

#1.
.do supermacho ao pequeno-pauzismo

Hoje reflito sobre a ascensão do ‘macho’ como tendência para esse verão. Supermacho. É legal demais essa expressão, me intriga desde as aulas de biologia no colégio, quando descobri que as moscas com triplo cromossomo X eram conhecidas também como super-machos. Daí aquele filme Triple X, em que o cara arrebenta mais da metade do elenco, né. Tudo tá interligado, aposto que você se arrepiou.

Pois é. Desde o tempo em que todo mundo passou a reproduzir nas rodinhas [‘rodinha’ não, porra, que hoje esse post é sobre ‘machos’] de conversas aqueles Chuck Norris Facts até a exaustão [tipo “Chuck Norris não lê livros, ele os encara até conseguir toda a informação que precisa”], comecei a observar um negócio curioso. Fiz conexões entre os acontecimentos relacionados ao revival do Chuck Norris, ao fato de o povo passar a achar cool o Steven Segal no domingo destruindo tudo, essas coisas. Depois a galera passou a aprofundar o conhecimento, e os filmes do Charles Bronson se popularizaram novamente. Para os vintage, Clint Eastwood mascando um capim. E, quando eu achava que a febre tinha arrefecido, eis que os machos do cinema retornam com ênfase: o James ‘Herson Capri’ Bond, o Bruce ‘duro de matar’ Williams, o Rocky Balboa e agora o tio Rambo. Falando em Stallone, essa cena de Stallone Cobra é impagável.

- Você é uma doença, eu sou a cura. Você é um cocô. E eu vou matar você.
- Eu tenho uma bomba, mando tudo pelos ares!!
– Vá em frente, eu não faço compras aqui.

Hahaha, ‘Você é um cocô’ é tudo, preciso ter a chance de usar isso um dia, assim como ‘Ô disk jóquei, bota aí um mambo, um mambo bem caliente, bem frenético’.
Num post sobre machos, aliás, tínhamos que ter DENIS CARVALHO, afinal.Mas então, voltando. Alguém se lembrou do ovulativo Wagner Moura, aquela represa de testosterona, em Tropa de Elite? Pois bem, ele meio que afirmou essa nova-velha concepção de macho no audiovisual brasileiro, sendo seguido [‘opa, coé, tão me estranhando? Mané seguido o quê, rapá’] pelo Antônio Fagundes pagando de BOPE na novela das oito – um dia o José Inocêncio urbano deu um tiro de BAZUCA no núcleo da Portelinha, tive uma hiperventilação só em olhar aquele absurdo – e pelo comeback de NUNO LEAL MAIA, nosso primeiro Jack do Lost… guardadas as proporções, néam. Aliás, a audiência irá ao delírio quando Fagundes resolver dar uns tabefes em alguma mulher, ou na Sorrah ou na Donatella Versace, sei lá. Ou então ele pode chegar no núcleo rico e armar um barraco com o Stênio Garcia, uma grande revelação: ‘Na verdade, esse cara é o caminhoneiro BINO!!’, não sei, supondo aqui.

[Falando em novela, francamente, que ridículo o nome da próxima das sete, a BELEZA PURA. Uma novela chamada Beleza Pura, sintam, abre precedente para futuras novelas se chamarem “É SHOW”, “100%”, “É massa” e outros desmantelos]

Então. O que tem valorizado o passe desses exemplares de macheza são pequenos atos cotidianos adoráveis, como andar suado, falar com as mulheres olhando sempre pros peitos dela, pronunciar frases curtas e de efeito, se coçar, se orgulhar de comer até mulher feia e falar grosso, sempre um tom acima. As tendências, a São Paulo Fashion Week, o mainstream, a ultima Vogue [bleeefe, nem li!], enfim, tudo aponta para a queda do macho estilo ‘George Clooney’, que tem lábia, é gentil, aprecia um bom vinho e com um leve jeitinho de cafajeste, alguma sutileza. Agora é a vez do cara, err, rústico, que chega e diz ‘porra, quem manda aqui sou eu’ e dá um tapinha aviltante na bunda da esposa - a quem ele deve chamar de ‘ô coração’ -, mandando a coitada pegar uma cerveja e fazer um pratinho com azeitonas e provolones picados pra ele beliscar durante o jogo.

E nemteconto, mas muitas mulheres vêm procurando homens assim, no more mr nice guy, como bem sintetizou a miss que tá no big brother – que, aliás, tem uma boca horrível, parece um monstro do lago nessss, só eu reparei?

- “Homem tem que dar porrada na cama. Carinho você recebe de pai e mãe”.

Nem que me pagassem ONE THOUSAND MILLION DOLLARS eu desperdiçaria uma linha do meu precioso blog comentando isso, tá. Eu só queria registrar que a GAZETA DE CASCATINHA traz uma noticia de que ela foi desmascarada – adoooro, ‘desmascarada’ – e não é miss coisa nenhuma. Vou seguir aqui com o post. Pois bem. Um fenômeno ligado diretamente à ascensão do supermacho é o PEQUENO-PAUZISMO que assola Fortaleza. É uma maravilha. São esses sujeitos que fazem tudo para desviar a atenção do pau pequeno e então falam alto – e se estiverem ao celular, o volume de voz é dobrado – buzinam sem necessidade, cantam pneu nas ruas, aceleram pra mostrar a potência… do motor, usam uma torre de caixas de som na caçamba do seu 4X4, coisas e tal.

É tipo a cena constrangedora que apreciei ontem, na praia. Foi fabuloso. Um desmanteladinho de corpo entroncado e sem pescoço, que deve sofrer de pequeno-pauzismo, arruma um cavalo pra montar. Ele tinha um chicote, com o qual batia desnecessariamente no coitado do animal – ele deve ter se espelhado, não sei, no supermacho José Mayer, pra fazer aquela fachada. Crente que ia AHAZAR e pegar mó mulherada, não sei. Pois o cavalo se estressou, empinou, relinchou, correu com este mané até o mar e deu uma paradinha pra derrubar a anta na água – cena que foi devidamente finalizada com um sonoro IEEEEEEEEEEEEEEEEI que partiu de uma barraca atrás da nossa. Assim, épico. Certamente esse idiotinha era um dos pilotos de hilux que dirigem em alta velocidade na beira da praia, o que é uma demonstração suprema de civilidade aqui na Europa.

Ei. E vocês não notaram nada de estranho no parágrafo anterior? EU-FUI-À-PRAIA. Foi uma quebra de paradigmas, não resisti. Gente, o calor é tanto, mas tanto, nesses dias… durante a semana o termômetro nem reconhecia a temperatura que fazia na hora do almoço. Marcava tipo 31 graus, mas é mentira, claro. Eram TODOS OS GRAUS. O namorado, que está nos EUA, tinha até comentado que lá esfriou. ‘Tá fazendo 58 graus’.

E eu pensei: ‘Aqui também’.

#2.
.desprendimento é…

… tatuar em letra cursiva, na nuca, o nome do seu amado.
- NILTIM, como eu vi um dia no ônibus.

…utilizar a técnica do FIO RUSSO para ficar com olhar oriental na Sapucaí, no desfile que homenageia o centenário da imigração japonesa.

- Ângela Bismarchi, NATURALIDADE is your middle name.
#3.
.ascensão social

Eu sabia que, depois de um passaporte carimbado, meu próximo passo seria a fama incontestável, que me renderá ONE THOUSAND MILLION DOLLARS este ano. Sim, assinei um contrato milionário com Leonardo Fontes, o magnata do Blogueisso, e ele me concedeu essa cobertura com vista pro mar, de onde posto pra vocês. E aqui estou eu, humilde, de calça jeans e camiseta básica, hospedada no Blogueisso! [repetindo o link again, pra reforçar o merchand.]Os sites andam cada vez mais engraçadinhos. Dia desses foi o Flickr que teve um ‘soluço’. E ontem, quando eu fazia o novo blog, fui brindada com a brincadeirinha: “Se um novo usuário for criado pelo WordPress, sua senha será, por padrão, “changeme”. Bem sugestivo, não? ;)”.

Err, okay. E, confirmando minha grande fase, Gi [sele Bündchen] me adicionou no orkut.

- Beijos.

Falando em orkut…
Se eu pudesse, juro, eu retiraria os amigos de orkut com foto feia. Tem gente que coloca cada coisa, meu deus. Assim, se vc é feio ou não é fotogênico, coloque uma foto qualquer, seu braço, um lápis, uma paisagem, a ponte metálica, uma luz que te favoreça, qualquer coisa. Né? Autocrítica e noção sempre são tendência.Só comentando.

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pierces, secret
small faces, runaway
antsy pants, vampire
manic street preachers, send away the tigers



helloooooooouooou?

4 01 2008

helloooooooouooou?
[aquela palavra que sempre antecede um sustinho, em filmes de terror em que a típica pessoa corajosa entra sozinha no sótão escuro da casa em uma colina isolada, mesmo sabendo que se trata de um filme de monstros, zumbis, serial killers ou todos juntos]

Pois então.
Vocês não vão acreditar, mas eu tô esperando um dia de mal-humor pra conseguir postar. Há exatos dois meses.
Mas não fiquem desapontados, fofos. Talvez o fato de eu estar no inferno astral correspondente ao aniversário de 25 anos [que, pra quem não sabe, é a idade da temida Crise dos 25 Anos] antecipe a safra de posts.
Daí, quando eu estiver com a macaca, vocês saberão.

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chick habit, april march



.2014, uma odisséia

5 11 2007

#1
.2014, uma odisséia

Não me chamem de estraga-prazeres, ok. Mas eu não sei que piada de mau-gosto é essa, de colocar copa na África e em seguida no Brasil. Os europeus tão afim de uma trip exótica? Copa no Caribe, meu bem. O mascote dançando ula-ula, quem sabe. Mas vocês viram o detestável FRENESI da Globo, com a escolha do Brasil? Aliás, ‘escolha’ é bondade, vamos combinar. Éramos os únicos candidatos, pelo que fiquei sabendo. A transmissão da cerimônia que oficializou o evento foi uma sucessão de coisas que pretendo esquecer o quanto antes, tipo o vídeo manjadíssimo que exibiram pra Fifa, com aqueles meninos descalços fazendo futebol-arte na terra batida e o depoimento de Carolina Dieckman pedindo pra que a Copa seja aqui. Anh?

Aí Paulo Coelho, o símbolo da nossa inteligência nacional, me vem com uma frase da qual, confesso, não entendi a proposta. “Já vi pessoas ficarem cinco horas discutindo sobre um jogo de futebol e nunca vi as pessoas ficarem tanto tempo discutindo uma relação sexual. Mas o futebol dura mais. Não que seja melhor ou pior”. Ahn??? No final, uma risadinha solitária do ‘Mago’. Ohhh. Deve ser tão genial, que só ele sabe o significado disso que ele falou. De repente, há alguma chave de compreensão, deve existir, ele deve ter lido isso no caminho de Santiago de Compostela, em um manuscrito escondido debaixo de uma ruína simbólica. Ou, de repente, esse é um parágrafo do livro novo dele, no one knows. O Expresso Oriente com Glória Maria deve ter seqüelado o cara. Aliás, Glória cortou o cabelo à lá Victoria Beckham, seguindo a Deborah Secco e a Wanessa Camargo. Precisa comentar? Falando em Camargos, Luciano, irmão de Zezé, despencou do palco e caiu no chão, em uma apresentação da dupla no PARAGUAI. Bem, este blog continua a manter o silêncio acerca dessa pauta também. Não me peçam opiniões, plís.

Eu também curti quando mostraram, nas ruas, o povão sem-dente fazendo um sambinha quando saiu o resultado a favor do Brasil. Imediatamente surgem as mulatas, não sei de onde. Elas são tipo o Superman, entram na cabine telefônica e saem de biquíni e penacho na cabeça, só pode. Aiai, gente. Alguém avisa pra esse pessoal que otimismo é legal, é bonito, mas enfim… Ou a ralé acha que vai ver os jogos? ‘Brasil X Argentina, a DÉRREAL, no Castelão’? Meu povo, todo mundo sabe que os ingressos devem custar mais que um salário mínimo, prêibói. Aliás, a logomarca de Fortaleza como candidata a cidade-sede é de uma originalidade comovente.

- Uma jangada.

Pois ó, depois a gente realiza aqui uma votação para o mascote do Brasil para a Copa 2014, ok? Um mico-leão em extinção? Um pivetinho fazendo malabares no sinal? O saci-pererê do Ziraldo? A Dercy Gonçalves? Mil palpites folclóricos.

Em síntese, não vejo a hora de ver todos os metrôs construídos, as calçadas limpinhas, a economia estável, todas as crianças na escola, os mendigos com um trabalho e um planeta sem guerras ou poluição daqui a sete anos, quando chegarmos à nossa Copa do Mundo. Imagine all the people living life in peace.

E mal posso esperar a alegria CONTAGIANTE e infindável do Tadeu Schmidt durante toda a programação da Globo, em reportagens engraçadinhas, com as curiosidades sobre cada delegação, a partir de janeiro de 2014. Fora os relevantes flashes ao vivo mostrando o desembarque da seleção da República Dominicana e o que a delegação do Suriname comeu no jantar. Eu me emociono com a idéia, ainda, de ter um jogo narrado todo dia pelo Galvão Bueno, além de vips globais lotando os camarotes do Maracanã na abertura do evento.

‘Estou tão emocionada’, declarará Daniele Winitz.

#2
.ohohohohohohohohohohohohohoho!

- Ah. Porque é superchique rir sem motivo, vocês não sabiam?

#3
.espécie catalogada

Os ‘bombadores virtuais’ têm um estilo de vida invejável… no orkut. Eles saem, enchem a cara e fumam a noite toda, fantasiados no Ceará de caricaturas de londrinos. Com cara de enfado e o cabelo cobrindo os olhos, escutam músicas que eles não conhecem direito – mas fingem que a-d-o-r-a-m.

Ou então eles saem, posam e sorriem apenas pra parecerem alegres nas fotos miguxas – aliás, tiram 4060567403604563 fotos miguxas de cima pra baixo –, voltam onze da noite pra casa, tiram o lápis do olho e entram com urgência na internet – sua primeira casa – para colocar as miguxices no flog e repercutir nos scraps: ‘cara, foi tudo! bombou! uau! uhuuuuuu! eu quero sair assim seeeempre!!’, etc etc etc.

É quando a diversão realmente começa.

#4
.sarcasmo

No Jornal Hoje da última sexta-feira, sou presenteada com mais um insight de Evaristo Costa, ex-Mais Você, de Ana Maria Braga.

Uma mulher ultra gorda, né, na reportagem sobre gente que escolhe os feriados prolongados para fazer plástica. Aí a moça diz: “Hoje fiz plástica na barriga… e agora vai ser sempre assim, todo ano vou escolher um feriado para fazer alguma intervenção estética. Excesso de pele, lipoescultura nas pernas, mamas…”. Aí o Evaristo, quando acabou a matéria:

- ‘HAJA FERIADO!, HAHAHA’

Tipassim, “tão enorme, precisa de 89 feriados pra se ajeitar”. Ao vivo.

#5
.ambição

Ok, o jornal inglês The Sun aposta que Cleo Pires pode vir a ser a Bond Girl brasileira no próximo longa-metragem do agente 007, ao lado de Daniel Craig. O que é algo exótico, HERSON CAPRI e CLEO PIRES no mesmo filme, enfim. Mas o que vocês não sabem é como tem gente com fé nesse mundo. Rita Guedes, por exemplo, pensa alto, MUITO alto. Tolinha.

#6
.ambição, again

Você é outra tolinha, Geyzislaine, meu amor. Beijos e se toca, tá.
“Belo”, meu prezado paradoxo, você também.

#7
.trocadilhos


E nos últimos dias, os melhores/piores trocadilhos foram:
- Canil Cão Portado [em Brasília. Thanks, Antônio, pela pérola]
- Bar Umas e Ostras [em Fortaleza]
- Agência de viagens Lady Murfy [nos sponsored links do Gmail]

#8
.previsibilidade

Nessa semana, o Intercine só trouxe filmes, err, eróticos e supostamente artísticos. De Henry & June pra baixo, além dos brasileirões de sempre. Na quinta-feira, o leque de opções era hilário – e injusto, convenhamos. A propaganda era assim: “Escolha! Cameron Diaz é uma jovem trá-lá-lá [Diaz saltita sorridente e patética em uma cena], em ‘Quem Vai Ficar com Mary?’. Ou: Jogos de sedução [mulher abre a blusa e pula o peito pra fora]… em ‘Segundas Intenções 2′”.

Agora ADIVINHE que filme ganhou na votação.
Consulte seus babalorixás.
¬¬

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kula shaker, second sight
amplifico, the comedy stops here
beach boys, i just wasn’t made for these times
twisted sister, what you don’t know sure can hurt you
bob dylan, it takes a lot to laugh, it takes a train to cry



Entre o pitoresco, o sobrenatural e o transgênero

22 10 2007

Entre o pitoresco, o sobrenatural e o transgênero
ou: durante a insônia, tenho rompantes de delírios pop que envolvem até seriados japoneses.

Esse é o boneco transgênero de palha do Shopping Benfica. Pra quem é de fora e/ou freqüenta a cidade no Google Ârf, ele fica na esquina entre as avenidas 13 de maio e Carapinima, em Fortaleza.

A ‘coisa’ fica ao lado da universidade e é um dos caminhos que posso pegar pra chegar ao trabalho. Então é inevitável, pelo menos uma vez na semana eu passo lá e vejo o que é feito dele. Fora que ele é ENORME, vejam só o tamanho comparado ao da cabine policial, ao lado dele. O boneco transgênero de palha do Shopping Benfica é uma coisa assim, polivalente, eclética, raiz, biodegradável. De início, o colocaram vestido de anjo - Natal passado, se não me engano. Depois foi fantasiado de maracatu, durante o Carnaval. A sucessão de looks continua com roupa de atleta do Pan-do-Brasil, de shortinho e tudo; matuto de festa junina; pai [no dia dos pais, tal], recebendo inclusive um pivete transgênero de palha nos ombros – o que, cá pra nós, parecia um encosto, cruz-credo. Há algum tempo ele se vestiu de militar, de calças camufladas, na época do 7 de setembro. Se eu tiver me esquecido de algum traje, alguém me corrija, viu.

E, hoje, ele tá vestido de MENINA, por ocasião do dia das crianças…

Minha imaginação e minha noção questionam coisas para muito além da aberração de um boneco gigante de palha travestido adotado por um shopping no meio de uma grande avenida. Aliás, isso dava uma sinopse legal pra filme, tipo “Boneco de palha fantasiado é picado por uma serpente, cria vida própria e aterroriza moradores de uma grande cidade, reproduzindo-se rapidamente e espalhando o pânico em Los Angeles”. Enfim.

Mas idéias bizarras desse tipo sempre me suscitam a pergunta: quem deixou?? Sim, porque alguém [ou ‘alguéns’, na maioria dos casos] tem que autorizar a instalação e a manutenção do bonecão transgênero, né. “Olá, colegas. Gostaria de sugerir, nesta reunião de hoje, que o shopping construa um boneco de palha de seis metros de altura, que pode ser livremente caracterizado, blá blá blá…”. Já pensaram? Aí os acionistas: “Ohhh, excelente…”
Deve ter uma pessoa da produção, que pensa nas roupas e confecciona tudo. E já pensaram o bonecão NÚ, no dia da troca?? Ai, sei lá, me passou pela mente, mil coisas. Hohohoho.

[...]

Falando em bonecos gigantes, dia desses, eu pensava em uma coisa sobre os filminhos japoneses, estilo Changeman, Jiraya, esse povo todo. Olhem só como é sem sentido e nós nem reparávamos: os heróis têm um robozão gigante, que poderia matar o vilão pequeno na primeira cena, com um pisão. Mas nãããão, o mocinho se lasca todo, fica à beira da morte, perde todas as batalhas, para SÓ ENTÃO usar o robô gigante. Ele espera o vilão virar um robô gigante também, pra depois lutarem na cidade de papelão. Mesmo assim, o robô do bem só usa a arma principal depois que já tá nas últimas, ao invés de simplificar e detonar de uma vez. Pessoal complicado, né? Bom, desde muito pequena eu era chata e procurava relações de sentido nas coisas e reclamava disso.
Aí meu pai dizia: Marvin, a vida é assim mesmo, eles têm que segurar uns minutos do episódio, é assim que ganham dinheiro…

[...]

Mas falando em coisas insólitas e enredos imaginários da infância, me lembrei de ooooooutra coisa. Gente, se eu for doida, alguém me avisa, ok. Sinceridade é o novo preto. Mas será que eu fui a única criança que, quando estudava classificação dos substantivos, imaginava histórias de suspense e lances noir com os “Sobrecomuns”? Bom, pra quem não lembra, tal, os Sobrecomuns possuem um só gênero, quer se refiram a pessoas do sexo masculino ou do feminino, sem flexionar nem o artigo que o acompanha. E os exemplos sempre são tão sinistros, pessoal. Vejam que soturno. E vêm sempre separados com pontos finais, não com vírgulas – para valorizar a pausa dramática.

*A criatura. A testemunha. A criança. A vítima. O cônjuge. O carrasco. O indivíduo. O algoz. O monstro. O cadáver. A sentinela. O pivô. O animal. O apóstolo. O verdugo.*

[o que é ‘verdugo’? Ah, não tenho idéia, mas vou chutar: deve ser uma espécie de caseiro de mansão abandonada na colina erma e distante. Ele deve ser corcunda, ter o semblante assustado e uma fala embolada, porque é um cara de origem simples e medieval. “Chame o verdugo, capataz! Ele terá que me explicar o que aconteceu em minha ausência!” ou “Verdugo, estamos cercados, tranque as portas e faça barricadas! Temos mantimentos suficientes para três dias!” ou ainda "Verdugo! Confio em você. Desça até o porão e traga as batatas. Receberemos convidados hoje para o jantar."]

Uau.

Bom, enfim, espero que eu não seja a única a ter imaginado coisas com os substantivos sobrenaturais durante a quarta série. Senão vou ter me ‘exposto para exemplificar’, o que é um mico gigantesco. Né? Que nem aquela comunidade do orkut.

Tipo:
- Eu, por exemplo, fazia isso. Você não?
- Não.
- [silêncio constrangedor]

beta band, dry the rain
beatles, don’t bother me



- Quando terminarei minha série de espécies pós-modernas catalogadas?

25 09 2007

- Quando terminarei minha série de espécies pós-modernas catalogadas?

Tá enchendo o saco, isso. Mas além de fazer ’separados no mascimento’ o tempo inteiro [domingo a noite tava passando A Hora do Pesadelo e eu juro que achei parecidos o Freddy Krueguer e o Yellow Bastard, de Sin City. Ok, digitem no Google Images], eu ando com a mania de tipificar as pessoas em grupinhos. Deve ser esse mestrado, que anda me enlouquecendo. Abafa.

Mas enfim. A troco de quê as pessoas tiram fotos sensuais & insinuantes, com o bíceps de fora ou um decote provocante, fazendo cara de oferecido[a] na frente do espelho, estilo ‘tenho lábios carnudos’, com cara de ‘me come’?

Bem, o objetivo eu não sei.
Mas devo informar de que se trata de mais um…
- “Modelo-manequim frustrado[a] do Orkut”.

P.S.: Senhor, sei que não vou mais pro céu. Entrei na comunidade ‘O Cristo Redentor faz chapinha’. Acabaram minhas chances.

P.S.: Sério. Enjoei um pouco de internet, tá. Mas acho que é só uma fase e logo superaremos o problema e voltaremos aos blogs. Preciso comentar tantas coisas…

a hard day’s night, the supremes



.minuto de reflexão e ódio, muito ódio

19 09 2007

.minuto de reflexão e ódio, muito ódio

Sobre o uso do telefone.

“Se é pra falar gritando, por quê usar celular, não é mesmo?
Por quê a criatura não vai simplesmente na esquina e BERRA pra outra pessoa ouvir?”

Meu nome é Lucy e tô me sentindo mais leve, gente. Brigada. Só mais 24 horas.



.ooooutra espécie foi catalogada

17 09 2007

.ooooutra espécie foi catalogada

Nós, os Impotentes Culturais, somos assim:

- perdemos dias e mais dias conhecendo blogs desnecessários – mas que são super legais – e nunca conseguimos comentar em todos e ler todos os textos que gostaríamos;
- temos brotoejas quando postam 15 novos textos no Overmundo e não conseguimos acompanhar;
- chegamos cansados em casa no fim do dia, mas temos a garra de abrir as notícias de todos os portais de informação – contudo, nunca damos conta de ler tudo, porque as atualizações ocorrem de minuto em minuto;
- compramos revistas compulsivamente, mas não há como ler tudo até o final do mês e aí chegam outras, outras e mais outras novas;
- tentamos conhecer todas as bandas indies do momento – aquelas que só têm uma mp3 mesmo – mas não temos tempo de ouvir tudo o que baixamos, além de não ter como ler e assimilar informações sobre a banda;
- frequentemente sofremos de espasmos ao entrar nas livrarias e constatar que sempre haverá uma lista de pelo menos 20 títulos recém-lançados que são indispensáveis para a nossa vida, mas que nunca conseguiremos comprar nem ler tudo;
- choramos canivetes ao entrar nas locadoras de dvd, ao sentir que jamais assistiremos a todos os filmes novos e antigos que precisamos. E queremos conhecer a obra completa de alguns cineastas consagrados, sendo isso um projeto frustrado, por falta de tempo;
- ficamos em depressão por não acompanhar as milhares de séries legais que estão atualmente no ar;
- quando viajamos, sofremos horrores por não conseguir visitar todos os monumentos, todos os museus*, os melhores cinemas, as livrarias mais bacanas, feirinhas de antiguidades e os sebos [ahhhh, os sebos!] com aqueles livrinhos antigos, raros e umidificantes que todo o impotente cultural que se preze AMA.

*contei pra vocês que, em Porto Alegre, passei por um dos momentos mais civilizados da minha vida? Imaginem vocês que, num domingo à tarde, ultra-frio, dia de Brasil X Argentina na TV, enfrentei uma FILA pra entrar na exposição do Goya! Gente, nunca peguei uma fila tão feliz. Porque só em locais desenvolvidos pacas é que encontramos fila pra museu. E só em lugares ULTRA-CIVILIZADOS é que as pessoas conhecem Goya e sua importância, a ponto de formar uma fila por ele. Amei, amei. Nosso Brasil, eterno país do futuro, ainda conserva rincões de esperança.

- Mas sabe o que é o pior nisso tudo?
É que sempre encontramos alguém que parece ter visto todos os filmes, lido todos os livros, assistido a todas as temporadas das séries na tv a cabo. Não é possível. Minha esperança é que a maioria desse povo deve ser de Blefadores Culturais [vide último post, a long time ago].

.paciência? eu?

Sacando dinheiro no caixa 24h. Um sujeito – a quem chamarei de Anta - estava atrás de mim na fila e pergunta:
Anta: Moça, esse caixa saca com cartão Itaú?
[Olho na placa, tem o servico pra todos os bancos, menos Itaú]
Lucy: Olha, acho que não…
Anta: Mas ah, é que tem uma placa bem grande aí do lado, ó, dizendo ‘Bem vindo, cliente ITAÚ, ao caixa 24h…’
Lucy: ¬¬

Olhei pra trás, com minha MELHOR cara de desprezo, querendo dizer ‘Ô ANTA, se você tinha visto a placona, POR QUÊ, POR QUÊÊÊÊ fez essa pergunta IDIOTA?’ Ele esperava que eu dissesse que a placa tava, sei lá, mentindo? Ele esperava que eu lesse a placa pra ele? O que ele esperava??? Gahhh.

Mas que estresse.

.rá

Finalmente, eis que utilizo meu francês na prática. Mais de quatro anos de curso não foram em vão, tô orgulhosa.

Estava eu na fila do supermercado, comprando barrinha de cereal [AMO as da Lucila Diniz, com pêssego, uma delícia], quando vejo uns cinco franceses falando super alto, tal. Daí, um deles ficou olhando pra mim, tipo paquerando, e começou a comentar com os amigos. Ele falava as coisas sem saber que, ohh, por acaso, eu falo francês, han, han. Então, quando meu constrangimento já tava ultrapassando as barreiras do aceitável, eu discretamente me dirijo a eles, en français:

- ‘Se vocês pensam que eu não sei o que vocês estão falando, se enganaram. Rá!’.

Eu queria ter fotografado o SEMBLANTE DE PAVOR deles.

.amenidades

- Hoje, no Faustão, me orgulhava dos nomes pitorescos que saem do Ceará: QUELRY [Carrie?] se apresentou no ‘se vira nos trinta’ imitando o som de gatos brigando e cruzando. AMO. Como eu disse, ainda insisto em acreditar nos discretos rincões de esperança e cultura que se escondem – muito bem escondidos, vamos combinar – no nosso país.

- Compro inspiração. Quem quiser oferecer, pago com Visa ou Mastercard, tá.
Mas é claro que não é inspiração pra cá, um reles blog gratuito, tolinhos, pretensiosos, mas é para a dissertação do mestrado. Queria só meio metro de idéias, já tava suficiente.

- Eu queria parabenizar a Globo pela inesquecível noite de sexta-feira que me proporcionou. Minha primeira promessa de fim de ano é essa, é não ligar a tv na sexta a noite, pelo menos em canais abertos. Mas não falo somente do Globo Repórter sobre problemas de sono – quem me conhece minimamente ou já me viu de binóculos a pelo menos 406707356783506m de distância nota as minhas vistosas olheiras –, que achei muito legal, mesmo. Falo do combo ‘suicídio & desilusão plus’ da emissora: um programa que homenageava o Renato Russo, no lugar do soturno ‘vou fazendo o frete cortando o estradããão…’. É a famosa troca do ‘seis por meia dúzia’. Depois, a 56456740704ª entrevista bombástica e exclusiva de Caetano Veloso, para o Jornal da Globo. Ah, era aquilo de sempre, falava sobre sua fase rocker, a cena corrupta de Brasília, que superou o divórcio, os 100 anos de dona Canô, opiniões relevantes sobre o mercado financeiro nervoso, o Lula de novo, minha nova colcha de cama, os novos rumos da moda do vestidinho trapézio, a verdade sobre Luana Piovani, sei mais lá o quê. Pra doer mais, a melancia do bolo [porque cereja não estraga o suficiente, né]: vi que no Jô Soares o entrevistado de destaque seria o meu, o seu, o NOSSO ídolo ERI JOHNSON. Grátis, Lexotan. Gente, que booooooooooring.

- Eu não suporto os imitadores do Romário, acho que vocês já imaginavam isso, né. E nem preciso dizer que era uma das primeiras imitações do meu, do seu, do NOSSO ERI JOHNSON.

- Falando em rabugice, exercitei na semana passada uma modalidade de desprezo que super se aplica a locais ensolarados demais, como Fortaleza. Aprendam, fofos. É a fina arte de usar o sol forte como álibe pra fechar os olhos e evitar as pessoas em geral, fingindo que não as vemos na rua. Costuma funcionar e é uma saída super digna, é incrível.

- Meu Elvis continua faceiro. Um dia, minha irmã e minha mãe davam uvas pra ele brincar de futebolzinho no chão. Minutos se passavam e ele latia, pedindo outra. Latiu de novo, pedindo mais outra. Quando elas foram ver o que ele tanto fazia, ele estava MOBILIANDO a casinha dele com frutas, colocou as quatro uvas ARRUMADAS em um dos cantos da casinha dele. Não é lindo? Claro que é. Mania de organização. Esse é mesmo meu filhote. E olhem como ele, ainda por cima, é erudito.

- Fui num casamento bacanésimo por esses dias, e o garçom do buffet era uma comédia. Ele oferecia todas as bebidas bem direitinho, ['A senhorita aceita água, suco, champagne, refrigerante, uísque?'], mas na hora de oferecer a cerveja… ['Ou prefere uma CERRÊJINHA?']. Desmanteeeelo.

- Ah, contei pra vocês que o cartão Itaú QUE EU NÃO PEDI chegou? Pois é, e vem junto uma cartinha simpática, dizendo que ’sua PROPOSTA foi ACEITA’. Comassim, MINHA? PROPOSTA? Até onde me recordo, fui COAGIDA a aceitar a praga desse cartão depois de uma moça do telemarketing ‘estar me perseguindo’ em casa, no trabalho e no celular por mais de uma semana, oferecendo d.e.s.e.s.p.e.r.a.d.a.m.e.n.t.e esse cartão pra mim… Que povo cínico. Gente, eu só tenho aborrecimento e encosto nessa minha vida. Cruzes, eu quero um banho de cheiro.

- Ah, e duas semanas depois, finalmente escrevo sobre o I Encontro de Blogueiros que houve aqui em Fortaleza, no último dia 1º. Nossa, me surpreendi, organizadíssimo e cheio de gente, ó. Estranhamente, vi a repercussão nos blogs e algo me chocou: as pessoas não acreditam em mim. Explico: o povo me chamando de simpática, meu deus, mesmo após anos de rabugice afirmada e reafirmada aqui no blog… Simpáticos são vocês todos, tá. Ou fingidos. Ou eu sou uma farsa? Haha. Mas enfim, o negócio era patrocinado [Visit Fortaleza] e tudo, rá, que chique. O povo se passando com a cerveja de graça e… ops, ficar calada aqui, né. Tudo o que vocês precisarão saber vai sair na Caras esse mês, comprem a sua. Mas ó, conheci a vida inteligente que há por trás de muitos blogs de que gosto e esperamos os desdobramentos do evento, né mesmo.

O álbum de fotos do encontro tá aqui, um relato do happening tá aqui e outras informações estão aqui, inclusive com o Leonardo exagerando e me chamando de Molly Bloom da blogosfera… magiiiiina, menino. Magiiiiina. [shame] Mas continuo sendo uma pessoa simples, jeans, camisa branca, muito líquido, pé no chão e humildade sempre, né.

- Vi um clip novo da Shakira, não lembro agora o nome, mas vou te contar, eu CANSO só de ver o que ela faz com a barriga. Parece que tem um Alien dentro. Um só não, dois. O mais engraçado é que ela NÃO PÁRA de fazer dança do ventre em nenhum momento, é o tempo todo: ela conversando com o cara e se contorcendo, ela olhando pro cara e se contorcendo, ela anda na rua e se contorce, ela dança e se contorce, em qualquer ocasião. Ri tanto. Homem gosta disso, é? É pra ser tipo… sensual?

- Ana Hickmann, fofa, mostrar no programa pessoas do sul/sudeste experimentando [ou tentando experimentar] buchada e outros pratos excêntricos do norte/nordeste já deu, é estação-passada, out of fashion. Beijos.

.playlist

it was you, james brown
love & communication, cat power
sparky’s dream, teenage fanclub
a world without love, the supremes



.nova espécie pós-moderna é catalogada

24 08 2007

.nova espécie pós-moderna é catalogada

Eles assistem apenas a trechos de filmes cult, via you tube, e dizem que conhecem o estilo do diretor tal, super consagrado.
Eles baixam uma única MP3 de cada banda cult e também dizem que conhecem e ridicularizam quem nunca ouviu.
Eles consultam generalidades na wikipedia e saem por aí esnobando os outros com seu conhecimento fake, construído em 20 minutos de leitura superficial.
Eles lêem noticias e notinhas apressadas nos portais e se julgam bem informados.
Eles catam trechos de escritores renomados dos quais jamais leram alguma obra completa e colocam frases de efeito cult, encontradas via google, no perfil do orkut e/ou no msn.

…eles são os blefadores-culturais da internet.

**

.dia-a-dia

Depois de ‘ovulando, carol castro’, o novo ícone do nosso vocabulário será ’salto de piranha’. Perdi ontem essa parte do capítulo de ontem da novela das oito, mas minha irmã contou e achei incrível, super usável nessa estação. ‘It’s da new black’, já diria Rafa.
Foi assim. Olavo descobriu que Bebel-Catiguria tramou o flagrante que arruinou seu casamento com a fútil e rica Alicinha*. Mas enfim, Bebel-Catiguria pede para se explicar, implora para falar. Puto, Olavo responde - com aquele timbre grave m.a.r.a.v.i.l.h.o.s.o. que deus lhe deu:

‘- Sabe o único ruído seu que quero ouvir? O barulho do seu SALTO DE PIRANHA indo na direção da saída do meu quarto’.

HOHOHOHOHO.
Anotaram?
Eu quero a segunda temporada de Paraíso Tropical sendo escrita já!

- Gilberto Braga, preciso te contar: eu já não vivo sem você, tá.

* Só lembrando que na vida real Guilhermina Guinle já foi casada com Fábio Jr - portanto, não se deixem levar pela aura de fina & superior que ela ostenta, porque, convenhamos, casar com Fábio é muito mico. Hoje você tá na Globo em horário nobre, fofa, mas eu sei do seu passado. E eu estaria correndo feito uma louca atrás de apreender e queimar as Caras, as Quem e as Contigo que me fizessem recordar os momentos com Fábio em alguma ilha excêntrica. Nossa, e ir pra ilha excêntrica e casar numa religião excêntrica é ser tãããão emergente. Ah, falando em Fábio Jr, o que é o casamento dele com a Mari Alexandre? Ihh, não sabe quem é a Mari? Aí sim, recomendo a wikipedia e uma leiturinha superficial. Ou procure nos arquivos da Sexy ou dos convidados decadentes do Domingo Legal. Ao lado de Cida Marques [who?], deve ser uma das recordistas de participação.

[gossip mode: off]

.playlist

pj harvey, down by the water
judy garland, zing! went the strings of my heart
panic! at the disco, lying is the most fun a girl can have without taking her clothes off